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27/04/2005 - 17h38 "Lula tem atitude parecida com a de Maria Antonieta", diz professor de ética Veja a entrevista em vídeo
Da Redação Não param de chegar à redação do UOL News e-mails de internautas indignados com as últimas declarações do presidente Lula. Anteontem, o petista chamou os brasileiros de acomodados, afirmando que, em vez de reclamar dos juros altos cobrados pelos bancos, eles deveriam "levantar o traseiro da cadeira" e pechinchar juros menores no mercado. Menos de 24 horas depois, o presidente falou que a taxa básica de juros brasileira -hoje em 19,5%- não impede o crescimento da economia. As duas afirmações foram contestadas por autoridades, economistas e políticos. "Lula tem manifestado uma atitude que se aproxima muito de Maria Antonieta. Todos sabem a história dela: quando perguntada sobre o que o povo comeria, se não tinha pão, ela respondeu: 'que coma bolo' ", comparou Roberto Romano, professor de ética da Unicamp. "Este é um comportamento que se espera de dondocas, de pessoas que não têm maior conhecimento ou responsabilidade, não de um Presidente da República." Em entrevista ao UOL News nesta quarta-feira, Romano disse que "o povo brasileiro está pagando por não ter levado muito a sério o fato de que o presidente Lula não tem formação" para exercer o cargo. "Já deveria ter pedido demissão" "Eu nem poderia dizer que ele dirige uma economia e uma sociedade dificílimas como se fossem um sindicato, pois o dirigente sindical hoje sabe que o juro é regido por uma determinada política, que não há como baixar juros saindo de um banco e entrando em outro, e que essa política de juros altos está diminuindo o emprego, a capacidade da indústria brasileira, etc. Então, nem dirigente sindical ele é." Para Romano, Lula deveria parar com os discursos de improviso e se limitar a ler os textos preparados por seu "escritor, que, aliás, é um ministro e escreve muito bem". "Desde o começo do governo, Lula usa a palavra pública para mostrar preconceito contra a mulher. No caso, disse que era 'homem macho, pernambucano', que 'emprenhou rapidamente' a sua senhora. Ele perdeu o decoro e não teve respeito pelo próprio cargo. Uma série de outras falas mostra que ele não está preparado inclusive psicologicamente para exercer esse mandato", avaliou. "Numa República séria, ele já deveria ter pedido demissão, aliás, não deveria ter se candidatado." Conforto O professor acredita que o presidente faz esse tipo de declaração porque se sente confortável com a imensa quantidade de votos que recebeu na eleição para presidente. "Se o número de votos diminuir sensivelmente na próxima eleição, mesmo que Lula seja reeleito, eles (os integrantes do PT) perceberão que não agradaram uma parte considerável da sociedade e dos eleitores." Romano, porém, não vê oposição forte a Lula para "empolgar" a eleição de 2006. "É preciso que a oposição deixe de ser polida com o governo e passe a bater forte." "Não voto mais no PT" Ele sugere que a sociedade se mobilize. "Devemos nos unir e, se necessário, ir à rua, para protestar contra esse desrespeito à cidadania: pessoas que trabalham são acusadas de preguiçosas por alguém que não trabalha há muito tempo. Aliás, se ele tivesse mantido seu emprego saberia o quanto custa pagar juros como o brasileiro está pagando." "Pra mim dói muito, eu sempre votei nesta pessoa, sempre votei no PT, mas acho que nunca mais votarei em nenhum membro do partido", afirmou Romano, ao fim da entrevista. "Quanto tratamos dessas questões, sobretudo num caso gravíssimo como esse, a minha fala fica muito pesada, muito dura. Eu mantenho tudo o que disse, mas espero que o Presidente da República tenha mais prudência nas próximas falas."
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