23/08/2005 - 18h38
CPI dos Bingos aprova convocação do chefe de gabinete de Palocci
Diogo Pinheiro
Enviado especial a Brasília
A CPI dos Bingos aprovou nesta terça-feira a convocação de Juscelino Dourado, chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para prestar depoimento à CPI.
A CPI pretende avaliar se Dourado tem ou não ligação com Rogério Buratti, ex-assessor de Palocci quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
Dourado foi citado por Buratti em seu depoimento ao Ministério Público Estadual de São Paulo.
Buratti é acusado pelo ex-diretor Marcelo Rovai e o ex-presidente da Gtech Antônio Carlos Lino da Rocha de ter sido indicado pelo ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz para "influenciar" a renovação do contrato da Gtech com a Caixa Econômica Federal. Em seu primeiro depoimento à CPI, Buratti afirmou que não recebeu dinheiro da Gtech e apontou fatos que, na sua opinião, não correspondem à versão dos depoimentos dos dirigentes da empresa.
Buratti tinha depoimento previsto para esta quarta-feira, às 11h30, na CPI dos Bingos. Porém, ocorreu um impasse. O advogado criminalista Roberto Telhada compareceu à CPI dos Bingos e pediu o adiamento do depoimento de Rogério Buratti para a semana que vem. O depoimento estava previsto para amanhã.
Telhada disse que Buratti está "desgastado" e com "problemas de saúde". Buratti estaria se submetendo a exames médicos em São Paulo.
A CPI não aceitou o adiamento e fez uma contraproposta: que Buratti compareça para depor até a próxima quinta-feira. O advogado de Buratti deve dar uma resposta até hoje à noite.
A dificuldade da CPI em localizar o Buratti, levou a comissão a pedir ajuda da Polícia Federal para tentar encontrá-lo. Buratti tem depoimento marcado para amanhã na CPI em Brasília.
Buratti foi preso temporariamente na última quinta-feira em Ribeirão Preto, e foi solto depois que fez um depoimento na sexta-feira ao Ministério Público Estadual de São Paulo em um acordo de "delação premiada".
Buratti acusou Palocci de receber R$ 50 mil mensais de propina quando era prefeito de Ribeirão Preto. Palocci negou as acusações em nota divulgada na sexta-feira e em entrevista coletiva no domingo.
"Ninguém está querendo poupar o Palocci. Queremos ter condição, ao convocá-lo, de ter elementos para questionar", argumentou o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Morais disse que ainda não existem fatos que justifiquem a convocação de Palocci neste momento, apesar de ter sido aprovada a de Dourado. "Estamos analisando, aguardando provas", afirmou o presidente da CPI.
(Com a Reuters) UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

| |