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27/02/2007 - 18h29
Cidades pequenas lideram violência no país, explica sociólogo

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

Estudo sobre a violência. Levantamento revela que 10% dos municípios brasileiros, o equivalente a 556 cidades, concentram quase 72% de todos os homicídios que acontecem em todo o país. Elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura, a pesquisa foi divulgado hoje pelo Ministério da Saúde. O estudo aponta ainda que dos 10 municípios mais violentos do país, quatro estão no estado de Mato Grosso.

De acordo com o sociólogo, o senso comum de que os homicídios acontecem principalmente nas grandes cidades é uma idéia criada pela mídia. "A imprensa concentra a notícia fundamentalmente em Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília e criam uma imagem meio distorcida sobre o assunto. Nosso mapa mental da violência tem muito a ver com o que é transmitido pela mídia".

Até o ano de 1999, o pólo dinâmico da violência se concentrava nas grandes regiões metropolitanas, com taxas de crescimento muito altas, de 5% a 6% ao ano. "A partir de 99 a taxa se estabilizou, estagnou. Hoje ela não chega a 1% ao ano nas regiões metropolitanas e nas capitais", disse Julio.

Já os índices de violência no interior do país vêm crescendo desde o ano 2000, não apenas nos municípios tradicionais, como também em áreas em Rondônia e no sul do Pará.

O estudo do sociólogo aponta que o estado do Mato Grosso tem o maior número de municípios violentos. "Em geral, estes municípios são "terra ninguém", de difícil acesso, onde o Estado não se faz presente. É uma região de grilagem de terras, de conflitos agrícolas, de contrabando, de madeireiras ilegais e desmatamentos, onde vence a ilegalidade pela ausência do Estado".

Ainda segundo Julio, o estudo aponta que 22% de vítimas são homens e entre os negros as taxas de homicídios aumentam em 70% se comparado aos brancos. Os índices crescem em 80% no final de semana, sobretudo entre jovens de 15 e 24 anos. As taxas para o resto da população permaneceram praticamente inalteradas nos últimos 25 anos. "A taxa de homicídios entre os jovens praticamente duplicou desde 1980. A história homicida do Brasil é a história do extermínio da juventude".

O sociólogo mostra também uma queda significativa dos índices de mortes no trânsito entre 1997, quando novas leis foram introduzidas no país, e 2000, com a retomada dos números de casualidades nos últimos anos. "A partir de 2000, as taxas de mortes no trânsito voltaram a subir e agora estamos no mesmo nível de 1996. A queda dos índices se perdeu com o tempo. Não houve aprofundamento suficiente da campanha de conscientização no trânsito", concluiu.

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