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24/04/2007 - 18h50
Pacote ajuda, mas não resolve o problema da educação no Brasil, diz Cristovam Buarque

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

O governo federal lançou oficialmente nesta terça o Plano de Desenvolvimento da Educação. Entre as 47 medidas do plano, o governo cria um índice que leva em conta rendimento de alunos, taxa de repetência e evasão escolar. O repasse de verbas federais da educação para prefeituras será priorizado com base nesse índice. Está prevista também a criação de um piso salarial para os professores da educação básica da rede pública.

As medidas, no entanto, não foram bem recebidas por Cristovam Buarque, senador (PDT-DF) e ex-ministro da Educação durante o primeiro o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, "as medidas não vão mudar a educação brasileira, mas devem trazer alguma melhora" para a questão. "Esse programa vai fazer com que a educação dê um pequeno passo."

Segundo Buarque, falta ao governo dizer que "a educação é uma questão nacional". O senador avalia que é o governo federal é quem deve tomar as rédeas do ensino fundamental e adotar medidas para melhorar a qualidade da educação.

"Você tem que definir metas para que e a escola do pobre seja igual à do rico. Criar metas para que todas as escolas tenham a mesma qualidade", disse. Para isso, ele explica, o governo tem que definir padrões de qualidade não só para o conteúdo que será administrado, mas também para a formação dos professores e das instalações educacionais.

De acordo com Buarque, isso não acontece, pois a responsabilidade sobre as escolas foi transferida para as prefeituras. Assim, as escolas sempre serão diferentes, pois "existem municípios ricos e municípios pobres".

A avaliação dos professores, que recebeu o nome de "Provinha", foi criticada pelo senador e ex-ministro. "Sou favorável à avaliação, mas isso é só um termômetro, indica apenas que a escola está boa ou ruim", afirmou. "Eu vivia comparando a escola com o Banco do Brasil: o salário é federal e o concurso também deve ser federal."

O ex-ministro disse ainda que não participou ativamente na formulação das 47 medidas do Plano de Desenvolvimento da Educação. "Quando fiquei sabendo que o governo estava elaborando um plano, enviei minhas sugestões em um documento chamado 'A Revolução pela Educação'. Mmas acho que nada foi levado em conta."

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