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10/05/2007 - 18h38
"Estado laico é caminho sem volta, mas Igreja sempre fará lobby", diz teólogo

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da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou nesta quinta-feira um acordo proposto pelo Vaticano, no qual os católicos receberiam privilégios especiais. O acordo foi proposto durante o encontro de Lula com Bento 16, no Palácio dos Bandeirantes. O presidente disse que o Brasil vai "preservar e consolidar o Estado laico".

Para João Décio Passos, sociólogo e vice-reitor comunitário da PUC-SP, "o Estado laico é um caminho sem volta" para todos os países que já adotaram a separação do Estado e da Igreja. "É besteira imaginar que aquilo vai acontecer de novo, a história não tem volta. Além disso, a própria Igreja reconhece a legitimidade do Estado moderno."

Por outro lado, disse Passos, é normal que "a Igreja tente fazer lobby" junto aos governos. Segundo ele, a Igreja Católica encontrou outras estratégias para influenciar a política. Entre essas novas formas de se relacionar, disse o sociólogo, estão "a construção de bancadas políticas dentro dos parlamentos ou a educação do povo para que a partir das bases venham pressões populares que influenciem as decisões de um governo".

"A Igreja sempre vai fazer o seu lobby e sempre vai querer que a moral cristã influencie governos", disse. Segundo o sociólogo, é por isso que existem discussões sobre a legalização do aborto, a adoção da pena de morte e o combate à fome. De acordo com Passos, o catolicismo se baseia na lei natural, de que Deus criou todas as coisas e as criações não devem sofrer intervenções externas.

"A idéia da lei natural fundamenta quase que na totalidade a moral católica. Mas essa idéia não tem condição de dialogar com outras referências de uma ética moderna humanista ou que questiona a lei natural." Essas idéias explicam em partes os motivos do conservadorismo da Igreja.

Na opinião de Passos, porém, não é a moral católica que faz com que a Igreja perca fiéis ao redor do mundo. "Essas idéias fazem aumentar o número de católicos indiferentes à moral religiosa." "A diminuição faz parte de um processo de modernização que resulta em um crescimento daquelas pessoas que se professam atéias ou que acreditam em Deus, mas se distanciam de uma prática eclesial. Esse fenômeno já atingiu bastante a Europa e tende a crescer no Brasil."

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