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28/08/2007 - 18h41
Clima de impunidade na classe política começa a diminuir, diz cientista político

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

Todos os 40 denunciados de envolvimento no esquema do mensalão agora são réus. O Supremo Tribunal Federal aceitou a maior parte das denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República. Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, este é um acontecimento sem precedente histórico. Segundo ele, nunca antes o Supremo tinha "invadido" a impunidade da classe política para fazer esse tipo de julgamento. "Antes, todos os julgamentos que foram tentados no Supremo foram jogados fora por falta de provas", diz.

O que diferencia o caso mensalão dos demais, na opinião do cientista político, foi o relatório muito bem embasado do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, que continha evidências levantadas pela Polícia Federal, pela imprensa e, principalmente, pelas CPIs. Fliescher acredita que, após o mensalão, o clima de impunidade na classe política será reduzido. "Vai ser um bom sinal para os navegantes para não entrar nesse tipo de tentativa de impunidade outra vez", afirma. Mas ele lembra que essa é apenas a "primeira tacada". "Teremos que esperar talvez um ano, dois anos, para ver como que o Supremo vai concluir esse caso", diz.

Na avaliação do cientista político, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve ser abalada pelo julgamento do mensalão. "Ele tem sido com um grande presidente teflon. Nada gruda nele", fala. Os danos maiores, acredita, devem ocorrer na imagem do PT - que se recusa a punir seus integrantes e do qual Lula tem se distanciado ultimamente. Ele teria sugerido, inclusive, apoiar um candidato de outro partido nas eleições presidenciais de 2010, lembra Fleischer. O impacto de tudo isso, segundo ele, deverá ser sentido nas eleições municipais, que funcionarão como uma prévia das eleições presidenciais.

Quanto à tese de que um esquema tão complexo não seria necessário somente para montar uma base de apoio a projetos do governo, levantada pelo jornalista Janio de Freitas em sua coluna desta terça na Folha de S.Paulo, o cientista político afirma que esse dinheiro pode ter sido usado para caixa dois de campanhas. "É possível que haja caixa dois para as próximas eleições e reforçar as finanças do partido", comenta.

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