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01/11/2004 - 20h28
"Não podemos buscar só os votos dos pobres", diz Genoino

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O presidente nacional do PT, José Genoino, disse que o partido vai rever a estratégia de comunicação da campanha eleitoral em São Paulo, "sem buscar bode-expiatório", e admitiu que precisa reavaliar a inserção do partido na classe média.

"O PT nunca teve uma votação tão forte nas camadas populares. Essa votação era disputada normalmente pela elite clientelista, pelo malufismo. Mas não podemos dividir a disputa política só na luta contra os pobres. Há segmentos na classe média que temos de saber disputar", disse.

Ainda sobre a eleição paulistana, disse que os adversários tucanos foram "eficientes" em explorar o anti-petismo e a criar teses infundadas sobre a hegemonia do PT no País. "Eles foram eficientes na tática e nós não fomos tão eficientes assim". Genoino admitiu concordar "em parte" com cientistas políticos que disseram que a prefeita perdeu a eleição porque acabou sendo vista como uma socialite atendendo aos pobres.

"Não esqueço as manchetes de 2000, quando a Marta foi eleita: era o PT light, Chanel e cor-de-rosa". Segundo ele, este "sentimento anti-PT" em São Paulo foi instrumentado por artigos, declarações e entrevistas de líderes tucanos na mídia. "Houve um incentivo ao preconceito, uma estigmatização do PT e uma exploração muito grande à imagem da Marta", concluiu.

Questionado se o presidente Lula vai receber o tucano José Serra, Genoino falou: "O presidente Lula receberá todos os prefeitos eleitos independentemente de partido, porque não discrimina nenhum governante". Só não soube dizer se a visita dos prefeitos eleitos será feita individual ou coletivamente.

O petista negou que o partido tenha saído derrotado nas eleições, dizendo que das cidades acima de 150 mil eleitores, o PT foi o primeiro em número de cidades e também o primeiro em número de votos, à frente do segundo colocado, o PSDB. Mas admitiu que foram "doídas" as derrotas em São Paulo e Porto Alegre. "Não foram bons os resultados das eleições porque perdemos em São Paulo e Porto Alegre, mas não foi um resultado de derrota nacional para o PT", afirmou.

José Genoino discordou da opinião do cientista político Denis Rosenfield, que responsabilizou o ex-governador gaúcho Olívio Dutra pela derrota petista na capital do Rio Grande do Sul. "O PT governa Porto Alegre há 16 anos e é natural que exista um sentimento de mudança, de renovação. Acho que quando você governa por muito tempo tem de buscar meios e formas de fazer as atualizações permanentes".

Quanto à presença de quatro ministros gaúchos no governo federal, Genoino negou que estejam "na corda bamba" por serem representantes de um Estado que não deixará de ter sua capital governada pelo PT. "A composição do ministério não se forma pelo quadro das urnas; se fosse assim, eles não estariam lá, porque o PT perdeu o governo do Rio Grande do Sul em 2002", explicou.

O ex-deputado negou que a base aliada do governo terá de ser redesenhada como conseqüência dos resultados das urnas e afirmou que está tudo bem entre PT e PSB, PPS, PMDB e PTB, por exemplo. "O PT mostrou ter uma postura flexível. Os partidos aliados cresceram e isso é bom.

O nosso governo é de coalizão política e a relação com os partidos da base aliada está boa. Para o PT, não é o fim do mundo perder para um partido aliado". Genoino afirmou ainda que para ganhar eleição e governar, o PT vai continuar dividindo o poder e as campanhas.

Sobre o episódio envolvendo a petista Luizianne Lins, eleita prefeita em Fortaleza mesmo sem o apoio da direção do partido no primeiro turno, Genoino disse que já está tudo resolvido, que já ligou para parabenizá-la pela vitória, e que o PT vai trabalhar para que ela faça um bom governo.

Segundo Genoino, a decisão de apoiar o candidato do PC do B para a prefeitura de Fortaleza foi tomada pela executiva do partido, baseada em pesquisas de intenção de voto. "Se o PT não apoiasse um aliado (PC do B) iam dizer que o partido quer tudo para ele. Mostramos que dividimos o poder, que não queremos tudo para nós".

Questionado sobre a derrota do aliado Antonio Carlos Magalhães na Bahia, o presidente do PT afirmou: "O ACM não é aliado do PT. Ele vota contra o PT. Se o PT fez alianças com ele foram situações pontuais, que fazem parte do jogo". Sobre o episódio envolvendo o casal Garotinho no Rio, Genoino foi categórico: "O País não aceita mais o vale-tudo, a velha política, a oligarquia urbana. A sociedade respo9ndeu nas urnas".

José Genoino, que em 2002 disputou a eleição para o governo de São Paulo e foi derrotado pelo tucano Geraldo Alckmin, negou que estará no páreo em 2006. "Não está nas minhas pretensões ser governador de São Paulo em 2006. Voltarei a ser deputado federal, isso se o povo votar em mim!".

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