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31/08/2006 - 18h19
Saiba como está a disputa pelo governo de Sergipe

Veja a entrevista em vídeo

Da redação

Menor Estado brasileiro, além do turismo Sergipe tem a economia baseada na extração de petróleo e de gás natural, e no cultivo da laranja, da cana-de-açúcar e do coco. Também fica entre o Estado e Alagoas a foz do rio São Francisco. No litoral sul está Mangue Seco, terra de Tieta, segundo Jorge Amado. É em Sergipe também onde se dança o Reisado, no período do Natal.

Situado na região Nordeste do país, Sergipe abriga hoje 1.967.791 habitantes em 75 municípios. O Estado tem 1.299.785 eleitores.

O atual governador do Estado é João Alves Filho, do PFL, que tenta a reeleição. Também disputam uma vaga no Palácio dos Despachos, Marcelo Déda, do PT; João Fontes, do PDT; Adelson Alves, do PSDC; Edmilson Celestino de Barros, do PCB; e Stoessel Chagas Nunes, o Toeta, do PSTU.

O candidato petista Marcelo Deda lidera a disputa com 48% das intenções de voto, segundo última pesquisa Ibope, o que lhe garantiria a vitória no primeiro turno. O governador João Alves, do PFL, obteve 36%. Seu partido lidera as bancadas na Câmara e Assembléia. Em Brasília, a bancada sergipana na Câmara dos Deputados tem 8 parlamentares (2 são do PFL; e PL, PP, PDT, PTB, PMDB e PSDB têm um cada). Os deputados estaduais são 24 (6, do PFL; 4 do PSDB; PMDB, PPS, PSB, PSC e PT têm 2; e PDT, PMN, PL e PP tem um representante).

Para comentar as eleições em Sergipe, o UOL News entrevistou o cientista político Carlos Eduardo Franciscato.

Parece que está havendo uma polêmica no Estado em relação à divulgação de pesquisas. O que é que está acontecendo?

Carlos Eduardo Franciscato - O Instituto Ibope já realizou duas pesquisas e realmente os números do Ibope, que dão uma certa estabilidade na frente para o ex-prefeito Marcelo Déda, são números contestados pelo grupo do governador João Alves Filho. Há uma discussão técnica se a amostragem é correta, se os municípios estão devidamente representados. Mas o que nos parece mais significativo é que há, na verdade, um confronto de diferenças de números e interesses, e o que significam esses números.

O candidato pelo PT, Marcelo Déda, ex-prefeito de Aracaju, lidera a disputa, segundo a última pesquisa, com vitória, se as eleições fossem hoje, ainda no primeiro turno. Esse cenário era esperado?

Carlos Eduardo Franciscato - De certa forma, o Marcelo Deda tem uma tradição na capital, na região metropolitana de Aracaju, bastante forte. Ele foi eleito e reeleito com uma margem muito ampliada de votos, então, desde a sua reeleição para a prefeitura em 2004 se imaginava que ele seria um forte candidato em 2006. Ele tem um carisma forte.

Ele foi um prefeito bem avaliado pela população?

Carlos Eduardo Franciscato - Ele foi reeleito, se não me engano, com 63% no primeiro turno, um indicador bastante alto para uma reeleição.

O atual governador, João Alves, já esteve no comando do Estado em duas outras oportunidades. Qual a explicação para ele estar em segundo lugar nas pesquisas e qual a avaliação do sergipano sobre o atual governo?

Carlos Eduardo Franciscato - Existe uma divergência nas razões até dessa surpreendente liderança com 12 pontos percentuais do ex-prefeito Marcelo Deda. O João Alves é um político tradicional também, ele construiu sua base política bastante forte no interior. Esse grupo que envolve PT sempre foi mais forte na capital e os grupos mais tradicionais mais fortes no interior. Desde a última eleição de 2002 já se percebeu que essa lógica no interior se inverteu um pouco. Se não completamente, parcialmente. O interior não é mais de um grupo político unicamente, seja PFL ou PSDB. O PT entrou muito forte na eleição de 2002 e conseguiu resultados surpreendentes. Complementando, a administração de João Alves fez alguns grandes investimentos em grandes obras, mas há discussões se alguns serviços básicos de educação, saúde e segurança pública estão ao nível do que a população esperava. Nós temos um enfrentamento bastante indefinido até 1º de outubro.

O que estão abordando nas campanhas os dois principais candidatos?

Carlos Eduardo Franciscato - Primeiro, a crítica de Marcelo Déda é basicamente em relação à qualidade desses serviços básicos que citei, seja educação, saúde, segurança pública é um tema predominante, ao mesmo tempo em que existe um projeto de mudança, que é o discurso do candidato. Ele entende ter os resultados para o que atual governo não conseguiu realizar. Ao mesmo tempo, o projeto de João Alves, é de continuidade - Avança Sergipe -, a idéia de um segundo governo melhor do que o primeiro, mas um primeiro governo que foi centrado em grandes obras que de certa forma estavam focadas em áreas temáticas, como o turismo, por exemplo. O que se questiona é em que medida esse governo foi competente em todas as áreas e não em áreas pontuais.

Educação, saúde e segurança são os itens que mais chamam a atenção da população sergipana?

Carlos Eduardo Franciscato - A segurança é um tema do cotidiano e, aliado com saúde, toca muito próximo das pessoas. Nós tivemos em 10 anos uma mudança de um perfil de um Estado com aquela saudável característica provinciana para um Estado já mais modernizado e isso gerou alguns problemas. O problema da segurança não é só da capital, mas do interior. Uma das versões que circula é que haveria um certo descontentamento de populações e povoados do interior porque a violência é grande. Isto seria um ponto fraco do atual governo e ele pretende, claro, modificar isso, mas nas respostas não parece ter sido bem incisivo até o momento.

Como está o PSDB na disputa estadual? Estão fechados em torno do PFL? Há divisão? Tem gente do PSDB tentando associar sua imagem ao presidente Lula?

Carlos Eduardo Franciscato - Nós poderíamos resumir em três grandes forças políticas. Duas estão disputando diretamente, o PT por um lado e o PFL por outro, e a terceira força, o PSDB, governo até quatro anos atrás, liderado pelo ex-governador Albano Franco, foi até quase o início da campanha eleitoral como a fiel da balança, hesitava para qual das outras duas forças iria tender. De fato, Albano Franco se aliou ao PFL, como é o projeto nacional, mas foi uma aliança muito difícil para ser gestada internamente no partido. Então, houve de fato um racha no PSDB, algumas lideranças saíram entendendo que já tinham comprometimento com Marcelo Deda, uma relação amistosa com o governo federal do PT. O PSDB hoje formalmente apóia o PFL, Albano Franco como grande liderança apóia João Alves, mas o partido vive uma crise interna com renúncias de presidentes regionais porque não conseguiu solucionar essa crise satisfatoriamente.

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