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08/09/2006 - 17h40 Saiba como está a disputa pelo governo de Tocantins Veja a entrevista em vídeo
Da redação Mais novo Estado brasileiro, Tocantins foi desmembrado de Goiás em 1988. A capital Palmas é a menor em número de população do Brasil, com 208.165 habitantes. A economia do Estado tem como base o comércio, plantações de arroz, milho, feijão e soja, e a pecuária. Na região Norte do país está o Tocantins, com 1.305.728 habitantes. 139 municípios reúnem 882.728 eleitores. Marcelo Miranda, do PMDB, é o atual governador do Estado e está na disputa pela reeleição. Também concorrem ao Palácio Araguaia Siqueira Campos, do PSDB; Leomar Quintanilha, do PC do B; Elísio Gonçalves, do PSOL; e Célio de Azevedo, do PSDC. O atual governador, Marcelo Miranda, e o ex-governador do Estado, Siqueira Campos, estão empatados segundo a última pesquisa Ibope, realizada entre 20 e 22 de agosto. Siqueira Campos, do PSDB, aparece com 45% das intenções de voto enquanto Marcelo Miranda, do PMDB, tem 41%. Em Brasília, Tocantins tem 8 deputados federais (2 são do PSDB; e PL, PP, PFL, PSC, PTB e PMDB têm um parlamentar cada). Na Assembléia Legislativa, os deputados estaduais somam 24 cadeiras (7 do PMDB; 6 do PFL; 3 do PPS; PSDB, PT e PDT têm duas cada; e PP e PL aparecem com uma cada). O UOL News entrevistou o cientista político João Portelinha sobre as eleições no Tocantins. Como está sendo a campanha eleitoral no Estado, com o atual e ex-governador tecnicamente empatados segundo a última pesquisa divulgada? O que eles têm abordado para tentar ganhar o eleitorado? João Portelinha - No interior do Brasil, há uma história de que havia um candidato que tudo levava a crer que ganharia as eleições. Havia também uma mula que era endeusada e dizia-se que era milagrosa. O candidato que ganharia atropelou a mula e por causa disso perdeu as eleições. Criou-se com isso a seguinte frase: não queira que uma mula atravesse a estrada, o que quer dizer que os dois estão empatados tecnicamente. O Marcelo tem abordado muito a questão do funcionalismo público, a industrialização do Tocantins. O Estado vive em função do funcionalismo público, não existem empresas. Ambos os candidatos, tanto o Marcelo como o Siqueira, dizem que vão industrializar o Tocantins, mas não como farão isso. Siqueira Campos, do PSDB, foi o primeiro governador do Estado tenta um quarto mandato. Ainda que empatado tecnicamente com o atual governador, Marcelo Miranda, se somada a intenção de votos dos outros candidatos, o tucano aparece com chance de vitória no primeiro turno, segundo a pesquisa. O senhor acredita que isso pode acontecer ou a tendência é que a eleição vá para o segundo turno? João Portelinha - Eu creio que isso pode ser possível, que o Siqueira ganhe em primeiro turno. Aconteceu uma questão interessante, o exemplo que eu dei da mula que atravessou a estrada. Foi uma questão subjetiva que pode influenciar muito na eleição do Siqueira. O atual governador contratou muitos funcionários e o Tribunal Eleitoral achou irregular através de uma ação que o Siqueira moveu contra o governador, que estava contratando pessoas de confiança apenas com objetivos eleitoreiros. Foram 1.260 funcionários, que acabaram sendo mandados embora. Penso que com isso o Siqueira vai ganhar dividendos políticos porque vai dizer que estavam empregados, mas foram mandados embora pelo Estado. A denúncia feita pelo próprio filho do candidato Siqueira Campos, de que o pai comandaria uma organização criminosa no Estado, pode interferir no resultado da eleição? Na sua avaliação, o que motivou o empresário José Wilson Siqueira Campos Júnior a fazer isso? João Portelinha - Qualquer coisa pode interferir numa eleição, há questões até muito subjetivas. Mas até que se prove isso, porque ainda não se provou. Não sei quando vai sair a conclusão do inquérito. Se efetivamente se comprovar que é verdade, naturalmente vai prejudicar o Siqueira. Mas creio que essa questão vai ser resolvida depois da eleição e com isso, não chegará a influenciar tanto. Siqueira Campos também era aliado de Marcelo Miranda e foi seu principal cabo eleitoral em 2002. Qual o motivo do rompimento? João Portelinha - A população comenta muito isso, de que o Marcelo Miranda era cria do Siqueira e acham que foi muito injusto o Miranda se desligar do Siqueira. No entanto, o Miranda diz que embora o Siqueira o tenha lançado, ele o obrigava a fazer tudo o que ele queria, sendo que o Miranda queria ser independente, ter uma filosofia própria e por isso se desligou do Siqueira. Há uns que acham que foi injusto, que Miranda deveria seguir as pegadas do criador e outros que acham que ele fez muito bem em ter se desligado do ex-governador para ter uma filosofia própria de governo.
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