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27/09/2006 - 21h20
Eleitor ainda separa governo do escândalo do dossiê, avalia cientista político

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Duas pesquisas divulgadas na noite desta quarta apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria eleito no primeiro turno, caso a votação fosse hoje.

Pelos números do Datafolha, Lula tem 49% das intenções de voto, o candidato tucano Geraldo Alckmin tem 33%, Heloísa Helena, do PSOL, tem 8%, e Cristovam Buarque do PDT, 2%. Na pesquisa do Ibope, os números são muito parecidos, apenas com um ponto percentual a menos para Lula e para Alckmin. Em ambas pesquisas, Lula teria 53% dos votos válidos. A margem de erro é de dois pontos nas duas pesquisas.

"O eleitor está olhando ainda para o governo e não exatamente para as questões do dossiê. Está olhando para a ação do governo, para a economia, para as políticas públicas e para o aumento de consumo dos últimos meses", diz Carlos Melo, cientista político do Ibmec-SP.

Melo observa que o escândalo deve ser absorvido somente após a eleição. "Quanto mais complexos são estes escândalos, mais difícil é o entendimento da população. Então, leva algum tempo até chegar ao eleitor médio. Parece-me que este tempo está bem lento e, se vier a ocorrer, talvez seja após a eleição", conta.

De acordo com ele, a tendência é de que não haja segundo turno. "É o que mostram as pesquisas. Mas ainda temos quatro dias e uma conjuntura explosiva: um escândalo que está pegando fogo na mídia e um debate no meio do caminho. Porém, nesta reta final, os institutos de pesquisa costumam ser muito precavidos".

"O que chama atenção é o Ibope voltar a um patamar parecido com o Datafolha, diferentemente do ocorrido nas últimas pesquisas do final de semana. Aliás, a alteração mostrada pelo Ibope no final de semana foi o que mais chamou atenção e criou expectativas", lembra.

Sobre a participação de Lula no debate da TV Globo, nesta quinta, ele diz que a grande diferença nas pesquisas, somada ao fato do debate passar bem tarde em um dia de semana, o desinteresse pela eleição que esta campanha tem mostrado e a proximidade da eleição "podem fazer com que o presidente tope encarar o risco". Ele completa dizendo que "embora uma escorregada muito grande" possa prejudicar o presidente, nesta conjuntura, é mais provável que ele consiga se defender do que piore a situação.

Por fim, ele destaca que, nesta reta final, uma parte do eleitorado tende a votar em quem eles acreditam que vai ganhar. "A pesquisa é um instrumento, mas acaba sendo apropriada como mecanismo de propaganda eleitoral. Pode haver um movimento de indecisos que acabam votando naquele que vai ganhar", completa.

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