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30/10/2006 - 18h12 Desafio da pesquisa científica é transformar conhecimento em bem estar social Veja a entrevista em vídeo
Da Redação 1,24% do PIB foi investido em Ciência e Tecnologia no Brasil em 2005. O valor vem crescendo e o setor privado é responsável por quase metade dos investimentos. Apesar disto, 80% das pesquisas desenvolvidas no país são feitas nas universidades, em grande parte, públicas. Apenas 18% dos pesquisadores trabalham nos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento das empresas. Ainda assim, o país é a maior e mais qualificada comunidade científica da América Latina. Em 2004, fomos responsáveis por 46,61% dos artigos científicos da América Latina e 1,73% do mundo. Em 2005, a produção brasileira cresceu 19% em relação a 2004, totalizando 14.681 trabalhos. Para o pró-reitor de pesquisa da Unicamp, Daniel Pereira, o maior desafio da pesquisa científica, no Brasil, é continuar crescendo em qualidade e quantidade e transformando este conhecimento em bem estar para a sociedade, que pode ser traduzido em produto, riqueza e trabalho. "Unir a pesquisa científica à necessidade da população tem sido um desafio crescente, mas, por outro lado, o crescimento da produção científica nacional - através de indicadores associados à produção em artigos de revistas internacionais - não tem sido acompanhado com relação à transformação deste conhecimento em riqueza; isto na verdade está associado a processos de inovação tecnológica que devem ocorrer fundamentalmente na empresa", explicou. Segundo Pereira, a pesquisa no Brasil ainda é feita basicamente nas universidades, já que ainda falta nas empresas nacionais uma "cultura" de investimento em recursos humanos qualificados. "Em todos os países desenvolvidos, uma parte considerável das pesquisas em desenvolvimento se faz dentro da própria empresa e aí é que os processos de inovação ocorrem; doutores são contratados para desempenhar suas atividades dentro da própria empresa. Infelizmente no Brasil a maior parte dos doutores formados ainda está sendo empregada nas universidades", avaliou. De acordo com o pró-reitor questões relativas à estabilidade política e econômica são de fundamental importância neste setor e as dificuldades tributárias e econômicas do país desestimulam a produção de investimentos nesta área. "Os investimentos ainda são pequenos, mas se espalham em algumas áreas como a das comunicações ótica e fotônica, da química fina, dos petroquímicos, de biotecnologia (seja na geração de energias alternativas, seja de novos fármacos), na área de novos materiais de construção civil, entre outros." Diferença entre os emergentes O pró-reitor comparou o cenário da pesquisa científica no Brasil com o de outros países emergentes como Índia e China e, para ele, esta é uma relação bastante desfavorável para nós. "Acho que o motivo principal é que o Brasil ainda não definiu estratégias do ponto de vista de políticas de Estado associadas à Ciência e Tecnologia; enquanto países como Índia e China fizeram escolhas bem definidas sobre áreas estratégicas de investimento, informação maciça de recursos humanos em certas áreas estratégicas. Por aqui, estas ações ainda não são articuladas e perfeitamente claras", lamentou. Governo Lula Numa breve avaliação sobre o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia durante o Governo Lula, o professor disse que houve avanços em algumas áreas e retrocesso em outras. "O Governo Lula teve importantes decisões associadas à formação de recursos humanos, a estímulos a bolsas de pesquisa e pós-graduação no país, assim como iniciativas à ampliação de vagas no ensino superior. Por outro lado, o avanço do conhecimento se faz através de atividades de pesquisa, e, neste sentido, o financiamento é um aspecto absolutamente fundamental; deste ponto de vista, nós vimos, na verdade, uma regressão dos investimentos relativos ao PIB em Ciência e Tecnologia; e vimos também um importante mecanismo de apoio as pesquisas - que foram a criação dos fundos setoriais no final do Governo FHC - com recursos bastante contingenciados no período do Governo Lula."
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