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22/11/2004 - 18h15 Segurança não é prioridade para o governo, diz especialista em segurança Veja a entrevista em vídeo
Da Redação A onda de violência cresceu no Rio de Janeiro nos últimos dias, principalmente com crimes relacionados a turistas estrangeiros ganhando as capas dos jornais. Mas a violência é destaque em todo o país: na capital do Espírito Santo, Vitória, soldados do Exército começaram hoje a fazer a segurança dos passageiros e dos ônibus de dois terminais de transporte coletivo, que têm sido alvos de ataques de bandidos. Em entrevista no estúdio do UOL News, o coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública, disse que o combate à violência não tem sido prioridade do governo. "Aparentemente as autoridades não reconhecem que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo", afirmou. "Quando o presidente Lula lançou o Fome Zero como prioridade política, deveria ter feito algo parecido pela violência. Até o momento, não fez nada. E agora, faltando praticamente dois anos de mandato, quase não resta nada a ser feito." Nancy Cardia, coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, também fez críticas: "Desde que o Luiz Eduardo Soares saiu da Secretaria Nacional de Segurança Pública, não se vê empenho do governo federal." José Vicente lembrou que o governo federal realiza maciças campanhas contra a dengue, mas ainda é tímido em temas como o desarmamento. Descontrole O ex-secretário destacou que os números gigantescos de violência no Brasil: o país possui 3% da população mundial, mas aqui acontecem 10% dos assassinatos do mundo. "Parece que virou rotina, mas a resposta à violência tem que ser compatível com o tamanho do problema. E é um desafio para mais de um governo", disse. Segundo o coronel, os crimes que ganham destaque na mídia não são, no entanto, um indicativo de aumento de violência. "A criminalidade só é notícia quando atinge um ator, um turista, um prefeito. Mas esses casos só mostram algo que já estava acontecendo e que não chegava ao conhecimento público", analisa. Segundo José Vicente, outras cidades fora do Sudeste, região que concentra os principais veículos de comunicação, também têm altos índices de violência, como Recife, Cuiabá, Serra (ES), Canoas (RS) e Foz do Iguaçu (PR). São locais onde há choque de classes sociais. "A desigualdade gera o aumento do crime. Prova disso é que o Piauí, que é o estado mais pobre do Brasil, é dos menos violentos." Solução Rubem César Fernandez, diretor da ONG Viva Rio, afirmou, também em entrevista ao UOL News, que falta perspectiva de longo prazo. "A solução não é pra amanhã. O problema da violência se tornou como uma infecção generalizada, espalhada de tal maneira que não há como reparar tudo de uma vez", comparou. O diretor crê que a solução esteja na modernização da polícia. José Vicente concorda: "O modelo policial brasileiro está esgotado, é do começo do século passado".
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