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21/12/2004 - 18h24
Fraudes na internet cresceram 856% só no primeiro semestre de 2004

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Fazer compras pela internet nesta época do ano pode ser muito cômodo. Cômodo e, em tese, mais seguro - por causa da violência urbana.

A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico espera aumento de 40% nas vendas pela internet este ano, em relação ao ano passado. Das 30 milhões de pessoas com algum tipo de acesso à rede, 3,5 milhões farão alguma compra usando só o teclado de um computador.

Tudo muito simples e confortável não fossem os crackers. Pois é, se na rua existe o risco do roubo, no computador a gente também não está livre dele.

Em entrevista à Lillian Witte Fibe, o especialista no combate a crimes virtuais, Denny Roger, diretor da Batori Software & Security, disse que o número de fraudes na internet cresceu 856% só no primeiro semestre do ano em comparação ao mesmo período de 2003.

Segundo ele, a tendência é que esse número cresça, porque quanto mais barreiras se colocam, mais formas os estelionatários descobrem.

"O brasileiro é um povo muito criativo. Na internet acontece o mesmo que na rua: antes, o ladrão fazia o seqüestro relâmpago. Quando a polícia começou a combater esse tipo de crime, ele migrou para o assalto a condomínios. Na internet também é assim, com a vantagem que o criminoso não se expõe, está escondido atrás do computador".

O especialista contou ainda que das 20 gangues de crackers mais ativas no mundo, 19 são brasileiras. Isso mesmo: das 20, só uma tem outra nacionalidade. O resto é tudo do Brasil!

De olho no 13º salário
Denny Roger disse que esse Natal será eletrônico e que os criminosos estão de olho no 13º salário deles, não do internauta. "Eles querem garantir mais um salário no ano e, para isso, vão desenvolvendo novas técnicas para enganar e fraudar o consumidor. Até porque é muito mais fácil, rápido e barato comprar pela internet".

Segundo o especialista, uma dica para saber se está numa loja falsa é olhar os preços dos produtos. "Se tiver muito abaixo do que o da concorrência, comece a desconfiar".

Denny explicou que a fraude envolvendo lojas virtuais falsas envolve não só o dinheiro do consumidor, mas também informações sobre sua conta bancária, cartão de crédito, etc.

"O estelionatário não só pega o dinheiro da 'compra' como usa as informações do internauta para fazer compras em sites verdadeiros. E os produtos encontrados são enviados a endereços de outros golpistas".

Precauções
Denny Roger indica alguns antivírus, anti-espiões, detectores de intrusos e fires. Segundo ele, nunca é demais ter todo esse aparato para proteger seu computador da ação de criminosos.

"Os melhores antivírus são o Kaspersky e o Panda, que é espanhol. Ambos são pagos. O melhor anti-espião é o Spybot, que inclusive tem versão em português e facilita a vida de muita gente. O programa que elimina vírus espiões é o G-Buster, que identifica a existência de um programa espião no seu computador. Os fires têm vários. Eu chamo de porteiro digital, pois controla a entrada e saída de tudo da sua máquina".

Curiosidade dá brecha para o crime
Além de criativo, Roger afirmou também que o brasileiro é muito curioso. Segundo ele, essa característica pode pegar muita gente desprevenida.

"Há pouco tempo inventaram um golpe que era o seguinte: você recebia um e-mail dizendo que havia sido traído pela sua mulher/namorada ou marido/namorado e que as fotos anexas eram a prova disso. A pessoa vai lá e abre para ver o que é. Mesmo que não tenha compromisso com ninguém, vai lá para ver se o "traído" é alguém conhecido".

Um outro golpe que estava surgindo também vinha por e-mail. A pessoa recebia uma mensagem de uma moça, dizendo ser uma antiga amiga, que estava sumida porque morou fora, etc, inclusive com o telefone dela.

"Curioso, o internauta abre para ver o que é. E acaba sendo contaminado pelo vírus espião, que copia as suas informações e passa para o cracker. Neste caso específico, o mais curioso é que a mensagem era muito bem escrita, sem erros de português como a maioria dos e-mails dos estelionatários".

Segundo Denny Roger, os crackers têm entre 16 e 28 anos, são desocupados, de classe média, autodidatas e cometem muitos erros de português, o que acaba facilitando a identificação.

O especialista também falou sobre os famosos sites falsos, onde o estelionatário monta uma página praticamente igual à original para enganar o internauta e copiar informações importantes, como acontece, por exemplo, com páginas de bancos.

"O site falso é praticamente igual ao verdadeiro, inclusive com o teclado virtual e o cadeado. Para criar isso o estelionatário não leva mais de 5 horas. O tempo não é seu inimigo. Têm casos tão perfeitos que se tornam quase imperceptíveis. Aí é sentar e chorar".

Só que, por enquanto, para a nossa felicidade, essa "quase perfeição" ainda não chegou ao Brasil. "São técnicas muito avançadas e só teve um caso até agora aqui. O que a gente vê é que o brasileiro é muito leigo em segurança virtual, inclusive os especialistas".

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