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01/02/2006 - 15h51 Temer diz que PMDB está aberto à candidatura Jobim Veja a entrevista em vídeo
Da Redação Faltam 46 dias para as prévias do PMDB e o cenário continua bastante dividido, com peemedebistas governistas querendo aliança com o presidente Lula, e os de oposição batalhando para levar adiante a candidatura própria. Em entrevista exclusiva ao UOL News, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), disse que o partido está aberto à candidatura do presidente do Supremo, Nelson Jobim. Questionado se o ministro terá legenda do partido se quiser disputar a eleição, foi categórico: "Vai. Já conversei várias vezes com ele. O prazo para as inscrições dilatou-se até 10 de março - estava previsto para 15 de fevereiro -, de modo que vamos supor, se ele sai dia 1º de março, inscreve-se diretamente no partido e pode inscrever-se para as prévias, e vai disputar as prévias no dia 19 de março. É perfeitamente legítimo." Sobre a possibilidade de Jobim vir a ser vice na chapa do presidente Lula, como tem circulado nos jornais nos últimos dias, Temer também foi afirmativo. "É extremamente difícil a hipótese de o PMDB oferecer vice ao PT ou ao PSDB. Pelo menos neste momento, vejo como absolutamente inviável." Até porque, lembrou o deputado, sem a regra da verticalização as coisas ficam mais simples para o partido. "Podemos ter candidatura na área nacional e nos Estados, nossos candidatos a governadores podem fazer as alianças que quiserem..." "Método de sedução impróprio" Michel Temer também comentou o assédio do presidente Lula sobre os governadores do PMDB. "Quando fiquei sabendo disso, respondi prontamente. Acho que o presidente não deveria interferir nessa matéria interna do partido. O PMDB teve convenção, decidiu lançar candidato próprio, já estabeleceu data das prévias... Agora vem o presidente dizer que vai falar com os governadores do PMDB, ou seja, ignorar o partido e tentar naturalmente trazer os governadores?" E concluiu: "É um método de sedução impróprio. Uma coisa é o presidente da República tentar trazer membros do partido para tentar formalizar uma aliança para disputar o governo; isso eu acho lógico, é uma coisa civilizada politicamente. Mas assim é impróprio. Tanto que no dia em que fiquei sabendo eu disse que o presidente deveria cuidar do seu quintal, do PT, verificar como é a candidatura do PT e, se for o caso, tentar promover aliança com o PMDB. Isso é legítimo. Mas com o PMDB tendo candidatos tentar trazer setores do PMDB, não me parece razoável." Sussurros A âncora Lillian Witte Fibe perguntou a ele sobre o que o presidente Lula e o presidente do Senado, Renan Calheiros - que integra o PMDB governista -, conversavam hoje de manhã na cerimônia de abertura dos trabalhos do Judiciário. Eles sentaram um do lado do outro e sussurraram várias vezes entre si. Depois de dar uma risada, Temer respondeu: "Não sei... Acho que falavam sobre a reforma do Judiciário... O presidente do Senado tem mantido muitos contatos com o presidente da República, até pela função que ocupa." Apesar da proximidade com o presidente Lula, o deputado afirmou que Renan Calheiros também defende candidatura própria. "Houve um certo momento em que o senador incentivou a presença do PMDB no ministério e, a partir daí, começou a apoiar o governo do presidente Lula. Já faz algum tempo, não é de agora. Mas recentemente tem feito declarações no sentido da irreversibilidade da candidatura própria do PMDB. Ele acha e teria até dito ao presidente que o PMDB não terá outra solução senão apresentar candidato próprio." Questionado se os ministros do PMDB deixarão o governo em casoi de candidatura própria, Temer afirmou que sim. "No instante em que haja prévia e que se defenda a candidatura própria, não há a menor condição de ficar do governo. É incompatível a presença de ministros no governo com uma candidatura do PMDB." Garotinho x Rigotto O presidente nacional do PMDB disse que tanto o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, como o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, estão trabalhando para conquistar os convencionais no partido. E explicou as diferenças básicas da campanha interna dos dois. "O governador Rigotto tem mais a simpatia das lideranças do PMDB, dos governadores, mas o ex-governador Garotinho tem trabalhado muito o colégio eleitoral, de 20 mil eleitores. Rigotto começou há 1 semana. Na sexta haverá um grande ato em São Paulo em favor da candidatura dele. Rigotto está trabalhando bastante no colégio, mas o que acontece é que Garotinho saiu na frente." O deputado explicou que neste momento é impossível fazer previsões. "É difícil definir. Embora as lideranças tenham influência, num colégio de 20 mil eleitores é muito difícil. Por exemplo: os convencionais estão em nível de 594. Cada líder regional tem influencia muito forte sobre esses representantes estaduais. Mas num Estado onde tem 3.500, 3.700 eleitores, fica difícil impor a vontade do líder. Acho muito complicado. De alguma maneira democratiza a escolha do candidato a presidente." Lillian Witte Fibe perguntou se o partido tem pesquisas mostrando o cenário. "As pesquisas ainda não revelam nada. A pesquisa agora não é reveladora de quem vai ganhar esta prévia." UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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