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14/03/2006 - 20h15 Alckmin aumenta dificuldade de estrategistas do PT e do Planalto, diz Lucia Hippolito Veja a entrevista em vídeo
Da Redação O anúncio do nome do governador paulista Geraldo Alckmin como candidato oficial do PSDB às eleições presidenciais foi uma decisão acertada na opinião da cientista política Lucia Hippolito. Para ela, a escolha do prefeito de São Paulo, José Serra era um "salto triplo sem rede". "Era uma jogada muito arriscada para o prefeito José Serra sair deixando três anos de mandato para enfrentar um presidente Lula que está forte. Era um salto triplo sem rede. O PSDB perdia o governo e prefeitura de São Paulo e talvez não ganhasse a Presidência da República", disse. Para Lucia, Alckmin demonstrou persistência, o que pode ser interpretado positivamente pelo eleitorado. "Não se esperava que Alckmin teria essa persistência, um grande atributo de um candidato, que é essa vontade de ganhar. Isto mostra para o eleitorado que não é alguém que espera que a presidência da República lhe caia no colo." Além disso, segundo a colunista do UOL News, a candidatura do governador muda o cenário das corrida presidencial. "Vai ser uma eleição diferente. Serra e Lula seria quase um terceiro turno de 2002. Serra é alguém identificado com o governo Fernando Henrique, teria que prestar contas. Seria uma campanha feita pelo retrovisor, uma volta ao passado. Podemos ter uma campanha prospectiva, com projetos de futuro porque Alckmin é identificado com Mário Covas, não aparece ao eleitor como alguém que tenha de prestar contas do governo FHC, não foi ministro dele." Sob este ponto de vista, ela afirma, Alckmin será um adversário mais complicado para o PT e Lula. "Não se escolhe adversário, mas se você puder enfrentar alguém cuja estratégia, raciocínio e alianças já conheça, é mais fácil. Neste sentido, Alckmin aumenta dificuldade para os estrategistas do PT e do Planalto", observa. "Trator" Na opinião de Lucia Hippolito, Geraldo Alckmin não venceu a disputa interna graças a nenhum apoio importante na legenda, mas à sua habilidade em se mover nas estruturas partidárias e às boas relações com governadores e deputados. "Quem acha que esse homem é picolé de chuchu? Ele é um trator. Começou a vida aos 19 anos como vereador. Foi um dos prefeitos mais jovens do Estado. Foi presidente do PSDB paulista, quando o partido tinha só quatro prefeitos e, quando terminou sua gestão, havia mais de cem prefeitos. Ninguém vive perto de Mário Covas sem aprender muita coisa. Ninguém tem 12 milhões de votos sendo bobo", disse. Para a cientista política, o PFL, que supostamente apoiava Serra com vista à prefeitura de São Paulo, já havia dado sinais de seu apoio à candidatura Alckmin. "José Serra teve um problema sério com o PFL em 2002 que foi a montanha de dinheiro achada no gabinete do marido de Roseana Sarney. Até hoje o senador Sarney acha que foi coisa dele etc. Para recompor as relações com o PFL, não bastava apenas a maior prefeitura da América Latina por três anos, eles queriam algo federal. Há alguns dias, PFL já vinham dando sinais que poderiam fechar com Alckmin sim. ACM já dava sinais de que apoiaria Alckmin. Último passo foi dado por César Maia nesse fim de semana. Ele teria sido a última muralha a ser vencida no PFL", disse. Palocci Lucia Hippolito também comentou sobre as declarações do caseiro Francenildo Santos Costa que, em entrevista ao "Estado de S. Paulo", disse que Palocci freqüentava a casa alugada pelos ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto. Para a colunista, o surgimento da nova testemunha lembra a ficção. "Parece um livro de literatura policial. Alguém sempre viu alguma coisa. A pessoa pode não ter ligado os fatos. Um dia, ela diz: 'Quer dizer que aquele dia que eu vi o dinheiro sendo distribuído era ele'. São esses seres invisíveis às quais as pessoas não dão importância", compara. Segundo Lucia, a defesa do ministro precisa mais do que uma nota negando as declarações do caseiro. "A posição de Palocci é não sair [do cargo] porque precisa de foro privilegiado. Mas de qualquer maneira, a situação dele está ficando muito delicada. De Londres, ele está telefonando para banqueiros para intervirem junto a senadores", disse. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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