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10/04/2006 - 19h24
Por que a crise política não afeta Lula nas pesquisas eleitorais? Veja análise

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Apesar de curta - por causa do feriado da Páscoa -, a semana promete ser agitada em Brasília. Pressionado pela suspeita de que teria ajudado o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pediu para falar com os parlamentares. Mas a crise parece não afetar a relação entre o eleitor e o presidente da República.

Divulgada no fim de semana pelo Datafolha, a última pesquisa nacional mostra que Lula tem 40% das intenções de voto, contra 20% do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e 15% de Anthony Garotinho, do PMDB.

"O presidente tem a favor dele os resultados da economia e políticas sociais que vêm sendo divulgados desde dezembro, sempre positivos. A inflação baixa, o aumento do poder aquisitivo, do salário mínimo, a larga distribuição de programas sociais nas camadas de baixa renda. Isso significa um enorme ganho político eleitoral, porque o grosso do eleitorado, que depende dessas políticas, está sendo beneficiado", analisa o cientista político do Instituto de Pesquisas Universitárias do Rio de Janeiro, Marcus Figueiredo.

"A situação só muda se ficar comprovada a responsabilidade do presidente em algumas dessas práticas de corrupção", diz o professor, sobre o efeito 'teflon' de Lula. Sobre o fato de algum parente do presidente ter sido beneficiado, caso do filho de Lula, o Lulinha, na Telemar, Figueiredo sinaliza. "A única coisa que o grande eleitorado - classe média para baixo - não tolera, é quando o político rouba e põe o dinheiro no bolso dele. Essas trocas de favores entre políticos caem na vala comum de que isso é parte do jogo."

O cientista também constata que a oposição acabou vendo o tiro sair pela culatra, ao minimizar os ataques a Lula. "Todo mundo comprou o enredo do Roberto Jefferson. Havia o mensalão e o presidente não sabia. E quando soube, até chorou, e mandou parar. Todo mundo comprou esse enredo, inclusive a oposição. Por razões nobres ou não - isso não está em jogo. Ela comprou essa versão, aceitou e usou de maneira estratégica para deixá-lo sangrar até a véspera da eleição. Só que isso não está acontecendo. Ele próprio colocou publicamente, e de maneira convincente, que foi traído. É uma frase poderosíssima. Até você conseguir provar que ele não foi traído, que é um dos articuladores e criadores dessa corrupção toda, há que ter um flagrante qualquer. E como isso não ocorreu até hoje, fica difícil."

Já o candidato à presidência pelo PSBD, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, segundo o professor, deve se mostrar mais incisivo e dizer a que veio. "Daqui para frente, ele precisa usar de forma mais objetiva o que está oferecendo à população. Ele tem um adversário poderoso, que tem altíssima popularidade junto a 70% do eleitorado, classe média para baixo."

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