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28/07/2006 - 19h02
Este inverno será um dos mais secos e quentes da História, diz meteorologista

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Inverno com cara de verão no Sul e no Sudeste - mas, pelo jeito, só até amanhã. O mês de julho foi o mais quente em 19 anos na capital paulista. E a temperatura mínima da última madrugada, de 17,6°C, foi a mais quente do inverno que começou no dia 21 de junho, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

Isso pra não falar da seca: no Sul, 253 municípios estão em estado de emergência. No Estado de São Paulo, a seca piorou a qualidade do ar, diminuiu a umidade e aumentou a poluição. E as pessoas sofrem com problemas respiratórios, dor de cabeça, tosse, ardência nos olhos.

Na Europa e nos Estados Unidos, o verão de temperaturas elevadíssimas volta a matar. Só no Estado americano da Califórnia, onde os termômetros chegaram a 46°C nos últimos dias, 100 pessoas morreram. Na França, o número de mortos é de 64. Ontem, uma parte do centro de Londres ficou sem energia elétrica por causa do uso do ar condicionado.

Em entrevista a Lillian Witte Fibe no UOL News, o meteorologista Expedito Rebello, do Instituto Nacional de Meteorologia, disse que este será o inverno mais quente e seco do país na História.

"É muito comum no mês de julho ocorrerem os chamados veranicos. São períodos de temperaturas altas que ocorrem de 5 a 7 dias. Mas este ano tivemos 22 dias de temperaturas elevadas", explicou.

Segundo ele, o aumento da temperatura não tem nenhuma associação com fenômenos climáticos como o El Nino e La Nina. "É a própria circulação geral da atmosfera que está fazendo um bloqueio forte para que as frentes frias e massas de ar polares não entrem pelo Sul do Brasil."

Para Rebello, existe uma explicação para o que está ocorrendo no clima brasileiro, mas esta ainda precisa ser pesquisada. "A atmosfera passa por fases. E estamos vivendo uma fase para a América do Sul em que temos um período com chuvas abaixo do normal na região Sul desde 1998. Essa fase dura de 10 a 15 anos e são oscilações normais. Talvez o aquecimento global potencialize essa oscilação, mas é necessário pesquisar", disse.

No hemisfério Norte ele afirmou que as altas temperaturas estão relacionadas com o aquecimento global.

Frente fria

No Brasil a previsão é de que uma frente fria chegue ao Sudeste no final de semana. "Há uma massa de ar frio muito forte que já está no Sul do Brasil e chega amanhã a São Paulo. E hoje já tem uma frente fria com chuvas em pontos isolados principalmente no leste paulista", disse.

O clima deve melhorar nos próximos 5 dias no Estado de São Paulo. "Amanhã pela manhã já haverá sensação maior de frio. A temperatura máxima cairá para algo em torno 22 e 25°C e a mínima de 17,6 para 13°C. No domingo a queda da temperatura será mais forte, com mínima entre 8 a 10°C, mas na quinta-feira da próxima semana o calor estará de volta."

No Sul do país a previsão também é de um decréscimo da temperatura. No Rio Grande do Sul os termômetros chegaram a marcar 30°C nesse inverno. Com a entrada de uma massa polar essa semana a temperatura baixou para 13° e a previsão na Serra da Gaúcha é de 0°C para o final de semana.

Seca

Segundo o meteorologista, as chuvas continuarão escassas em quase toda região Centro-Sul do país nos próximos 10 a 15 dias. "Essa situação permanecerá crítica nos próximos dias. Os poluentes poderão ser dispersados com a chegada do frio e algumas chuvas isoladas, mas depois de 4 a 5 dias voltam."

Rebello disse que os meses de agosto e setembro, que por serem mais secos têm grande incidência de queimadas, poderão registrar um número maior de ocorrências por causa da falta de chuva em julho. "Vai fazer mais calor, a média de temperatura aumentará e a umidade relativa do ar diminuirá."

Fim das estações?

O meteorologista vê um cenário ruim relacionado ao clima mundial nos próximos anos. No Brasil, segundo ele, a previsão é que estações como verão e inverno não existam mais.

"O Instituto Nacional de Meteorologia está com uma pesquisa junto à Embrapa que prevê uma elevação da temperatura em torno de 5,8°C nos próximos 20 a 30 anos.
A elevação da temperatura aqui no Brasil inviabilizaria a plantação de certas culturas como café, feijão,milho, trigo e soja. O café teria que ser plantado na Argentina, onde o clima é mais ameno. Teremos que investir na área de biotecnologia para que essas culturas resistam."

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