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18/11/2004 - 15h47 Dirceu perde e Palocci ganha com a saída de Lessa do BNDES Veja a conversa em vídeo
Da Redação Não deu mais para segurar, e pelo jeito a reforma ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começou. Caiu nesta quinta-feira o presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), o polêmico economista Carlos Lessa, filiado ao PMDB, mas desde o começo do governo apontado como escolha pessoal de Lula, e não como um representante do partido. Carlos Lessa brigou tanto com a equipe econômica em público que acabou saindo do BNDES. O último embate ficou registrado em entrevista à Folha de S. Paulo na semana passada, quando Lessa reclamou do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "A política monetária do BC é um pesadelo", disse. Carlos Lessa sai desgastado pelas brigas com a tropa de choque econômica do governo Lula. Está dando, então, dez a zero para a equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro Palocci já tinha perdido nos últimos dias o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, por influência de forças política dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), mas o seu sucessor não deve ser escolhido pelo PT. O vice-presidente do BNDES, Darc Costa, homem de confiança de Lessa, também pediu demissão. Quem assume a presidência do Banco, um dos cargos mais cobiçados do governo pelas verbas que movimenta, é o ministro do Planejamento, Guido Mantega. O secretário-executivo do Planejamento, Nelson Machado, deve ocupar a pasta interinamente. O nome mais cotado para o lugar do Mantega é o do senador Aloizio Mercadante, que tem pretensões de concorrer ao governo do Estado de São Paulo pelo PT. Para comentar as mudanças no alto escalão do governo Lula, Lillian Witte Fibe conversou com o jornalista Fernando Rodrigues, que considerou as últimas demissões no governo federal como uma série de "reveses para o presidente Lula, que queria adiar a reforma ministerial, mas não consegue. É um atrás do outro deixando o governo". Para Rodrigues, "a saída de Carlos Lessa corresponde a uma derrota da linha desenvolvimentista do PT comandada pelo ministro José Dirceu e alguns adeptos dentro do governo, entre eles o senador Aloísio Mercadante". Segundo ele, quem sai ganhando é a ala ortodoxa de continuação da política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Esta ala é comandada pelo ministro Palocci", diz. O colunista do UOL News explicou que ninguém sabe se o presidente vai adotar a estratégia de manter pessoas interinamente em cargos atualmente vagos até que ele possa fazer a embaralhada definitiva no seu ministério mais adiante, ou se já vai escolher alguém em caráter permanente. A reforma ministerial, segundo ele, já começou com a escolha do vice-presidente José Alencar para a Defesa. Rodrigues lembrou que mesmo esta nomeação não evitou Alencar de fazer suas tradicionais declarações polêmicas, dentre elas as mais recentes em favor de Carlos Lessa, o presidente demissionário do BNDES, e da abertura dos arquivos da ditadura militar. Também insistiu que a escolha do atual ministro do Planejamento, Guido Mantega, para substituir Lessa no BNDES "é definitiva, mas a escolha de seu sucessor no ministério, não". Rodrigues concorda com Lillian que Mantega não pode ser considerado um ortodoxo alinhado com o ministro Palocci, sendo historicamente mais próximo da linha que ficou conhecida como desenvolvimentista. Em certa medida, para o jornalista, sua ida para o BNDES "minimiza a perda da ala representada pelo ministro José Dirceu e do senador Aloísio Mercadante".
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