|
|
16/05/2005 - 19h22 Governo terá custo altíssimo para tentar "abafar" CPI Veja a entrevista em vídeo
Da Redação Mais uma dor de cabeça para o governo Lula. O deputado Roberto Jefferson, do Rio de Janeiro, presidente nacional do PTB, da base aliada, vai ser investigado pela Câmara. Ele é acusado de ter pessoas indicadas para cargos-chave nos Correios. Essas pessoas, com o poder de selecionar as empresas das quais os Correios comprariam material, exigiriam dinheiro dos potenciais vendedores. Ou seja: o dinheiro público para a compra de material só sairia mediante pagamento de propina. A denúncia saiu na revista "Veja" e mostra fotos de Maurício Marinho, agora ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, apadrinhado de Jefferson, recebendo bolos de dinheiro. E dizendo que agia sob as ordens do deputado. Roberto Jefferson diz que vai se defender amanhã, em pronunciamento no Plenário da Câmara. Na análise do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, colunista do UOL News, o fato é "gravíssimo" e "vai causar muita dificuldade para o governo". Jefferson gozaria da confiança do presidente Lula: em outubro passado, ele saiu de um encontro com o presidente onde teria ouvido de Lula: "Eu te daria um cheque em branco e dormiria tranqüilo". "O governo nunca negou esta frase", disse Rodrigues. "Os fatos (da reportagem da "Veja") são de difícil contestação. O que pode ocorrer é uma combinação com algumas pessoas envolvidas para que elas assumam toda culpa e livrem os grandões, que foram dois neste caso: Roberto Jefferson e Fernando Bezerra (PTB-RN), líder do governo no Congresso. O caso envolve um senador e um deputado, as duas casas no Congresso. Por isso, já se fala na criação de uma CPI mista, que é daquelas mais poderosas, com poder, por exemplo, para chamar esse funcionário dos Correios para passar uma tarde no Congresso contando todos os detalhes." "Isso ocorre num momento em que o governo já está esfarrapado, com as pernas quebradas, sem coordenação política digna deste nome no Congresso." Segundo Rodrigues, a oposição está medindo forças com o governo sobre o caso. "O governo vai fazer de tudo para abafar, mas vai ter um custo altíssimo. E o Congresso, que já não vinha fazendo nada, vai fazer menos ainda. Agora é que não se aprova nada", disse Rodrigues.
|
![]() |