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20/07/2005 - 19h42 "Tem gente do governo dizendo que o governo já acabou: falta decidir se vai ter eutanásia" Veja a reportagem em vídeo
Da Redação O governo já acabou; só resta saber se haverá eutanásia ou se a morte será lenta e gradual. O comentário sobre a crise política é de pessoas ligadas ao governo federal, informou o jornalista Fernando Rodrigues. "É inacreditável. O governo está acabando todos os dias um pouco", disse o comentarista do Uol News em Brasília. "O governo insiste nessa operação Paraguai para justificar os fatos, mas o desmonte dela é uma questão de dias." Apesar do agravamento da crise, as pesquisas de opinião continuam constatando que a imagem do presidente Lula está relativamente preservada. "Em tese, não há razão para se duvidar das pesquisas. Aparentemente, o presidente conseguiu se isolar dos fatos, uma vez que ficou mudo e que até a oposição o blindou", explicou Rodrigues. O jornalista acrescentou que a última pesquisa de opinião foi realizada antes da "desastrosa" entrevista de Lula domingo, no Fantástico, não que isso fosse interferir muito no resultado. "Os efeitos da crise só vão aparecer mais adiante. As apostas já são as piores possíveis." A lista de mais de 40 sacadores ligados a empresas do publicitário Marcos Valério de Souza divulgada ontem foi considerada "devastadora" por Rodrigues: "No momento em que essas pessoas forem instadas a dizer a quem distribuíram o dinheiro, a situação vai ficar complicada no governo e no Congresso". O jornalista avalia que os sacadores terão "enorme dificuldade" em justificar os saques e que nem todos os assessores ou mesmo parentes de deputados aceitarão assumir sozinhos a responsabilidade de sustentar a fraude da operação Paraguai. Sobre a CPI do Mensalão - oficialmente, "CPI da compra de votos, para abranger o governo Fernando Henrique" -, Rodrigues considera que teria sido mais produtivo se o governo a tivesse realizado em conjunto com a CPI dos Correios e dos Bingos. Apesar do relator escolhido ser governista (o deputado Almir Lando), o jornalista disse que um suposto abafamento do CPI do Mensalão é pouco provável, a exemplo do que está ocorrendo com a CPI dos Correios, presidida pelo petista Delcídio Amaral. Segundo Fernando Rodrigues, o consenso hoje nos corredores do Congresso é de que será impossível que a crise acabe sem a cassação de alguns congressistas, especialmente aqueles cujos assessores diretos movimentaram as contas de Marcos Valério, caso em que se incluem os deputados João Paulo Cunha e Paulo Rocha, ambos do PT: "A situação deles é terminal, já estão na UTI". "Vai haver um momento em que os caciques vão escolher cinco, dez, quinze nomes para serem cassados", prevê Rodrigues. "É assim que acontece, e é ingênuo pensar que todos serão punidos."
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