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11/08/2005 - 15h41
"Depoimento de Duda Mendonça segue estratégia de blindar Lula"

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O marqueteiro do presidente Lula, o publicitário Duda Mendonça, apareceu de surpresa na tarde desta quinta-feira na CPI dos Correios. Disse que só recebeu dinheiro de Marcos Valério porque o PT resolveu assim.

Minutos antes de Duda Mendonça aparecer, e ainda quando a sócia dele, Zilmar Fernandes, estava depondo, o colunista do UOL News Fernando Rodrigues já sabia de tudo: Duda Mendonça tinha contado à Polícia Federal que recebeu R$ 10 milhões de Marcos Valério lá fora, num paraíso fiscal (leia mais).

"Passado o choque inicial do depoimento à PF, na madrugada de hoje, é necessário fazer uma espécie de relativização daquilo que ele (Duda) revelou. Cai como uma bomba, mas segue o mesmo caminho trilhado por todos os governistas até agora, de blindar o presidente Lula", analisou Fernando. "Apesar de admitir ter recebido R$ 10 milhões de Marcos Valério por conta de serviços prestados ao PT em campanhas eleitorais de 2002, ele joga tudo nas costas de uma pessoa conhecida: Delúbio Soares."

" 'Valerioduto' tem tentáculos por todo lado"

Segundo Fernando, Duda deu a entender que Lula não sabia de nada disso, que era um negócio comercial entre um publicitário e um partido político. Dos cerca de R$ 25 milhões acertados pelas várias campanhas políticas que Duda fez para o PT, inclusive a de Lula, teriam faltado R$ 11 milhões.

Na versão do publicitário, Delúbio o procurou para dizer que quem iria pagar seria Marcos Valério. Duda disse à PF que até o início de 2003, quando soube da operação, não conhecia o empresário. "Na CPI, o publicitário comparou a situação à de uma pessoa que vai ao restaurante, come e depois diz que não tem como pagar; aí o dono do restaurante aceita qualquer forma de pagamento."

Para Fernando, "vai ficando claro que o esquema do 'valerioduto' tem tentáculos para todos os lados."

"Se o Brasil fosse a Suécia..."

Apesar de bombásticas, as revelações não terão grandes conseqüências, acredita o jornalista. "É difícil afirmar que esse depoimento vá ter um efeito explosivo além do que já teve para o PT, para esses políticos todos envolvidos e também para o Presidente da República. A perda política já foi computada na conta dessa gente toda citada, já estava lá."

"Se o Brasil fosse a Suécia, certamente se abriria um processo de impeachment. Mas, por várias razões, são menores os padrões de decência exigidos dos políticos aqui."

Fernando lembrou de um exemplo semelhante, em escala menor por conta do envolvido, o então prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). "Ele foi pego com mais de R$ 30 milhões de caixa 2, com provas, etc, e com medidas protelatórias foi dizendo que não sabia de nada, que não cuidava das contas de campanha. Se livrou e não foi impedido de exercer o mandato."

No final, "pobres coitados" é que serão punidos

O colunista mais uma vez falou no "cheiro de pizza" que ronda Brasília. "A gente não está dizendo que a pizza será servida, mas é fato que ela vem sendo intensamente preparada por muitos protagonistas da história."

"A CPI do Orçamento (1993) durou três meses e nesse tempo seis deputados foram cassados e quatro renunciaram ao mandato, portanto, dez foram excluídos em 90 dias, com provas muito menos contundentes que as atuais. Hoje estamos com quase três meses da CPI dos Correios, ninguém foi cassado e um renunciou. Os outros não renunciam inclusive numa demonstração clara de que se sentem fortalecidos para não serem cassados mais adiante."

Para o jornalista, no final somente alguns "pobres coitados" serão punidos. "Por exemplo, o deputado Josias Gomes, do PT da Bahia. É gente desse naipe que vai ser escolhida para ser eventualmente cassada. Vai ter entre 5 e 10 congressistas punidos. Alguns figurões vão se salvar e o presidente vai, talvez, sobreviver. Basicamente esse seria o saldo desta CPI. Eu espero que não seja assim, mas é isso que muitos querem que ocorra."

Cesar Maia diz é "momento de impeachment"

Também de Brasília, o enviado especial do UOL News, Diogo Pinheiro, contou que o prefeito do Rio de Janeiro e presidenciável pelo PFL, Cesar Maia, esteve na CPI e defendeu que este é o momento do impeachment. Disse, no entanto, que isso deve partir de entidades civis, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), e não de um partido político.

Diogo contou ainda que o deputado Alberto Goldman e o senador Arthur Virgílio, ambos do PSDB, consideram muito graves as revelações feitas por Duda Mendonça, "mas acreditam que a CPI tem que ir passo a passo e a possibilidade de impeachment deve ser discutida apenas no final dos trabalhos".

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