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04/07/2007 - 20h53
"Maior aliado de Renan agora é o tempo"

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

O processo que apura indícios de quebra de decoro parlamentar por Renan Calheiros, presidente do Senado, volta a tramitar no Conselho de Ética depois da nomeação de três novos relatores: Almeida Lima (PMDB-SE), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). Segundo Fernando Rodrigues, colunista do UOL News, o principal aliado do senador agora é o tempo. "Caso o caso fosse colocado para ser votado neste momento, a chance de ele ser punido até com cassação era grande. Quanto mais tempo demorar, mais ele pode contar com algum evento que acabe eclipsando a crise que está vivendo e assim, talvez, ter alguma chance", resume.

A indicação dos três relatores, de acordo com Rodrigues, era um procedimento que já estava previsto. Para ele, a trajetória do poder político de Renan, desde as primeiras denúncias na imprensa, em 25 de maio, é descendente. "Isso dá a impressão de que ele ganha alguma coisa, mas nesse prazo longo ele sempre acaba ficando um pouco mais fraco", diz. Mesmo com a presidência do Conselho de Ética nas mãos de um de seus aliados - Leomar Quintanilha (PMDB-TO) -, Rodrigues acredita que a situação de Renan é crítica.

Sobre os relatores, o colunista do UOL News aponta que Almeida Lima (PMDB-SE) é uma figura folclórica no Congresso que, durante a CPI do Mensalão, afirmou ter um dossiê bombástico que derrubaria José Dirceu. Mas não era verdade e sua credibilidade decaiu. Hoje, é um aliado de Renan Calheiros. Os outros dois - Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) - ambos têm posições firmes de investigar Renan Calheiros e puni-lo, se necessário. "Temos um triunvirato com dois muito críticos e um a favor, o que significa que discussão não vai ser fácil", pontua.

Os relatores, explica Rodrigues, instruem toda a investigação possível dentro do Conselho de Ética. Essa estrutura é muito limitada, em sua opinião, pois não tem poderes de um juiz, por exemplo. Eles apenas analisam a documentação entregue por Renan e devem, como primeira medida, pedir que se conceda uma pouco mais de prazo para os peritos - que já foram acionados - avaliem com mais calma os documentos. Concluída a perícia, formariam um juízo e interrogariam Renan, por exemplo. Depois disso tudo, apresentariam um relatório com o parecer: arquivamento ou julgamento no Plenário.

O colunista do UOL News falou ainda sobre Joaquim Roriz (PMDB-DF), acusado de quebra de decoro parlamentar pelo recebimento de um cheque suspeito. A acusação será remetida formalmente ao Conselho de Ética para que seja feita a abertura do processo. Isso dá a Roriz um prazo para decidir se renuncia ou não - o parlamentar declarou a vários políticos ter redigido carta renunciando ao mandato, mas que não estava seguro se esse era o melhor caminho a ser trilhado. "Depois de aberta a investigação com a assinatura de Roriz, ele ainda pode renunciar, mas o processo continua correndo e, se for tido como culpado, pode ficar inelegível", explica.

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