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20/07/2007 - 14h39 Fernando:Rodrigues: ACM não teve muito apreço pela democracia, mas democracia teve apreço por ele Veja a entrevista em vídeo
Da Redação Morreu em São Paulo nesta sexta (20), aos 79 anos, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães. Veja abaixo trechos de um depoimento do jornalista Fernando Rodrigues, colunista do UOL News, sobre a importância de ACM e de seu legado para a política brasileira. HISTÓRIA "O senador Antonio Carlos Magalhães é representante de um grupo de políticos que atravessou cinco décadas de vida na política. Há poucos representantes dessa geração mais longeva, e a morte de ACM representa uma troca de comando na política nacional. Assim como Leonel Brizola, que também já morreu, ACM fazia parte de uma geração que conviveu muito com o poder nos últimos 50 anos, esteve muito ativo durante o regime militar e já no período democrático. Poucos políticos têm uma trajetória tão longeva quanto a dele e a sua morte agora reprenta agora na Bahia uma importante modificação no cenário desse que é um dos mais importantes Estados do Brasil, o Estado mais rico do Nordeste e com um dos maiores eleitorados. ACM dominou por 16 anos ininterruptos a política baiana estadual, até o seu candidato ao governo do Estado perder no ano passado a eleição para o petista Jacques Wagner, o que encerrou uma fase grande do carlismo na Bahia. Com a morte de ACM, haverá certamente um rearranjo das forças que se aglutinavam ao lado de Antonio Carlos na Bahia." BAHIA "ACM é um político que sempre teve opiniões muito fortes sobre quase qualquer assunto que era assunto que era mencionado para ele. Eu, como reporter político, fiz a cobertura de diversos eventos políticos que envolveram ACM. Uma das lembranças mais fortes é aquela de um político com opiniões sempre muito definitivas sobre determinados fatos. E na Bahia ele era assim também, ele era uma pessoa muito franca na hora de dar opiniões, gostassem ou não delas. Nos anos 60, quando houve o chamado milagre do crescimento econômico, no tempo do regime militar, quando o Brasil cresceu a taxas hoje consideradas "chinesas" de 10% ao ano, havia muito dinheiro para investir, ele foi prefeito de Salvador, governador da Bahia. Ele abriu aquelas grandes avenidas e fez a reurbanização da cidade. Como governador e prefeito nomeados --pois naquela época não havia democracia no Brasil, ele era um aliado da ditadura militar, ele foi nomeado para esses cargos eram nomeados--, ele fez muitas obras, daí decorre muito de sua popularidade que foi mantida durante todos esses anos." LEGADO "ACM era representante de uma geração de políticos que não teve muito apreço, em determinado momento da história, pela democracia, mas a democracia teve apreço por eles. Pois Antonio Carlos Magalhães, mesmo tendo sido um dos grandes nomes durante o regime militar no Brasil, quando o país voltou a ser democrático, ele conseguiu ser eleito governador da Bahia e senador duas vezes pelo seu Estado. ou seja, ele foi um político de grande expressão mesmo dentro do modelo democrático. A imagem que ACM deixa é a de um político que, mesmo não tendo no passado um empenho muito vigoroso a favor da democracia, o regime democrático foi suficientemente vigoroso para absolvê-lo." RELAÇÃO COM A MÍDIA "ACM talvez fosse um político que mais bem encarnasse a descrição de Sérgio Buarque, em seu livro seminal "Raízes do Brasil", do "homem cordial": muito afetuoso, muito dado a opiniões fortes e sempre muito disposto a tratar as pessoas com o que dava a entender ser afeto. Na verdade, a gente sabe que ele era uma pessoa que sabia a importância e a relevância de ter um relacionamento profissional e constante com a mídia, e muitas daquelas demonstrações de "carinho" e "apreço", eram movimentos táticos de um político que sabia a importância de se dar bem com a mídia." UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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