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01/08/2007 - 19h21
Caixa-preta não isenta TAM e Airbus de responsabilidade, diz Fernando Rodrigues

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

Conforme antecipou o jornalista Fernando Rodrigues na reportagem que está na manchete da Folha de S.Paulo desta quarta-feira, a caixa-preta do Airbus-A320 da TAM revela que o piloto do avião sabia que um dos reversos da aeronave não estavam funcionando. Mas, de acordo com o próprio Fernando Rodrigues, que é colunista do UOL News, essa informação não isenta a TAM e a Airbus de responsabilidades na manutenção da aeronave.

"Ficou claro que os pilotos tinham completa compreensão da ausência do reverso na turbina direita quando pousaram, pois eles conversaram entre si a respeito desse defeito", afirmou Rodrigues. "Mas a responsabilidade dos pilotos ainda é difusa." "Até o momento que o avião toca no chão da pista principal fica registrado nas caixas-pretas que não há nada de errado com a aeronave. A partir do momento que o avião toca na pista, fica claro que houve algum problema em um dos manetes", disse.

Segundo o jornalista, os registros da caixa-preta indicam que o manete da esquerda estava na posição de ponto morto, enquanto o manete da direita estava na posição acelerar. Ele diz ainda que essa configuração fez com que o computador do avião interpretasse que o piloto estava tentando uma arremetida. Não é possível afirmar se foi falha do piloto ou se um suposto problema no manete fez com que o computador interpretasse os dados erroneamente e acelerasse o avião.

O que fica muito claro, para o jornalista, é que essa "é uma tragédia cheia de componentes fatais". "Fica também muito claro que esse Airbus poderia ter algum tipo de dispositivo que alertasse de maneira mais vigorosa os pilotos sobre problemas. Em versões mais modernas (dessa aeronave), tem um kit de alerta muito espalhafatoso quando há inconsistência na posição dos manetes."

Fernando Rodrigues afirma que a responsabilidade de instalar esse kit na aeronave é tanto da TAM quanto da Airbus. E, por isso, "há uma suspeita de responsabilidade direta das duas companhias no acidente".

Por outro lado, os dados das caixas-pretas dão indícios de que a pista de Congonhas não teve preponderância no acidente. "Há marcas claras deixados pelo avião na pista inteira. Ora, se houve aquaplanagem, como muito se pensou, não haveria essas marcas, pois o Airbus não teria entrado em contato físico com a pista."

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