05/05/2006 - 18h39
Palco de mais um escândalo, Congresso não se mexe para investigar caso de corrupção
Da Redação
e de Brasília
Um dia depois da divulgação de mais um escândalo envolvendo o Congresso, Brasília não saiu da rotina das sextas-feiras, quando praticamente não se vê atividades parlamentares. Não houve nenhuma movimentação na Câmara dos Deputados e no Senado que demonstrasse alguma intenção de se investigar os parlamentares sob suspeita de participação no esquema de superfaturamento na compra de ambulâncias. Também não houve parlamentares apresentando defesa do Congresso ou explicações sobre o escândalo.
A Polícia Federal pediu à Procuradoria Geral da República, ao Supremo Tribunal Federal, à Câmara dos Deputados e ao Senado que investiguem 65 parlamentares por suspeita de roubo de dinheiro público através da compra superfaturada de ambulâncias. Ontem (04), 46 pessoas foram presas pela PF _entre elas, dois ex-deputados federais e dez assessores e ex-assessores de congressistas_ numa operação batizada de "Sanguessuga". As investigações começaram pela Controladoria Geral da União.
O esquema funcionava da seguinte maneira: os parlamentares apresentavam emendas ao Orçamento da União para comprar ambulâncias, funcionários do Ministério da Saúde liberavam o dinheiro para as prefeituras, as prefeituras fraudavam as licitações e a empresa que "vencia" repassava o dinheiro cobrado a mais aos assessores dos parlamentares. Foram movimentados cerca de R$ 110 milhões nesse esquema desde 2001.
A documentação com os diálogos de escutas telefônicas (autorizadas a pedido da PF) em que deputados foram mencionados já está na presidência da Câmara, mas ainda não foi analisada. O presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), estava nesta sexta no Paraguai, em viagem oficial.
O presidente da Câmara é quem envia o material à Corregedoria da Casa, órgão responsável por apurar denúncias contra deputados. Procurado pela reportagem do UOL News, o corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), não atendeu ao celular. Em seu gabinete, a informação era de que ele estaria no interior do Estado.
Depois dessa investigação interna, a Corregedoria poderá fazer representações por quebra de decoro parlamentar contra deputados sob suspeita. Essas representações seriam encaminhadas, então, ao Conselho de Ética da Câmara.
O presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), estava em Jacareí (SP), de onde falou com a reportagem pelo telefone. Ele disse que já marcou encontro com Aldo Rebelo na próxima segunda-feira para "estudar o caso".
"Em cinco legislaturas em que estou na Câmara, nunca ouvi falar em tal esquema, mas, se for comprovado, é grave, muito grave", disse.
Sem querer detalhar, o deputado afirmou que irá apresentar algumas sugestões ao presidente da Câmara para "reforçar a fiscalização no trâmite das emendas parlamentares ao Orçamento".
Às sextas-feiras, normalmente, deputados e senadores viajam para suas bases, apesar de haver sessão legislativa ordinária a partir das 9h na Câmara dos Deputados e sessão não deliberativa no Senado.
Segundo investigações da PF, o Congresso seria um elo entre as prefeituras e o Executivo no esquema de fraude, por meio de emendas individuais de parlamentares apresentadas à Comissão Mista de Orçamento. Deputados apresentavam emendas para aquisição de ambulâncias (ou unidades móveis de terapia intensiva) para determinado município. O município, por sua vez, enviava um relatório técnico fraudado ao Ministério da Saúde, aonde o grupo tinha um integrante na assessoria do ministro, que facilitava a liberação dos recursos superfaturados.
Pelo menos dez assessores e ex-assessores de parlamentares foram presos ontem. De acordo com o delegado da PF responsável pela operação Sanguessuga (que investiga o caso), Tardeli Boaventura, "não há como precisar" o número de políticos envolvidos, mas os assessores poderiam ser os responsáveis por direcionar as emendas aos municípios.
Entre os presos, estão os ex-deputados federais Ronivon Santiago (PP-AC) e Carlos Rodrigues (PL-RJ). UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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