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16/05/2005 - 18h36
Star Wars rende dinheiro e propaganda a Cannes

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O assunto da semana é Guerra nas Estrelas -ou Star Wars. Ansiosamente esperado pela legião de fãs que acompanham a história de George Lucas há 28 anos, o sexto e - parece! - último episódio estréia quinta-feira.

Até o famoso, badalado, tradicional, cult e independente Festival de Cannes, na França, se rendeu ao fenômeno: os privilegiados que estão lá viram ontem, em pré-estréia, Star Wars 3. E o público, que até podia torcer o nariz ou ser apenas frio, se emocionou, aplaudiu, ovacionou - adorou, enfim, a surpresa.

O diretor, George Lucas, recebeu uma Palma de Ouro honorária, porque, a esta altura, já é considerado "hors concours", ou acima de qualquer julgamento. A Palma de Ouro é o prêmio máximo do festival e um dos mais cobiçados da indústria do cinema.

Fãs trocam fantasia por terno

"A multidão tomou a esplanada. Não dava pra ficar indiferente... Quem torcia o nariz para blockbusters tinha de entrar no ritmo e aplaudir", descreveu Flávia Nogueira, enviada especial da BBC Brasil a Cannes. Lucas e os atores e personagens de Star Wars ofuscaram outros convidados famosos, como a atriz Sharon Stone.

"Houve uma verdadeira superprodução. Duas horas antes da sessão de gala, a polícia teve de fechar a esplanada. Tinha muito fanático pela saga, mas, para manter a classe do festival, ninguém estava fantasiado de jedi. Eles preferiram usar terninho e salto alto para tentar entrar na sala."

Flávia disse que o festival sempre abre as portas para Hollywood. "Todo mundo se lembra do ano passado, quando Brad Pitt e Jennifer Aniston baixaram por aqui para promover o filme Tróia, que nem era tão bom assim..."

Dinheiro e propaganda

"Cannes está fazendo dinheiro com isso", destacou a jornalista. "A gente chega na estação de trem da cidade e dá de cara com uma vitrine só com produtos licenciados com a marca Star Wars. É a chance de o festival ganhar mais visibilidade fora do circuito de filmes estrangeiros, de arte."

Flávia explicou que o regulamento do festival prevê a exibição de filmes que não participam da mostra competitiva. Foi nessa alternativa que Star Wars se encaixou, assim como, no ano passado, foi a vez de Tróia. Tem superprodução americana concorrendo, no entanto. "Temos o sanguinolento Sin City, que disputa a Palma de Ouro e será exibido nesta semana." A justificativa seria o fato de Sin City, uma adaptação dos quadrinhos, quebrar parâmetros em termos visuais.

"É videogame dentro do cinema"

Alcino Leite Neto, enviado especial da Folha de S.Paulo a Cannes, foi um dos que assistiram à pré-estréia de ontem.

"Gostei muito, embora não seja fã da série... Acho que é o melhor filme dos três (da trilogia mais atual). Começa de maneira deslumbrante, com batalha fenomenal", avaliou. "Coloca o imaginário do videogame de uma maneira absoluta dentro do cinema. A câmera faz seu olhar correr como uma nave, numa proporção enorme."

Os efeitos especiais, no entanto, se destacam mais do que a performance dos atores. "No mínimo dá a impressão de que Lucas dirige melhor os robôs e as máquinas."

Lucas independente

"Cannes sempre teve certa estima por Lucas, bem como pelo restante da turma dele: Francis Ford Coppola e Steven Spielberg. Eles representam um grupo, digamos, independente, dentro do cinema hollywoodiano", comentou o jornalista. Ele explicou que, graças ao sucesso dos primeiros filmes, Lucas tem autonomia para fazer a saga do jeito que quer. "Isso entusiasma muito a crítica francesa."

Para Alcino, se o primeiro "Star Wars", de 1977, é o que os fãs mais gostam, este novo e último episódio é o mais importante da série. O fim, que marca a transformação do jedi Anakin Skywalker no vilão Darth Vader, um dos mais populares da história do cinema, foi bastante aplaudido pelo público, contou o jornalista. "O momento em que a máscara é colocada nele é a peça final do quebra-cabeça de Lucas, iniciado há 28 anos."

O Império americano

O filme dá brecha para a comparação entre o Império, que representa o mal, e os Estados Unidos. "O diretor diz que o filme é sobre a fragilidade da democracia e poderia servir como uma lição para os americanos de como ela pode ser ameaçada", contou Alcino. "Lucas é uma personalidade muito respeitada nos Estados Unidos e não pode ser muito direto. Mas, com certeza, se refere a um excesso de poder que o governo americano se outorga para fazer guerras em outros mundos. Essa associação do Império americano com o Império do filme pode ser feita num plano mitológico, da fábula."

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