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15/08/2005 - 20h31 "Água Negra" copia a fórmula de "O Chamado" Veja a entrevista em vídeo
Da Redação O internauta cobrou, o UOL News foi atrás. Prometemos que voltaríamos a falar de cinema e cultura em agosto -só demoramos um pouco a cumprir a nossa promessa por razões alheias à nossa vontade. Nesta segunda-feira, Lillian Witte Fibe recebeu o jornalista Sérgio Rizzo, crítico da Folha de S.Paulo, para comentar os recentes lançamentos da telona. Rizzo destacou "Água Negra", do diretor brasileiro Walter Salles, e o argentino "A Menina Santa", ambos em cartaz desde a última sexta. "Tem que pensar umas duas, três, cinco vezes antes de assistir 'Água Negra'", disse o jornalista. Para "A Menina Santa" vieram elogios e ressalvas: "o filme incomoda". Primeiro, Rizzo comentou os detalhes do novo filme de Walter Salles. O cineasta que se consagrou pelas histórias sensíveis de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta" desta vez dirige uma produção hollywoodiana, da onda do terror/suspense japonês. "Água Negra" é a refilmagem de uma obra do cineasta Hideo Nakata, o mesmo de "O Chamado". Vale a pena para quem não conhece "Uma das maneiras de assistir a esse filme é ignorar que foi feito pelo Walter Salles. Se você não sabe que foi ele quem fez, talvez seja passável. O que mais incomoda é o fato de repetir uma mesma fórmula: a criança que, tudo indica, já morreu e fica assombrando os personagens", resumiu o crítico. "Vale a pena se o repertório do espectador não for muito grande, senão ele vai 'matar' o andamento da história..." Lillian perguntou sobre os boatos de que Salles esteja com "vergonha" do filme. "Existem indícios disso", respondeu Rizzo. Ele contou que a imprensa tem sido bombardeada há algum tempo com supostas "razões" pelas quais Salles teria se interessado por esse projeto. "Seria mais honesto ele dizer que gostou do convite e se sentiu estimulado em fazer um filme de suspense que fosse mais inteligente do que a média. Esse bombardeamento das assessorias de imprensa deixa uma suspeita no ar." Cruzamento de fé com desejo Salles também foi citado quando Rizzo falou sobre "A Menina Santa", de Lucrecia Martel. Segundo ele, o cineasta é uma espécie de padrinho da diretora argentina. "Foi ele quem comprou a cópia do primeiro filme dela ('O Pântano') e lançou no Brasil". Para o segundo longa da carreira, Lucrecia teve outro apoio importante: a produção do espanhol Pedro Almodóvar. "A Menina Santa" conta a história de uma adolescente religiosa que de repente se vê como objeto de desejo de um médico bem mais velho. "Ela resolve que a missão dela é trazer esse homem para o bem, para Deus." "É um belo filme, mas com ressalvas", avaliou Rizzo. "É um filme muito aberto. O gênero que faz mais perguntas do que dá respostas, não há explicações muito claras para o que acontece na tela. Você sai incomodado, sobretudo pelo cruzamento de fé com desejo." Bate-papo na sexta Rizzo volta ao UOL News na próxima sexta-feira (19/08), às 17h, para um bate-papo com os internautas. Participe mandando suas dúvidas para a nossa sala de bate-papo, no auditório virtual William Shakespeare. Para participar, clique aqui e entre no auditório no dia e horário do bate-papo.
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