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05/05/2005 - 18h36
Leia a íntegra do bate-papo sobre o filme "Cruzada"

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

No "Pop Pop Pop" desta quinta-feira, o colunista Sérgio Dávila respondeu, direto da Califórnia, às perguntas dos internautas sobre a superprodução "Cruzada", que estréia amanhã nos cinemas do Brasil e do mundo. O filme é dirigido por Ridley Scott, o mesmo de "Gladiador". Acompanhe a íntegra do bate-papo.


(03:35:34) ChaNClleR fala para Sérgio Dávila: O que está sendo esperado para o filme, em termos de publico, ou o que pode se dizer da história do filme.?

(03:42:40) Sérgio Dávila: ChaNClleR, é a grande estréia da semana (estréia mundial inclusive no Brasil). É um filme de 130 milhões de dólares, tem propaganda maciça, produzido pela Fox, que nunca entra em jogo pra perder dinheiro. Acho que neste primeiro fim de semana veremos algo em torno de 30, 40, senão mais de 40 milhões de dólares. Se for menos do que isso, será uma decepção e um filme que vai dar prejuízo. Imagine o quanto um filme de 130 milhões de dólares tem que render para dar lucro.

(03:37:48) juanito fala para Sérgio Dávila: Ola Sergio, saudades de vc e da Lilian. Li seu artigo na folha sobre A Cruzada, nos conta como foi a reacao do Ridley Scott a sua interpretacao do filme ter algo haver com 9/11?

(03:44:21) Sérgio Dávila: juanito, o Ridley Scott não leu a matéria, com certeza, mas ele quase me expulsou da sala de entrevista. Ficou bem nervoso com as minhas perguntas. Eu não escrevi na reportagem, mas a entrevista terminou assim: fiz uma última pergunta, que não lembro qual era, e ele me perguntou 'Você tem certeza de que assistiu ao filme?'. Eu respondi que tinha assistido e devolvi pra ele: 'O senhor tem certeza de que assistiu depois da versão final?". Foi a partir do 11 de Setembro que ele fez o "Falcão Negro em Perigo", filme anterior, que é abertamente pró-exército americano. Agora vem mais este.

(03:41:27) bobrecife fala para Sérgio Dávila: Algumas criticas dos especialistas americanos dão como um filme chapa branca do Bush. Isso é verdade??

(03:45:58) Sérgio Dávila: bobrecife, eu acho que é totalmente chapa-branca, compra totalmente esse conceito de "guerra santa" ao o terror. Bush chegou a usar o termo "cruzada antiterror", depois foi aconselhado por assessores a mudar. Mas é isso mesmo que ele pensa, 'somos nós, cristãos' -por aí você leia os ocidentais, americanos, o "american way of life"- contra esse pensamento estranho e obscuro do Oriente -o Islã e os muçulmanos. O filme trata especificamente desse embate. Ao invés de Bin Laden versus Bush temos o sultão muçulmano Saladino versus um cristão francês, Balian, vivido por Orlando Bloom.

(03:41:34) ESCRITOR fala para Sérgio Dávila: EXISTE UMA TENDÊNCIA DA JUVENTUDE MUNDIAL PARA SUPERVALORIZAR OS VALORES DA "GUERRA SANTA"?

(03:47:43) Sérgio Dávila: ESCRITOR, não sei se supervalorizar, mas que esse é o clima que domina o país, é. Em tudo tem esse subtexto do "nós contra eles". Acho que a última vez que os EUA foram tão armados e paranóicos foi durante o comunismo. Um dizia que o outro lado queria dominar o mundo e impor seu estilo de vida. Os americanos acabaram vencendo a Guerra Fria e houve um período de um pouco mais de 10 anos de relativa calmaria. Depois do 11 de Setembro voltou o clima de "ou nós ou eles'.

(03:41:47) juanito fala para Sérgio Dávila: Voce traz assuntos polemicas para o programa de hoje. Nos EUA os imigrantes ilegais ta na moda, como isto esta afetando os brasileiros por ai? voce tem alguma coisa que pode nos dizer?

(03:50:22) Sérgio Dávila: juanito, acho que esse aumento de prisões de brasileiros ilegais nos EUA é menos motivada por economia do que por um acordo entre Brasil com México, que facilitou muito a vida do imigrante. Antes precisava de visto americano para entrar no México. Aí o governo mexicano liberou a entrada de brasileiros sem visto. Então, ficou muito fácil. Tem muita gente apontando o dedo pro lugar errado, a economia. Acho que a culpa é do acordo diplomático. Agora o governo mexicano pensa em derrubar esse acordo, por pressão dos EUA. Quem falar mais alto vai levar. Acho que os mexicanos vão agradar o vizinho poderoso de cima. Aí vamos ver a imigração ilegal brasileira descer aos níveis de sempre. Outra coisa é o nosso querido Arnold Schwarzenegger que apóia os cidadãos que estão fazendo milícia, eles próprios comprando armas e falando 'a gente vai vigiar a fronteira'. E o sábio Schwarzenegger disse que acha que os vigilantes estão fazendo um bom serviço... Claro que no dia seguinte ele teve que pedir desculpas, falou que não queria dizer exatamente isso, que não falava a língua inglesa direito.

(03:41:58) Zorke fala para Sérgio Dávila: Eu estive lendo sobre o filme e fiquei sabendo que em vez de mostrar os Templários, que foram parte importante das cruzadas principalmente na época de Saladino, eles colocaram os Hospitálarios...é verdade?

(04:02:27) Sérgio Dávila: Zorke, na verdade, Scott pegou um episódio muito pequeno considerando as 8 cruzadas e os quase 3 séculos que elas duraram. E quem sai ressaltado nesse episódio é um cristão. Ele não fala dos saques, de todas as atrocidades que os cavaleiros das cruzadas cometeram... Nos EUA de hoje em dia, porém, não se falar bem dos franceses porque eles são vistos aqui como inimigos da liberdade, lembra? Eles não apoiaram a Guerra do Iraque.. Então o nobre francês subitamente vira um ator britânico (Orlando Bloom), assim como pai dele (Liam Neeson).

(03:45:40) Templário fala para Sérgio Dávila: Após os "erros históricos" em produçoes com Tróia e Alexander, vc acha que Ridley Scott foi mais fiel a história ?

(04:03:04) Sérgio Dávila: Templário, entrevistei uma historiadora que disse que, no aspecto geral, ele é bem fiel a esse episódio. Esse cristão (Balian) acaba conseguindo uma trégua com Saladino, que cerca Jerusalém e permitem que todos os cristãos saiam da cidade, sem matá-los, pagando uma pequena taxa. Ele foi bastante fiel, sim, a esse epísódio específico. Acho que ele não é fiel ao clima geral, ao significado das cruzadas como um todo. E à relação dessa Guerra Santa de então com a de hoje em dia.

(03:45:56) Zuca fala para Sérgio Dávila: Você considera este filme pró-americano, mas por que motivo?

(04:03:51) Sérgio Dávila: Zuca, por todos esses motivos que falei até agora. Ele não tem uma visão imparcial sobre o que foi a Guerra Santa entre a religião principal do Ocidente, o cristianismo, e a principal do Oriente, o islamismo. Um choque de culturas que continua existindo hoje. O filme toma posição a favor de uma delas.

(03:46:06) TheForce fala para Sérgio Dávila: É uma adaptação de um livro, né? E vai só na cola do Senhor dos Anéis ou vale algo?

(04:05:37) Sérgio Dávila: TheForce, não é adaptação de um livro, está sendo acusada disso, de adaptar um livro sem dar crédito. Tem um autor dizendo que escreveu sobre isso no livro "Ricardo Coração de Leão". Ele abriu um processo. O roteiro é de um estreante, William Monahan. Não acho que tenha a ver com "Senhor dos Anéis", a não ser pelo fato de o mocinho ser o Orlando Bloom.

(03:46:21) CINEFILO fala para Sérgio Dávila: Caro Sérgio. Li sua crítica na Folha. Bem escrita. Mas, sem embargo de repugnar totalmente a política de George Bush, pergunto se não seria excesso considerar que Ridle Scott faz cinema com o propósito de sustentar ou promover o imperialismo norte-americano? Você por acaso foi atacado pela febre da "conspiração"?

(04:07:00) Sérgio Dávila: CINEFILO, não sou adepto da teoria da conspiração, não. Aqui, aliás, essa é uma prática muito comum, sempre se vê um segundo lado, uma outra intenção em tudo. Mas a indústria do entretenimento é responsável por 6% do PIB americano. Não é coisa pouca. Não dá para achar que não há interesses do governo e ideológicos por trás de uma indústria tão poderosa e tão significativa para o PIB do país. E Ridley Scott negar que vive nesse ambiente em que a direita religiosa está tendo cada vez mais voz e poder, sobretudo depois da reeleição do Bush, é negar a existência do sol e da lua. Nas entrevistas ele diz que é um artista puro que faz filmes que não têm nada a ver com o tempo em que vive. Isso é uma bobagem! De todos os temas que ele tinha para escolher, ele opta pelas cruzadas. É ingenuidade pensar que ele estava motivado apenas pela arte.

(03:57:48) bobrecife fala para Sérgio Dávila: E o Super Homem gay heim!? Como está a repercussão dessa polemica aí nos EUA?

(04:12:58) Sérgio Dávila: bobrecife, confesso que estou boiando sobre isso. Não sabia dessa história... Se puder dar mais detalhes, manda pra gente.

(04:13:50) bobrecife fala para Sérgio Dávila: Todo mundo está tratando a vestrimenta do novo filme do Super Homem e isso está causando muita polemica, ainda nas filmagens do novo movie.

(04:16:52) Sérgio Dávila: bobrecife, que o Super-Homem está sendo refilmado é verdade, ele estréia no ano que vem. É uma superprodução de Hollywood chamada "Superman Returns". Será dirigida pelo ótimo Bryan Singer, que é o mesmo de "Os Suspeitos" e "X-Men'. Quem fará o papel de Super-Homem é o ator Brandon Routh, que é novo, não é muito conhecido. Mas eu não acho que a polêmica venha do filme, mas da série "Smallville", que mostra a adolescência do Super-Homem. Prometo investigar isso e até a biografia do Super-Homem pra saber se ele é gay...e prometo contar quinta que vem.

(04:05:02) TheForce fala para Sérgio Dávila: Ah, Sérgio, e o LOST? O que acha? Muito bacana, hein? hein?

(04:14:11) Sérgio Dávila: TheForce, "Lost" é esta série que estreou recentemente no Brasil e faz um sucesso tremendo aqui nos EUA. Disputa com "Desperate Housewives" e "CSI" o primeiro lugar na audiência. Eu confesso que não acompanho. Acho o conceito interessante e é muito acima da média para as séries americanas em geral.

(04:05:20) Jordana fala para Sérgio Dávila: Tem alguma relação do conteudo do documentario com Sideways ?

(04:15:07) Sérgio Dávila: Jordana, não, até alguns críticos comentaram que o filme vinha na onde de "Sideways", mas não é justo porque o documentário vinha sendo feito bem antes de "Sideways".

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