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12/09/2006 - 21h16 Entenda o pacote habitacional que o governo divulgou Veja a entrevista em vídeo
Da Redação O governo lançou nesta terça-feira uma série de medidas com a intenção de baratear o acesso à casa própria e dar um empurrãozinho na economia. O pacote imobiliário deve incentivar o crédito habitacional e a construção civil. Entre as medidas estão: o financiamento do BNDES para a construção de imóveis a funcionários de empresas e para as construtoras. Acompanhe abaixo a entrevista que o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci), José Augusto Viana Neto, deu ao jornalista Rodrigo Flores. O pacote realmente vai beneficiar o comprador de imóvel? Qual o impacto dele no mercado imobiliário? O pacote tem uma série de medidas interessantes. Eu acredito que essa questão da possibilidade do financiamento em parcelas fixas, sem aplicação da TR, sem dúvida vai provocar uma disputa entre os bancos privados e que provavelmente deverá fazer com que a médio e longo prazo os juros possam cair um pouco. É uma medida que traz uma expectativa muito boa. A questão do crédito consignado, também para o financiamento da casa própria, é uma outra medida que tem também a condição de fazer com que os bancos trabalhem com taxas mais baixas. Por que diminui o risco? Diminui o risco e principalmente para aqueles que trabalham no serviço público que têm a estabilidade garantida. A linha de crédito da Caixa Econômica Federal para financiamento da produção imobiliária também é outro fator muito positivo, visto que já há falta de imóveis novos no mercado, principalmente para a classe média baixa; e a questão da lei geral das micro e pequenas empresas também para o setor da construção civil. São questões que trazem um clima positivo no mercado. Porém, há uma certa decepção aqui no Creci; criou-se uma expectativa muito grande nos últimos dias com vistas à extinção da TR para o financiamento imobiliário. E o que na realidade veio foi uma medida paliativa, parece que a pressão dos bancos foi muito forte, e o governo não conseguiu romper esta pressão e teve que se submeter e colocar a TR como facultativa. Apesar de que se esta notícia fosse anunciada de pronto, sem nenhuma expectativa, sem dúvida ela seria muito festejada pelo mercado. O governo acredita que em a TR sendo facultativa, ela automaticamente vai deixar de ser utilizada com o tempo. O senhor acredita nessa possibilidade? Sem dúvida, acredito sim; com o tempo ela deixará de ser utilizada. Pelo fato de ter sido feito desta forma, tudo indica - de forma bem clara - que foi uma pressão por parte dos bancos e esta pressão saiu vitoriosa, e é claro que durante algum tempo, os bancos ainda vão querer esse mecanismo em mãos, para poder negociar com os futuros mutuários e isso evidentemente vai atrasar a expansão do mercado imobiliário, não vai ser aquilo que era esperado. Mas de qualquer forma é um passo muito importante; e tem também a questão - que é muito salutar - que é a redução de IPI para os produtos da cesta básica da construção civil, isto também é muito importante. Isso barateia o material de construção? Sem dúvida, e perceba que naqueles produtos em que, logo no começo do ano, houve esta redução de taxas, os produtos realmente caíram de preço e o consumo aumentou; e nota-se que a arrecadação pelo aumento do consumo, substitui a arrecadação que foi cortada com a diminuição da taxa. Então, este item é de fundamental importância principalmente para aqueles que mais necessitam, e para aqueles que se viram na autoconstrução - é aquele pai de família que quer construir um cômodo a mais na casa para abrigar o filho que vai casar, quer melhorar um pouco mais a sua residência. Então estas medidas trazem um incentivo muito grande, e uma construção que tenha as características melhoradas, entra no mercado imobiliário rapidamente com muita facilidade. São medidas que vêm colaborar para o barateamento da casa própria e para o incentivo a aquisição. Isto para casa, agora para apartamentos... Um prédio que sai mais barato para construir, não necessariamente terá apartamentos mais baratos... Aí entra aquela questão da lei da oferta e procura, e nós sabemos muito bem que o mercado da construção, os incorporadores têm a sua sistemática de atuação dentro do mercado. Eu acredito que nesta faixa de imóveis novos, essas medidas têm pouca influência, essa questão do corte da taxa dos produtos, porque já existe um preço por metro quadrado sendo praticado. Mesmo com a redução que houve naqueles materiais, já no início do ano, no mercado de imóveis novos não se percebeu nenhuma redução de preços; o que nós percebemos foi um aumento de consumo nessa mercadoria que tudo indica - de forma bem clara - que é para a classe baixa. A partir de quando essas medidas devem criar um impacto no mercado? Nós tivemos hoje a divulgação das medidas, agora faltam, evidentemente, regulamentar essas medidas que dependem de votação no Congresso Nacional. Eu acredito que, já a partir desta semana, todos aqueles envolvidos no setor deverão se reunir, discutir e debater a forma da aplicação destas medidas. Acredito que os bancos deverão se mobilizar junto ao mercado, no sentido de colocar uma forma de trabalho para o início dessas medidas e acredito que deverão ser convalidadas dentro dos próximos 30 dias. A questão da TR, eu acredito que vá demorar a repercutir no mercado - porque num primeiro momento acho que os bancos estarão reticentes em retirar a TR e fazer as prestações fixas - mas, sem dúvida, a concorrência entre os bancos privados fará com que isso tenha uma aceleração de cerca de 90 a 120 dias aproximadamente. De que maneira isto beneficia mais as pessoas de baixa renda, como o senhor falou antes? Estas medidas estimulam a construção de casas de baixa renda? Sem dúvida, o corte de IPI nestes materiais de construção beneficia diretamente as pessoas de baixa renda, porque estas pessoas se utilizam da autoconstrução, a construção em mutirão, eles não constroem através de empresas, através de empreiteiros, através de construtoras. Eles mesmos cuidam da construção da sua casa, da reforma, da ampliação; e para esse pessoal essas medidas têm efeito imediato. Mas isso é muito bom porque o dinheiro entrando no mercado, nesta faixa de renda mais baixa, ele irriga a base desse mercado e provoca uma evolução nos negócios nos imóveis de maior valor. A partir do momento que o cidadão consegue fazer uma melhoria no seu imóvel e com essa melhoria ele consegue colocar o seu imóvel no mercado para que ele seja comercializado, ele está aquecendo e incentivando a economia - circulação de dinheiro - e isto é bom para toda a sociedade. E para a classe média? Seria o barateamento do crédito e a expectativa de um aquecimento do mercado com a entrada de mais empreendimentos novos? Sem dúvida. Para a classe média também há agora uma orientação mais objetiva que é aquela criação do portal de crédito imobiliário, onde as pessoas também poderão se orientar quanto à taxa de juros, formas de pagamento, fazendo uma previsão; isto também vai contribuir demais para melhorar a cultura do público consumidor para que ele possa entrar com mais confiança num financiamento imobiliário. A questão do crédito consignado também tem a característica de fazer com que a taxa de juros caia pra esses negócios, então isso também é benefício para o pessoal da classe média. Bom, então no "frigir dos ovos" o senhor esperava mais, mas no balanço final o saldo foi positivo? Sem dúvida nenhuma, qualquer medida que visa aquecer este mercado será sempre bem vinda, até porque é um dos setores que mais emprega no país e qualquer notícia otimista como esta, traz um clima bom para o mercado e confiança nos investidores para que possam estar fazendo novos projetos, novos investimentos. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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