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15/05/2007 - 20h35
Dólar baixo pode gerar desemprego em alguns setores da indústria, diz economista do Iedi

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

Nessa terça-feira, o dólar rompeu a chamada "barreira psicológica" e fechou abaixo dos R$ 2. Dólar fraco, porém, não é boa notícia para a indústria brasileira. De acordo com Edgard Pereira, economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), um dos efeitos do câmbio valorizado será uma "redução no nível de emprego".

Segundo ele, o real valorizado produz "um efeito negativo no curto prazo sobre os setores que concorrem diretamente com os produtos importados". "E esses setores são os que mais empregam pessoas", afirmou. Por outro lado, Pereira acredita que há um ganho "para os setores que compram produtos importados, como os das empresas de eletroeletrônicos, informática e indústria automobilística". "No balanço do curto prazo entre os setores que ganham e os setores que perdem, as empresa que geram empregos perdem mais."

O economista chama a atenção para o risco de as empresas brasileiras se tornarem "maquiadoras", como ocorre no México. "Quando o câmbio atinge patamares baixo e há uma certa estabilidade, as empresas refazem suas estratégias com base nesse cenário. A tendência é que elas importem mais peças e só finalizam o produto aqui", disse. Em um cenário como esse, o desenvolvimento da indústria nacional pode ficar prejudicado.

"Esse é o quadro que se vê no México. Apesar de o país ter atingido o grau de investimento e, por isso, contar com crédito barato no mercado, a economia daquele país não consegue crescer."

Pereira acredita que, desde a abertura de mercado durante a década de 90, a indústria brasileira começou a se modernizar. Por outro lado, ela precisa de condições para continuar competitiva frente ao mercado internacional.

"A indústria já passou por um processo muito forte de reestruturação, isso se vê nos dados da produtividade industrial. A indústria nacional hoje precisa de condições mais competititvas, juros mais baixos e corte nos custos tributários, além de um câmbio mais competitivo."

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