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18/04/2006 - 19h27
"Brasil paga dívida e mostra que não será uma Argentina", diz economista

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Clima quente no mercado de petróleo na véspera de mais uma decisão do Banco Central sobre o rumo do juros mais alto do mundo. Quarto maior produtor mundial de petróleo, o Irã e sua ameaça nuclear é quem faz os preços do petróleo baterem novos recordes. Em Londres, o barril do tipo Brent, que é consumido na Europa, chegou a US$ 72,20 dólares. Nos Estados Unidos o preço encostou no recorde de agosto do ano passado, época do furacão Katrina - que paralisou muitas refinarias americanas - e o barril já foi vendido por US$ 70,88.

O medo é que o Irã corte as exportações de petróleo se sofrer sanções por não desistir do seu projeto nuclear. A alta do petróleo é sempre sinônimo de ameaça inflacionária, o que não combina com redução de juros. "O risco do Irã é sério, mas a médio prazo. Talvez gere impacto sobre os emergentes em 2007. O importante é saber em que medida a alta dos preços de petróleo impacta nos juros norte americanos, grande motor da economia mundial. É isso que vai redefinir os fluxos de capitais para os emergentes", avalia o economista Roberto Padovani, que acredita no corte de 75 pontos na Selic pelo Banco Central, para 15,75%.

A tensa situação exige monitoramento, mas Padovani é otimista. "Há um certo exagero quando dizem que estamos em um momento de alta nos juros internacionais. Os juros estão subindo no mundo em patamares muito abaixo dos observados nos últimos anos, portanto, não estamos diante de um cenário em que a economia mundial vai desaquecer, o Brasil parar de exportar, os fluxos deixam de vir e vão buscar rentabilidade nos países desenvolvidos. Os preços nos EUA estão bem comportados e se os juros continuam assim, a taxa de câmbio e o quadro inflacionário ficam estáveis. O risco é que mantendo-se os níveis elevados de petróleo por mais tempo, isso comece a gerar impacto inflacionário nos EUA e aí sim, também no Brasil."

O economista também fala sobre a relevância, para a economia, da escolha do novo presidente. "Percebeu-se que tanto faz Lula ou Alckmin: a política econômica é a mesma. Além disso, é preciso lembrar que o Brasil pagou sua dívida externa de curto prazo e fez proteção para o que ainda sobrou. O país não apresenta para o investidor risco de solvência. É muito seguro. O Brasil não será uma Argentina, ele honrará seus compromissos. O mercado vem se 'descolando', vejo ele relativamente tranqüilo apesar das incertezas políticas", afirma.

"As questões mais relevantes não são essas, o 'macro' vai muito bem. O que é preciso saber é se o próximo governo vai aprovar as reformas, se o Brasil vai crescer não 3,5% como se projeta, mas 4%, 5%. E de modo bastante positivo, a agenda dos candidatos está saindo do curto prazo, que é a questão financeira, e migrando para questões que interessam como infra-estrutura, educação, condições para que o país possa ter produtividade e crescimento elevados. Há um otimismo mundial de que o crescimento das principais economias será mantido", sinaliza Roberto Padovani.

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