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03/04/2007 - 18h37 Tony Kanaan comenta a 2ª etapa da IRL no "Pit Stop" Veja o programa em vídeo
Da Redação Em São Paulo Grande personagem da segunda etapa da IRL, disputada no último domingo em Saint Petersburg, o brasileiro Tony Kanaan foi o convidado especial do "Pit Stop" com Fábio Seixas desta terça-feira no UOL News. O piloto da Andretti explicou o acidente que sofreu na largada com seu companheiro de equipe, o escocês Dario Franchitti, e contou como foi sua fantástica recuperação na prova. Kanaan terminou em terceiro lugar, atrás do também brasileiro Hélio Castroneves, vencedor da corrida, e do neozelandês Scott Dixon, segundo colocado. Além da IRL, Fábio Seixas também comentou os testes realizados pelas equipes da F-1 na Malásia, na semana passada, que indicaram o que pode acontecer na corrida do próximo fim de semana, na madrugada de sábado para domingo. Por fim, o jornalista respondeu perguntas enviadas pelos internautas. Leia abaixo os principais trechos do programa: Entrevista com Tony Kanaan "Foi um acidente de corrida. É difícil a gente julgar o que aconteceu. Eu sempre vou ter a minha versão, o Dario vai ter a dele, e vai ter de repente a verdade. Ali com certeza o Dario não queria bater comigo e eu não queria bater com ele. Quando eu vi o Darren Manning vindo atrás de mim, eu já tinha passado ele na largada, mas ele vinha muito rápido, eu só tentei fazer a curva ao lado do Dario para proteger a minha posição. A intenção não era passar ele. E num circuito de rua tão apertado como aquele a gente acabou se chocando. Mas eu acho que foi um acidente de corrida. E para que a gente vai ficar tentando achar quem errou nesse momento já que já foi, já aconteceu, então deixou para lá. Eu acho que dei espaço suficiente, ele acha que o carro dele saiu de frente e ele poderia ter evitado. A gente conversou no final da corrida e a culpa foi 50% para cada lado", disse o piloto. "Eu sabia que eu tinha um carro bom, mas eu sabia que as minhas chances de ganhar a corrida naquele momento seriam muito mais difíceis porque era uma pista muito difícil de passar. Naquele momento foi mais manter a calma e dizer vamos lá correr atrás do prejuízo agora. Pela minha carreira inteira, eu sempre tive momentos de muita dificuldade e sempre me saí bem. É uma situação que eu sei como usar a meu favor, eu sei como tirar proveito dela, então foi difícil, foi realmente uma corrida que eu tive que correr muito atrás porque era difícil de passar. Mas naquele momento na minha cabeça eu só pensava em manter a calma e correr atrás. Sempre achando que eu podia ganhar a corrida, mas que seria muito difícil", comentou Kanaan. "Com certeza eu teria mais chances se não tivesse batido. Dizer que eu ganharia a corrida ou outro piloto eu não sei, mas com certeza o meu carro estava bom. Eu teria muito mais chances de botar pressão no Helinho e no Dixon do que do jeito que foi a corrida. Mas se é muito vago. Em corridas, dá para a gente tentar achar um se em qualquer coisa, então é difícil eu falar, mas eu acho que o meu carro era tão competitivo quanto o deles, com certeza", afirmou o brasileiro. "A gente sabia que não ia ser um domínio da Ganassi. Sabia também que eles vão ser muito difíceis nesses ovais de uma milha e meia, aí vai ser mais complicado. Mas foi um alívio porque a gente sabe que está tão competitivo quanto eles em algumas pistas, e em algumas outras não. Então a gente vai ter que trabalhar bastante nos ovais de uma milha porque realmente está complicado", contou Kanaan. Castroneves vence em Saint Petersburg "Aconteceu no último final de semana a primeira vitória brasileira em uma categoria de ponta em 2007. Veio com o Hélio Castroneves na segunda etapa da IRL lá nas ruas de Saint Petersburg. Foi uma corrida bastante disputada, bem diferente daquela que a gente viu na abertura do campeonato, que teve um domínio total da Ganassi. Só que lá nas ruas de Saint Petersburg, na Flórida, tudo foi bem diferente. "A gente tinha falado na semana passada que a corrida de Homestead havia sido ruim, mas essa foi boa. O Tony teve esse enrosco na largada com o Dario Franchitti, caiu lá para trás e veio fazendo essa corrida de recuperação que ele explicou pra gente. O Helinho em nenhum momento foi ameaçado pelo Dixon, conseguiu sempre manter uma boa vantagem. O Dixon tentou colocar alguma pressão no Helinho, e numa pista de rua essa é a melhor tática, tentar forçar um erro do adversário. Mas o Helinho se manteve bem e acabou levando essa vitória. Foi a primeira dele na temporada e a segunda seguida em Saint Petersburg. O Dixon foi o segundo, e o Tony o terceiro. A partir daí uma seqüência de pilotos da Andretti, com o Marco Andretti em quarto e o Dario Franchitti em quinto. E o Vítor Meira, outro brasileiro na prova, terminou em 16º". "Vamos esperar agora, com o Tony disse, que o campeonato seja um pouco mais equilibrado do que foi a primeira corrida. E acho que vai ser. Talvez a gente tenha exagerado um pouquinho depois do bom resultado da Ganassi na primeira etapa". "Não sei se os brasileiros se dão melhor em circuitos mistos do que em ovais, mas eles com certeza se dão melhor que os americanos em circuitos mistos. Isso sim, porque afinal eles têm essa formação. São pilotos que ainda pegaram o tempo de categorias de monopostos fortes aqui no Brasil. Correram F-Chevrolet, F-Ford, em circuitos como Interlagos, Jacarepaguá, Campo Grande, Brasília, Tarumã, todos esses circuitos que temos pelo Brasil. Então são pilotos formados nesse tipo de corrida. E quando chega a hora, eles fazem valer essa tradição". "São características completamente diferentes. No circuito oval, você não pode errar um milésimo de segundo. Se errar, vai para o muro, não tem conversa. Em circuito misto, não. Por esse ponto-de-vista, o oval é mais complicado. Por outro lado, no circuito misto você precisa fazer curva para os dois lados, o piloto precisa ter uma técnica maior do que no circuito oval. São dois tipos de corridas diferentes, mas eu acho que o que a IRL está fazendo de tentar uma mescla é bem legal. Quando a IRL se separou da ChampCar, ela se concentrou muito em oval. Mas a partir do ano passado começou a diversificar, e acho que esse é o caminho certo. E não é por coincidência que a ChampCar está cada vez mais sendo deixada de lado no gosto do público americano". F-1 na Malásia "O Kovalainen conseguiu um alívio depois do resultado desastroso na Austrália. Ele foi para a Malásia, onde a semana passada as equipes treinaram por quatro dias. Era para ser apenas três dias, mas como choveu muito na quinta-feira, todas as equipes menos a Toro Rosso andaram até a sexta-feira. O Kovalainen foi o mais rápido na sexta-feira, 1min35s07 o tempo dele, que tirou um pouco de pressão nos seus ombros, mas não foi o melhor tempo da semana não. O melhor da semana foi o outro finlandês, Kimi Raikkonen, que na quarta-feira fez 1min35s02, uma volta muito boa dele, que venceu a primeira etapa e é o líder do campeonato. Na terça-feira, o mais rápido foi o Kubica, da BMW, com 1min36s01, e na quinta foi o Lewis Hamilton, da McLaren, mas foi um treino meio perdido porque choveu muito e as equipes andaram pouco". "O fato é que o Kimi Raikkonen tem um carro muito bom, mostrou isso, está com muita vontade, é um piloto excepcional, mas está com uma pulga gigantesca atrás da orelha por causa do motor. Hoje ele explicou bem esse problema em um comunicado oficial da Ferrari. Nas voltas finais lá na Austrália, a equipe detectou um superaquecimento do motor causado por um vazamento de água. Só que o problema é que ele estava sem rádio, então a equipe avisou pela placa, escrevendo 'cool' para que ele reduzisse o ritmo. Ele conseguiu vencer a prova, mas agora fica essa grande dúvida se ele vai ter motor ou não para a Malásia". "Se ficou só no vazamento de água, tem como a Ferrari consertar sem ter que trocar o motor, ele pode ir para os treinos e para a corrida sem muito problema. Mas se esse vazamento acabou afetando outras partes do motor, aí é problema para o Raikkonen no treino classificatório. Ele vai largar em 11º, 12º lugar, mas largar com um motor fresquinho na Malásia, naquele calorzão, pode acabar sendo um bom negócio porque mais gente vai quebrar lá na frente e, com as posições que ele naturalmente vai ganhar, pode ser vantajoso. E aí o favoritismo dele para a corrida, assim como o favoritismo do Alonso e o do Massa, não está abalado". "O Massa disse que a Ferrari tem sim um carro muito bom, mas para as pessoas não esperarem tanto como vêm esperando. Segundo ele, a Ferrari tem um carro do mesmo planeta que os demais carros da F-1, então o Felipe está tentando tirar um pouco do peso das costas dele. É claro que o que aconteceu na Austrália não foi culpa dele, mas ainda há muita pressão sobre ele. O Felipe é um garoto tranqüilo, que não se deixa levar, mas quanto menos pressão melhor, isso sempre atrapalha um pouquinho". Perguntas dos internautas "O Leandro Sabóia disse que eu só posso estar brincando ao dizer que o resultado do GP da Austrália foi péssimo para o Massa. Eu reafirmo, o resultado foi péssimo, o que não quer dizer que ele fez uma péssima corrida. Ficar lá atrás e conseguir marcar pontos, é um resultado pessoal muito bom dele. Mas quando você vê o Raikkonen e o Alonso lá na frente, aí sim é um resultado que ficou feio para o Felipe Massa". "O Eric Simões tem uma teoria. Segundo ele, o Brasil inteiro pega muito no pé do Rubens Barrichello. E se a F-1 era dividida em duas categorias, o Schumacher na categoria A e o resto na categoria B, na opinião dele deveríamos considerar o Barrichello bicampeão mundial na categoria B. Acho que nem a família Barrichello pensou nessa tese. Talvez se ele mandar um pedido para a Fifa, uns recortes de jornais, talvez a Fifa considere o Rubinho campeão mundial". "E o Sílvio perguntou se a gente não acha que o Felipe Massa é o Rubens Barrichello disfarçado de campeão mundial. A gente supõe aqui que o Sílvio ache o Rubens um mau piloto. O Rubinho é um bom piloto, não ganhou e não vai ganhar um título mundial. O Felipe Massa eu acho que até por ter chegado na equipe em um momento melhor, em outras condições, é outra história. Acho que a única comparação entre os dois é que são brasileiros que sentaram na Ferrari. São dois pilotos de estilos diferentes, o Felipe é mais agressivo, não pensa muito antes de ir para cima, o Rubinho às vezes irrita um pouco de medir demais as manobras. O Felipe é um pouco mais ousado, e a Ferrari gosta de pilotos assim, mas acho que essa comparação entre os dois não cabe".
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