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Esporte

08/05/2007 - 18h36
Veja entrevista com Rodrigo Sperafico, líder da Stock Car

Veja o programa em vídeo

Da Redação
Em São Paulo


O piloto paranaense Rodrigo Sperafico foi o convidado especial do "Pit Stop" desta terça-feira no UOL News. Vencedor da segunda etapa da Stock Car, no último domingo, em Curitiba, ele falou sobre a corrida, sobre o campeonato da categoria e sobre outros assuntos do automobilismo, como a MotoGP, o Mundial de Turismo e a F-1. Leia abaixo os principais trechos do programa:

Stock Car equilibradíssima
"O Rodrigo vai dizer que foi uma corrida fantástica, mas na verdade foi uma corrida meio chata", opinou o comentarista Fábio Seixas.

"Para mim, foi suada. Estava muito calor lá dentro, e eu sofri pressão a corrida inteira. O Thiago Camilo não chegou a ameaçar, mas eu não podia cometer erro algum porque perderia a posição. Foi uma corrida de muita concentração. Lá para trás teve uma bagunça boa, bastante toques, mas o pessoal da frente estava bem constante e rápido, então ali não deu muito pega", comentou Sperafico.

"Foi a minha primeira vitória na Stock Car, então para mim e para a minha equipe foi fantástico. A gente não imaginava porque chegamos só em décimo na primeira corrida, em São Paulo. Nosso objetivo era pontuar porque a gente quer se classificar entre os dez que vão disputar a Super Final. Mas melhor impossível. Acho que pole position, vitória e liderança do campeonato não tinha nem como encomendar para o Papai Noel ainda", brincou o piloto.

"A minha preocupação era tentar manter a posição na largada porque eu sabia que depois seria um pouco mais fácil tentar defender a posição só do Thiago Camilo. E foi o que aconteceu. Eu, o Thiago, o Cacá, o Zonta e o Khodair estávamos em um ritmo muito bom, cinco carros em um espaço de dez segundos, todo mundo atrás daquela vitória e ninguém podia vacilar. O Zonta me impressionou um pouco porque ele não tinha experiência de corrida e se manteve ali. Infelizmente, ele teve um problema no carro e acabou tirando também o Cacá da corrida. Tivemos um safety car faltando uma volta para o final, e foi uma preocupação porque eu liderei a corrida inteira e podia perder tudo na relargada. Mas acabou tudo bem e eu consegui cruzar a linha de chegada", contou Sperafico.

"As equipes ficaram cinco meses paradas, muitos pilotos mudaram de equipe, não existe treino na categoria, os pneus são novidade total e a gente não teve tempo para testar. Então todo mundo entrou na pista em São Paulo tentando descobrir o que ia acontecer com o carro e muita gente foi para Curitiba ainda tendando achar esse acerto. Mais pra frente todo mundo vai achar, aí a competitividade vai aumentar muito mais do que já está agora. O passo à frente que a gente deu é que estamos achando o acerto mais rápido que outras equipes", explicou o líder do campeonato.

"É sempre um choque você fazer uma mudança radical. Realmente, o pneu nacional é mais lento. E para os pilotos perder velocidade é ruim. Só que era necessário porque os pneus do ano passado não eram confiáveis, eles não estavam durando uma corrida, estava ficando perigoso, eles estavam estourando. Estava dando diferença nos compostos e isso estava desequilibrando o campeonato. Em uma corrida a gente andava bem, na outra andava mal. E não entendia o porquê. Depois fomos descobrir que eram os pneus. Então, foi preciso mudar. No início, foi uma chiadeira geral porque estava ruim mesmo, não tinha grip. Mas está todo mundo se adaptando, em Curitiba já foi um pouco melhor, e a tendência é ir melhorando a aderência do carro para todo mundo", disse Sperafico.

"Agora vamos para Campo Grande no dia 3 de junho, temos aí um mês de folga. Folga não, né, porque as equipes estão trabalhando duro para tentar diminuir essa diferença para os ponteiros, todo mundo querendo ponto para disputar a Super Final que vai decidir o campeonato", afirmou o piloto, que terá de esperar o fim de semana da corrida para voltar ao carro, já que os testes são proibidos na Stock Car.

"Isso é péssimo para todo mundo porque o piloto fica muito tempo parado, a equipe não pode desenvolver o carro, você fica numa ansiedade querendo logo uma corrida para tentar recuperar o prejuízo da corrida anterior. É complicado, só que isso tudo faz parte de um pacote para evitar custos na categoria, que estavam muito altos. Mas isso também aumenta a competitividade porque mostra a capacidade de pilotos, equipes e engenheiros trabalharem em um curto prazo de tempo", explicou Sperafico.

O atual líder da Stock Car é o herdeiro de uma antiga tradição de família. "Começou com o meu pai em 1973, se não me engano. Somos em nove pilotos na família, hoje correndo estamos em quatro. A gente já chegou a correr em sete no mesmo, um na F-Truck, um no kart, outro nos Estados Unidos, F-3000. Só que tem gente que agora só acompanha. São três hoje na Stock Car, o Rafael na Light, eu e o meu irmão (Ricardo) na V8. E tem o Guilherme no kart ainda tentando descobrir o seu rumo", completou.

Casey Stoner absoluto na MotoGP
O australiano Casey Stoner, da Ducati, venceu a quarta etapa da temporada, realizada na China, no domingo. Foi a terceira vitória do piloto em quatro etapas na temporada. Ele lidera o campeonato com 86 pontos, 15 à frente do italiano Valentino Rossi. O brasileiro Alexandre Barros sofreu um acidente na largada, caiu para penúltimo lugar e só terminou em 14º.

"O Valentino largou na pole, mas a primeira volta foi bastante movimentada e ele perdeu essa posição para o John Hopkins logo na largada. Depois o Rossi recuperou a ponta ainda na primeira volta, mas depois ele perdeu a posição para o Casey Stoner e não alcançou mais. O Rossi repetiu aquilo que a gente viu em outras etapas do campeonato. Ele foi muito rápido no miolo, mas nas retas acabava perdendo velocidade e se desgarrando dessa perseguição ao Stoner", comentou Fábio Seixas.

"Quem imaginava uma disputa fácil para o Valentino, pode começar a mudar de idéia. O Valentino está chegando, ele não está vencendo corridas, mas está fazendo poles e sendo rápido. O problema dele é que a Ducati parece estar se dando melhor com os pneus do que a Yamaha", explicou o comentarista.

Brasileiro lidera o Mundial de Turismo
Brasileiro que está bem é Augusto Farfus Jr., que assumiu a liderança do WTCC, o Mundial de Turismo, no último fim de semana. "Lá na Holanda, em Zandvoot, ele foi segundo numa prova e quinto na outra, foi a segunda rodada do WTCC, e com isso ele lidera o campeonato de forma isolada, 28 pontos contra 22 do alemão Jorg Müller, piloto de testes da F-1. Os dois são companheiros de equipe e pilotam carros da BMW, que está sobrando nesse início de campeonato", disse Fábio Seixas.

"É um campeonato interessante, uma das maiores categorias do mundo, são montadoras que estão ali disputando o título. É rodada dupla em todas as corridas, então é importante você ser constante também. Por exemplo, o Augusto venceu em Curitiba e agora não obteve vitórias, mas está pontuando constantemente e isso no final dá uma diferença boa", analisou Rodrigo Sperafico.

25 anos sem Gilles Villeneuve
Há exatos 25 anos, em 8 de maio de 1982, nos treinos para o GP da Bélgica, em Zolder, morria o piloto canadense Gilles Villeneuve. "A gente era garoto quando aconteceu. O Gilles Villeneuve tinha então 32 anos, pilotou praticamente toda a carreira pela Ferrari, desde 77 a 82, e acabou morrendo durante os treinos de sábado após bater no March de Jochen Mass", contou Fábio Seixas.

"Foi um acidente horrível. O Villeneuve foi catapultado para fora do carro, não teve nenhuma chance de sobreviver e morreu ali mesmo no circuito. Na verdade até o acidente do Senna, a F-1 não havia vivido um choque tão grande como esse do Villeneuve, que era um piloto bastante agressivo e não conquistou título mundial. Em 82, muita gente apostava que ele tinha boas chances de lutar pelo título. Ele morreu no início da temporada, mas ficou como uma das grandes lendas do automobilismo", explicou o jornalista.

"O nome Villeneuve depois ganhou um título da F-1 com o Jacques, mas ele não gostava muito de falar no pai não. Quando ele chegou, a grande curiosidade era ouvir o Jacques contando as histórias do pai. Eu também não lembro muito do Gilles Villeneuve correndo, mas o Jacques não era tão talentoso como ele. Eram outros tempos, mas quem quiser conferir está cheio de bons momentos do Villeneuve no YouTube", disse Seixas.

F-1 se prepara para Barcelona
"A Ferrari foi muito bem nos testes da semana passada. O Raikkonen andou muito bem, o Felipe Massa andou muito bem no dia em que teve a chance de testar. Várias equipes testaram novas asas dianteiras, a McLaren primeiro, depois a Honda apareceu com uma mais feia ainda. E o curioso foi uma declaração do Franz Tost, diretor da Toro Rosso, de que a grande revolução não foi de nenhuma delas, e sim da Ferrari, que não é nada muito evidente, mas é uma questão de carenagem do motor e desenho do assoalho. Segundo ele, a Ferrari ganhou um segundo em cima da McLaren com essas alterações", contou Seixas.

"Eu estou impressionado com a McLaren. Nos últimos três anos, ela sempre foi rápida, mas não terminava corridas, quebrava o motor. Está me impressionando a constância dela neste ano, em todas as corridas ela colocou seus pilotos no pódio. Eu acho que este ano está entre Ferrari e McLaren, até a Renault e a BMW começarem a evoluir, o campeonato vai estar muito além", comentou Rodrigo Sperafico.

"O Alonso sabe que ainda não pode ganhar da Ferrari, o companheiro dele está andando na frente e ele está na Espanha. É lógico que o cara quer uma vitória, mas ele tem que passar todos esses obstáculos e ainda agradar ao público", completou o piloto paranaense.

"O Alonso não é muito chegado a ficar dando autógrafo e tirar foto com fã. Ele já declarou isso algumas vezes, mas vai ter que passar por isso, ainda mais na Espanha. Na corrida, o controle é muito maior, só entra no paddock quem tem credencial. Mas em teste é aquela festa, por isso o Alonso não estava muito contente na semana passada", explicou Seixas.

"Mas eu estou com o Rodrigo. Ele sabe que está alguns passinhos atrás da Ferrari. E eu acho que não vai ser neste final de semana que ele tira essa diferença. A Ferrari ainda é a favorita à vitória, com o Raikkonen ou com o Felipe. Vai depender muito de quem se der melhor nos treinos, principalmente no classificatório de sábado, quem sair na frente é o favorito", completou.

Perguntas dos internautas
"Temos duas perguntas hoje, aliás uma pergunta e um elogio. Até que enfim um elogio", brincou Fábio Seixas. "O Fernando Carmona fala justamente sobre o Villeneuve e conta que tinha uma Ferrari de autorama naquela época, que chamava o Gilles de Giulieta e que até hoje tem esse carrinho guardado. Ele também diz que acha o Pit Stop um programa excelente", contou.

"E a Carla Cristina Araújo pergunta para o Rodrigo se ele tinha um ídolo no turismo?", perguntou Seixas. "Eu sempre olhei para a F-1. Mas no turismo eu acompanhava bastante a DTM alemã, que na época era o campeonato mundial de turismo. Eu olhava muito o Bernd Schneider, aqueles carros saindo faísca para todo lado", revelou Sperafico.

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