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Esporte

15/05/2007 - 17h58
Manobra limpa sobre Alonso marca a "virada" de Massa

Veja o programa em vídeo

Da Redação
Em São Paulo


A vitória do brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, no GP de Barcelona, na Espanha, no último fim de semana, foi o grande destaque do "Pit Stop" desta terça-feira no UOL News. Para o comentarista Fábio Seixas, a manobra de Massa sobre o espanhol Fernando Alonso na primeira curva foi "limpa" e marcou a virada do brasileiro no Mundial de F-1.

O programa também abordou as 500 Milhas de Indianápolis, que definiu os primeiros colocados do seu grid de largada, com os brasileiros Hélio Castroneves e Tony Kanaan em primeiro e segundo, respectivamente. E o convidado especial do dia foi o piloto Lucas Di Grassi, que conquistou seus dois primeiros pódios na GP2 no último fim de semana. Leia abaixo os principais trechos:

Vitória polêmica em corrida chata
"Corrida chata é o que sempre acontece em Barcelona. O circuito é fantástico, a pista é moderna, mas pelo fato de equipes treinarem tanto por lá, acaba se tornando uma corrida chata, uma corrida previsível. Tanto que a gente já imaginava que a corrida seria decidida na primeira curva, e foi o que aconteceu", disse Fábio Seixas.

"A corrida durou uma curva, aqueles metros até a primeira curva, o Felipe Massa estava por dentro, na trajetória dele, no traçado dele. O Fernando Alonso tentou por fora e aí por fora, é claro, o Felipe não aliviou. Por fora, a preferencial toda é do piloto que está por dentro. O Felipe poderia ter aliviado, poderia ter evitado o toque, mas aí perderia a posição e não era isso que ele queria", afirmou.

"E aí não aconteceu mais nada na corrida. Foi a quarta vitória do Felipe, a segunda dele na temporada. Se o Felipe ganhar o campeonato, se daqui a alguns meses estivermos aqui falando sobre o primeiro título do Felipe Massa na F-1, acho que a gente vai lembrar dessa corrida como o ponto de inflexão, o ponto em que as coisas começaram a mudar pro lado dele porque ele tomou uma atitude", comentou.

"Ele foi muito criticado pela manobra na Espanha, eu acho que isso é puro nacionalismo porque foi uma largada normal. É risco, F-1 trabalha no risco o tempo inteiro. E se os dois corriam esse risco de deixar a pista, a origem disso foi o Alonso ter tentado passar o Felipe Massa por fora. A gente criticou o Felipe nos momentos em que ele errou, como na Malásia, mas acho que desta vez ele foi perfeito. E da próxima vez o Alonso não vai tentar de novo, ou vai pensar duas vezes. Acho que isso é muito bom para um piloto, ele tem que impor respeito e mostrar que está lá para competir. Outros já sucumbiram na F-1 porque não fizeram isso", lembrou Seixas.

"E é o que vem fazendo o Hamilton. A gente foi um pouco cuidadoso para elogiar o Hamilton, até porque já vimos muitos pilotos começarem bem e depois se perderem pelo caminho, mas acho que hoje já dá para classificá-lo de fenômeno por conquistar quatro pódios em quatro corridas, ser líder do campeonato com 22 anos de idade, o mais jovem nos 58 anos de história da F-1, e também pela agressividade que mostrou desde que começou", declarou o comentarista.

"O campeonato começa a se desenhar entre esses quatro pilotos. O Raikkonen começou a se desgarrar, a ficar um pouquinho para trás, e até nisso o jogo virou a favor do Massa. Como a gente comentou depois do GP da Austrália, que se o Felipe não se cuidasse, o Raikkonen tomava conta, agora a situação se inverteu. Se o Raikkonen não se cuidar, se ficar atrás do Massa em mais duas ou três corridas, a gente sabe como a Ferrari trabalha, o Felipe vai receber a prioridade, o tratamento de primeiro piloto e aí sim será candidatíssimo ao título mundial", projetou Seixas.

"O Schumacher apareceu por lá na sexta-feira, primeiro em trajes civis, com uma camisa florida, pois ele é sempre extravagante para se vestir fora das pistas. Depois colocou o uniforme da Ferrari e deu uma entrevista coletiva. Ele disse que ainda não sabe qual vai ser o seu futuro, mas está acompanhando tudo de perto. O Mario Almondo, diretor técnico da Ferrari, disse que a equipe ainda tem muito a usar da experiência do alemão e que ela foi útil no fim de semana. O fato é que ele está dando os seus pitacos na Ferrari e esses pitacos ajudaram a equipe nessa corrida", contou.

"Mônaco é complicado, não dá para tirar muita conclusão porque é uma pista de rua, uma pista super estreita. Mais até do que Barcelona, quem larga na frente tem vantagem. Depois de Barcelona, é o circuito com menos ultrapassagens na F-1. Acho que depende muito do acerto que as equipes conseguirem lá na quinta-feira, lembrando que a programação é diferente, com treinos na quinta, folga na sexta e definição do grid no sábado. Acho que depende muito do que as equipes conseguirem na quinta-feira. O Felipe conquistou cinco poles nas últimas seis corridas, se mantiver isso, é um grande nome para largar na frente e vencer a corrida", explicou.


500 Milhas de Indianápolis
"É engraçada essa relação do Hélio Castroneves com Indianápolis. Às vezes ele nem está fazendo uma boa temporada, mas em Indianápolis ele se dá muito bem. É a segunda pole position dele lá, a primeira foi em 2003. Pouquíssimos pilotos conquistaram duas poles lá, e ele já venceu duas vezes, já tem dois daqueles anéizões de vitorioso em Indianápolis, ganhou em 2001 e 2002. Além do Helinho, o Gil de Ferran ganhou as 500 Milhas em 2003, e o Emerson Fittipaldi, que abriu o caminho para toda essa turma vencendo em 1989 e 1993", disse Seixas.

"O Tony vai largar em segundo. O Helinho já ganhou duas vezes, por isso eu gostaria de ver o Tony ganhar essa corrida porque ele já bateu na trave algumas vezes. É um piloto muito regular, que sempre anda muito bem lá, mas não leva muita sorte em Indianápolis, quem sabe este ano não é o ano do Tony nas 500 Milhas", afirmou.

"A gente já viu piloto largar em último lugar e vencer as 500 Milhas. A pole position é mais um símbolo do que realmente algo que traga maiores chances para o piloto. 500 milhas num circuito oval, com 33 carros largando, é um Deus nos acuda. É claro, é uma vantagem, em termos de grana, de premiação, é uma boa, e está lá na história. Mas os 33 começam com chances iguais de vencer a corrida", explicou.

Senna vence na GP2, Di Grassi faz dois terceiros
"Foi um resultado muito bom para o Bruno Senna, que chegou agora à GP2, ano passado ele estava na F-3 Inglesa. Na sua terceira corrida, ele já vence e vai ganhando cada vez mais cartaz na Europa. E o Lucas, que desencantou. Ele teve um ano complicado em 2006, mas este ano já começou com uma estrutura melhor pela ART e conquistou os dois primeiros pódios da carreira dele no final de semana", disse Seixas.

"Não diria que tirei um peso dos ombros, mas foi bom ter feito os meus dois primeiros pódios, os dois primeiros pódios da equipe este ano também. Isso dá uma motivação a mais, principalmente para os engenheiros e mecânicos continuarem trabalhando para termos condições de lutar por mais pódios e até vitórias ao longo do campeonato", comentou Di Grassi.

"O campeonato está muito no começo. A gente teve dois finais de semana até agora. São mais nove pela frente. Então, é difícil fazer uma previsão, mas dá para esperar muitas mudanças. Vendo pelos anos anteriores, como 2005 e 2006, às vezes o pessoal começa o campeonato bem e termina mal. E outros começam mal e terminam muito bem, que foi o caso do Nico Rosberg, em 2005, que hoje pilota a Williams. Ele começou muito mal o campeonato, mas nas últimas seis provas ele ganhou quase todas e foi campeão. Então, é um campeonato de consistência, de constância, que tem muito pela frente", disse o piloto.

"A GP2 é a categoria mais próxima da F-1 hoje em dia, em termos de tempo e também de qualidade de pilotos. Tem bastante gente tentando uma segunda chance na F-1 e tem novos talentos, como o Hamilton, o Nelsinho, o Kovalainen, o Rosberg que fizeram sucesso e hoje estão na F-1. Foi mais do que provado que quem anda bem, quem consegue terminar o campeonato bem na GP2, tem qualidade e potencial para andar na F-1", afirmou Di Grassi.

"Estou nesse programa da Renault há quatro anos, que é o mesmo que o Kovalainen fez antes de virar piloto de testes no ano passado. A tendência normal é continuar na Renault, pois desde que eu vim para a Europa corro para eles. Por enquanto, estão satisfeitos com o resultado. O problema é que é difícil testar para a F-1 este ano pela quantidade de testes que a Fia liberou para os times. E mesmo o piloto titular de testes, que é o Nelsinho, tem andado muito pouco. Então sobra muito pouco espaço para eles colocarem novos pilotos para testar. Eles estão tentando mudar isso para a próxima temporada porque as equipes serão obrigadas a tirar o controle de tração, então precisarão de mais testes. Se isso acontecer, a chance de testar de F-1 é muito boa e, se o teste for bom, também é boa a minha chance de subir de categoria", revelou.

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