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18/09/2007 - 15h51 Título de Raikkonen faria justiça ao "doping" da McLaren Veja o programa em vídeo
Da redação Em São Paulo Depois que o Conselho Mundial da FIA decidiu não punir severamente a McLaren por ter utilizado informações roubadas da Ferrari, a esperança de que seja feita justiça na F-1 em 2007 está nas mãos do finlandês Kimi Raikkonen. O companheiro de Felipe Massa é a maior ameaça aos pilotos da equipe inglesa na disputa pelo título mundial. Leia abaixo os comentários de Fábio Seixas no "Pit Stop" desta terça-feira: "Acho que mais até do que o veredicto, o que mais chocou todo mundo foi a transcrição das conversas entre o Fernando Alonso e o Pedro de la Rosa que foram divulgadas pela FIA na sexta-feira. A gente tinha conversado aqui na quinta e dito que havia sido uma meia pizza, isso deixou claro que foi uma pizza inteira e com todas os ingredientes e coberturas possíveis". "A melhor comparação que eu consegui imaginar para o que aconteceu na F-1 é o doping. A McLaren está correndo esta temporada dopada porque o Alonso sabia, por exemplo, a volta em que o Kimi Raikkonen ia parar no GP da Austrália. Ou seja, na primeira prova da temporada, ele já sabia o pit stop do Raikkonen, o que mostra que a história já estava rolando antes do começo da temporada. O Alonso conversa com o De la Rosa sobre a distribuição de peso do carro da Ferrari, sobre o sistema de freios, sobre um gás que a Ferrari usa nos pneus para diminuir a temperatura interna e evitar a formação de bolhas. Isso é o que a gente sabe. Então, a McLaren correu dopada a temporada inteira, mas ficou mais chato ainda porque, diferente do que acontece no atletismo, em que a gente só fica sabendo depois da prova, a gente sabe disso durante a temporada, todo mundo ficou sabendo e, pior, nada foi feito. Quem podia punir soube de toda a trapaça e nada aconteceu, foi uma vergonha". "Vamos imaginar que, na melhor das hipóteses, o Lewis Hamilton não sabia de nada. Ele usou um carro que tinha a distribuição de peso roubada da Ferrari, ele usou um carro que provavelmente usou nos pneus esse gás que evita a formação de bolhas nos pneus, ele conquistou pontos porque carregava no carro informações e dados que eram originais da Ferrari. Tudo isso ficou escandarado nas conversas entre o Fernando Alonso e o Pedro de la Rosa, que são dignas de grampos telefônicos das altas esferas de Brasília, que também não dão em nada". "Ficou feio e ficou chato para quem gosta de esporte. A Ferrari conquistou no último domingo o título mundial de construtores, o 15º de sua história, mas foi tão sem graça que eles pareciam ter chupado um picolé de chuchu, para usar a expressão do José Simão. O campeonato ficou chato e, se a gente ainda prevê algum entusiasmo, é por esse renascimento da Ferrari após o GP da Bélgica". "A manobra do Alonso sobre o Hamilton na largada não teve nada demais, ninguém alivia na F-1, ninguém tem que aliviar. Mas é um indicativo de que uma hora ou outra os dois podem se enroscar. E tudo o que o Raikkonen precisa é de um abandono dos carros da McLaren, o que até agora não abandonou. Até agora foram 28 largadas e 28 chegadas, e num campeonato em que o regulamento privilegia tanto a regularidade, isso é péssimo para quem está atrás. Se o Raikkonen continuar lá na frente, fazendo a parte dele, caso a McLaren não faça a sua parte, aí sim vamos ter um final de campeonato com chances reais de título da Ferrari. Acho que se o Raikkonen ganhar esse campeonato, pelo menos um pouquinho de justiça, ainda que por vias tortas, será feita".
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