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11/12/2007 - 17h43 FIA aprovou pneus no local de acidente que matou Rafael Sperafico Veja o programa em vídeo
Da redação Em São Paulo A morte do piloto Rafael Sperafico durante prova da Stock Car Light, no último domingo, em São Paulo, foi o assunto principal do Pit Stop com Fábio Seixas desta terça-feira. O programa teve a participação especial de Chico Rosa, administrador do autódromo de Interlagos, que falou sobre a segurança do circuito. Além disso, Seixas falou sobre o fim da novela Fernando Alonso, que confirmou sua volta à Renault em 2008. Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Chico Rosa e os comentários do colunista do UOL News: Nem tanque de guerra escaparia "A morte do Rafael Sperafico, piloto de 27 anos, que disputava a Stock Car Light, a última etapa do campeonato, no final de semana que encerrava o calendário do automobilismo no Brasil. Um pouco antes, o primo dele, o Rodrigo Sperafico, havia se sagrado vice-campeão da categoria principal da Stock. E logo depois aconteceu essa tragédia em Interlagos. O Rafael Sperafico escapou da pista na quinta volta, acabou batendo na barreira de pneus na Curva do Café, ali já entrando na reta dos boxes, voltou para a pista e aí foi acertado pelo carro do Renato Russo, que vinha acelerando, em alta velocidade, era uma relargada, e acabou pegando bem no meio do carro do Rafael. Ali, não tinha muito o que fazer, fosse um carro de qualquer categoria, de F-1, de IRL, de ChampCar, fosse um tanque de guerra como disse o piloto da Stock Car Antônio Jorge Neto, o final seria o mesmo. Naquele ângulo, com aquela velocidade, com aquela dinâmica do acidente, não tinha como escapar". Acidente não faz de Interlagos uma porcaria "Desde que Interlagos foi reformado, no começo dos anos 90, quando a F-1 voltou a São Paulo, a Curva do Café sempre foi daquele jeito, com a barreira de pneus. Houve ali alguns acidentes, mais recentemente a gente lembra do Fernando Alonso, o Nico Rosberg bateu lá, o Stephan Sarrazin bateu lá também. Se você colocar tudo isso no papel, vai descobrir talvez que a Curva do Café era o ponto de maior incidência de acidentes em Interlagos. Mas qualquer pista do mundo, por mais segura que seja, sempre vai ter um ponto de maior incidência de acidentes. Nunca houve nada ali que chamasse a atenção da FIA para pedir uma alteração. E o autódromo foi muito elogiado por todos antes do GP de F-1. Então, não é por causa desse acidente que um autódromo que há dois meses era aplaudido por todos virou uma porcaria". Falhas da Stock não causaram o acidente "Tem muita gente confundindo as críticas que normalmente se faz à Stock Car e aproveitando esse acidente para dizer que a categoria não é segura. A gente vive metendo o pau aqui: é uma categoria inchada, que tem muitos pilotos que não deveriam estar nem na Light, tem muita equipe que não tem gabarito para estar disputando o campeonato, o carro não é o mais seguro do mundo. Mas nada disso foi determinante para o acidente. Agora, dá para melhorar? É claro. Se Interlagos usar o que os americanos chamam de 'safe barrier', que absorve o impacto de uma maneira melhor, não se desmancha como os pneus e, em vez de mandar o carro de volta para a pista, ele vai 'lambendo' o muro, talvez seja uma solução interessante. Mas nunca houve nenhuma determinação da FIA, nunca houve ninguém que levantasse a voz antes do acidente para dizer que aquele lugar era perigoso". Polêmica sobre a segurança "Foi uma fatalidade que chocou todo mundo que gosta de automobilismo e que acompanha esse esporte. E também um acidente que causou uma certa polêmica sobre as condições de segurança de Interlagos e da Stock Car. Acho que essa é um dos objetivos do programa de hoje, debater esses assuntos e, para isso, nós entrevistamos o Chico Rosa, administrador do autódromo de Interlagos". Triste fatalidade "Eu vejo o acidente como uma triste fatalidade. Provavelmente, se fosse só a batida na barreira de pneus, nada teria acontecido com o Rafael. Mas a realidade foi que o fato de ele ter ido parar no meio da pista e ter sido atingido por outro carro naquela velocidade, era impossível que o resultado fosse diferente daquele", afirmou Chico Rosa. Barreira de pneus nunca foi contestada "A fiscalização, a vistoria da FIA é extremamente rigorosa. Aquela barreira está ali há muitos anos, já tivemos muitos acidentes ali. Existe alguma discussão sobre ter ou não pneus naquela posição. Para a F-1, eu acho que é necessário. Como o que baliza tudo é a vistoria da FIA para a F-1, a gente tem como norma seguir tudo o que eles fazem com tanto critério. A barreira estava lá como sempre esteve. É muito difícil dizer que o resultado seria diferente se ela não estivesse lá. Mas o fato é que a F-1 é extremamente exigente com a segurança, faz anos que aquilo está naquela posição", revelou Rosa. Planos de reformulação "Até então, a gente não tinha nenhuma intenção, nenhuma idéia de mudar aquilo. Agora, obviamente, essa coisa toda é muito dinâmica. Antigamente, eram telas de proteção. Hoje, são pneus. Antigamente, era brita; hoje, é asfalto. Então, agente vai evoluindo à medida que as coisas são pedidas e sendo reconhecidamente melhores. A gente não pensava em mudar, mas a repetição de pelo menos dois acidentes graves naquele local nos faz pensar se alguma recomendação nova poderia surgir. Nós temos duas opções: primeiro, afastar o muro em uma medida grande, o que envolveria desmanchar uma série de trechos de arquibancada, e isso nós nunca pensamos em fazer; segundo, tirar os pneus, que é uma coisa mais simples, mudar o muro de posição, um pouco para lá, um pouco para cá, tudo isso pode ser pensado. Mas até o domingo nós não estávamos preocupados com a questão da segurança naquele ponto do circuito", contou Rosa. Fim da novela: Alonso volta à Renault "Todo mundo já sabia, tudo indicava que o Alonso iria para a Renault, e com o Nelsinho Piquet como companheiro dele. É aquela velha história do bom filho à casa torna. Foi a Renault que o projetou, foi o Flávio Briatore que o tirou da Minardi e ali que ele começou a bater os recordes de precocidade, foi o piloto mais jovem a conquistar a pole, a ganhar corrida, um pouco menos do que o Hamilton fez este ano. E agora ele volta à Renault, tem um ambiente bom lá, embora tenha saído meio brigado no final de 2006, tinha história de gente na Renault trabalhando contra ele. Mas o fato é que depois de um ano massacrante na McLaren, em que ele não soube lidar com um companheiro de equipe como o Hamilton, vai ser um grande alívio para o Alonso. Não o coloco como um dos candidatos ao título em 2008, acho que uma vitória ou outra ele belisca, mas não a ponto de disputar o título mundial". O desafio de Nelsinho "E o Nelsinho Piquet vai ter um grande desafio porque não é nada fácil dividir uma equipe com o Alonso. Depois de tudo o que ele passou na McLaren, com certeza colocou todas as salva-guardas possíveis para evitar ser ameaçado pelo companheiro de equipe como foi neste ano. O Nelsinho já está até com um discurso muito comedido, mas quem conhece o Nelsinho sabe que ele está sendo obrigado a falar tudo aquilo. Ele não é esse cara que está falando em aprender com o Alonso, em orgulho de correr com um bicampeão mundial. Mas acho que esta é a postura certa agora. Ele tem sobrenome, é um piloto bom, não chega a me encantar, mas é um piloto que não vai sair fazendo besteira. Se ele não fizer besteira este ano, vai começar a construir um caminho mais tranqüilo na F-1".
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