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30/08/2005 - 22h10 "Melhor maneira de deixar a chupeta é gradativamente" Veja a entrevista em vídeo
Da Redação Deixar a chupeta não é um momento qualquer na vida da criança. Para Rosely Sayão, representa uma grande perda. Por isso, segundo ela, é melhor que aconteça de maneira gradativa, sem pressa. "Alguns pais que fazem essa troca de um dia para outro, falam que se a criança deixar a chupeta ganha isso ou aquilo. Não é errado. Mas, do modo de ver a criança, prefiro a troca devagar. Assim ela vai se 'despedindo' daquilo que ela vai perder. E esta é uma perda grande", ensinou Rosely no Momento Família desta terça. Respondendo à dúvida de um internauta (leia as perguntas e respostas do bate-papo), ela disse que as primeiras oportunidades de iniciar esse processo aparecem quando a criança começa a sair para a escolinha, a casa de parentes, etc. "Diga para ela: 'deixe a chupeta só para usar em casa'. Depois, 'só na hora de dormir'. E vai suprimindo... Até que um dia você chega e fala: 'Olha, você já está grandinha, isso é coisa de bebezinho...'", sugeriu a psicóloga. Segundo Rosely, cada criança dá um sentido à chupeta. "Um dos únicos reflexos com os quais a criança nasce é o de sugar. Para elas, é uma busca daquela sensação de segurança, de tranqüilidade. A chupeta é mais uma tranqüilidade para os pais do que para a própria criança. Quando ela está inquieta, a gente dá a chupeta e acalma." Tolerância a frustrações Administrar essa perda já é uma lição para a criança entre muitas que virão na vida. "Tem um filósofo espanhol que diz que uma das questões da educação é ensinar crianças e jovens a viver num mundo que não é justo. Sempre teremos injustiças porque há muita diversidade, relações de poder, não tem muito jeito...", lembrou Rosely. "A frustração é considerada uma questão superável. Trata-se de encontrar mecanismos não para deixar de sofrer -porque fazer de conta que não aconteceu nada é inviável-, mas para não ficar paralisado, estagnado." Pegar o bebê no colo é sempre certo? É possível educar desde cedo. No bate-papo, uma mãe perguntou ainda se pegar um bebê no colo sempre que ele chora poderia deixá-lo mimado. "Às vezes, é preciso deixar chorar, não necessariamente ficando longe dele. Chegue perto, fale algumas palavras suavemente, pode fazer uma massagem, sem tirar do berço. Agora, se você gosta de ficar com ele no colo, está liberada. Mas lembre-se que você tem a sua vida, seus afazeres -não pode ser 24 horas com ele." Como a criança lida com a morte Outra pergunta do bate-papo foi sobre uma criança de cinco anos que enfrenta a morte do irmão com fantasias de que vai "encontrá-lo no céu". A mãe questionava se deveria interferir nessa idéia. "Ele não entende direito o que é a morte no nosso sentido, no sentido de adulto", explicou Rosely. "Essa fantasia dele é um mundo imaginário e é absolutamente correto. Você não tem que mexer nisso, deixe a fantasia. É mais ou menos como os monstros que 'atacam' os quartos deles à noite, Papai Noel ou Coelho da Páscoa. Eles acreditam e fazem bem em acreditar." "À medida em que ele for crescendo, vai deixar sozinho essa fantasia. Não há motivo para preocupação. Talvez ele possa ajudá-la mais agora do que você a ele. Acreditar em algo nesses momentos de perdas é o que mais nos ajuda." Dica da Rosely "Exercícios da Criança" Autor: Manoel de Barros Editora: Salamandra "Um livro belíssimo, ilustrado com bordados. Para a criança que está prestes a aprender a leitura e a escrita, é um exercício maravilhoso. Para se ter uma idéia, no meio da história do menino que carregava água na peneira, Manoel de Barros diz: 'No escrever, o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo'." Clique aqui para ler leia as perguntas e respostas do bate-papo
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