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- Vai ao ar às terças

13/09/2005 - 17h40
Leia a íntegra do bate-papo com Rosely Sayão

Veja o programa em vídeo

Da Redação

No programa "Momento Família" desta terça-feira, a psicóloga Rosely Sayão conversou sobre problemas de relacionamento, questões familiares, educação dos filhos, escola e outras atribulações do dia-a-dia. Acompanhe as perguntas e respostas.


(03:55:31) Paula fala para Rosely Sayão: Só para não perder o costume!! Eu aqui de novo! Rosely eu A-D-O-R-O o programa!! Tem me ajudado muito (no mínimo, me faz pensar na educação do gorduchinho). Agora a mais nova dúvida que vem me atormentando, como ensinar para ele (está com 8 meses) a "interagir" bem com a raiva, se eu mesma não sei? Leio isso em vários lugares, concordo, afinal é normal sentir raiva em determinados momentos, a questão toda é como reagir a ela, e ai vem meu problema...

(04:13:50) Rosely Sayão: Paula, vc está com muita pressa, ele tem oito meses! Não sei se tem como interagir com a raiva, a gente tem que suportá-la. Os filhos aprendem que é possível superar sem destruir os outros naquele momento em que a gente diz que não pode fazer isso e aí ele diz pra gente que não gosta mais da gente. Ao ver que os pais continuam íntegros, bancando aquilo, é o maior aprendizado.


(04:02:50) julianodill pergunta para Rosely Sayão: oi!Rosely, como contar a uma criança sobre o falecimento de uma pessoa?E deve-se levar, criança em velorio ou é aquela coisa de falar para a criança que a pessoa viro um anjo e foi pro ceú e tal?

(04:03:00) Patricia fala para Rosely Sayão: Querida Rosely, como falar de morte com crianças pequenas??

(04:17:39) Rosely Sayão: julianodill e Patricia, neste fim de semana eu vi um filme maravilhoso que fala disso, se não me engano é "Quando os Anjos Falam". Tem uma frase linda no filme, em que a personagem diz que quando a pessoa morre a alma sai alegre do corpo como quando a criança sai da escola no final da aula. Bom, cada um tem seus mitos, sua religião. A morte pra criança é algo muito concreto, a tristeza dela, até os 6, 7 anos, não é igual à nossa. Ela constrói um mito e tem saudades. Conheço uma criança que acha que a vó virou uma estrela no céu, é bonito! O velório é um ritual de passagem que ajuda a passar por isso, tem que levar.


(04:08:09) ana fala para Rosely Sayão: tenho 34 anos e meu filho tem 2 anos e 11 meses . Você acha que a cr. que brinca muito tem uma chance de desenvolver mehor ?

(04:19:06) Rosely Sayão: ana, sim. Eu adoro uma frase que nem lembro mais de quem é: o trabalho da criança de até 6 anos é brincar. É assim que ela cresce, se desenvolve, aprende, a tarefa dela é brincar. Por isso não concordo muito com as escolas que ficam dizendo pra criança "agora é hora disso", "agora é hora daquilo"... Isso não é brincar...


(04:08:16) Luciano Santana fala para Rosely Sayão: Bater na criança assim como eu levei umas boas palmadas e agradeço por isso, é muitas vezes a solução?!

(04:21:01) Rosely Sayão: Luciano Santana, nós temos a mania de pintar com cores lindas o nosso passado, principalmente aquele que está lá atrás. Vc deve agradecer a educação, a autoridade que recebeu dos pais, tudo, menos os tapas. Tapa é autoridade física, quando já não há autoridade moral. Essa intimidação física, além de ser humilhante para a criança e para nós (bater num ser pequeno) tem um efeito efêmero. É só a gente lembrar das ditaduras, o quanto elas usaram de tortura e tiveram que aceitar que deveriam ter outro caminho.


(04:08:32) Tekka BH fala para Rosely Sayão: Olá Rosely. Tenho uma filha de 3 anos. Ela sempre prefere as outras pessoas do que eu e meu marido. POr exemplo, se vamos à uma festa, ela quer ficar dançando e de mão dada com outras pessoas, se vamos à uma loja, ela diz que quer ir embora com a vendedora. Nunca batemos nela e somos muito carinhosos. Por que será que ela age assim? Isso é ruim?

(04:22:53) Rosely Sayão: Tekka BH, sua filha deve ser muito inteligente e nessa idade eles sacam tudo rápido. Ela faz uma vez e percebeu que provocava algum efeito... Quero chamar a atenção para alguns aspectos. Como a família foi ficando restrita, a gente tem exigido muito amor deles. Pode ser um jeito de eles pedirem, não me sufoque, vou embora com quem me ama menos... Não se impressione, justamente por conta dessa relação amorosa muito intensa a gente dá valor demais a coisas muito corriqueiras.


(04:10:40) Mara fala para Rosely Sayão: Oi, Rosely! Será que vc poderia falar alguma coisa sobre a importância para uma criança pequena das brincadeiras que envolvam água e terra? Tenho uma filha de dois anos (eu tenho 42) e me preocupa bastante o fato de morarmos em apartamento e ela não ter nenhuma área verde por perto para brincar.Que diferenças há entre o desenvolvimento de uma criança que cresce numa casa com pátio com uma que cresce morando em apto?

(04:25:39) Rosely Sayão: Mara, não sou especialista no assunto, mas certamente há de haver diferença. Acesso à água e ao barro é maravilhoso. Quando a criança começa a controlar cocô e xixi, brincar com o barro sublima essa história de só fazer cocô na hora em que ela quer. A água e a terra remetem à mãe, aquela coisa do útero e tbém o banho que a mãe dava nos primeiros anos de vida. Quando a criança está muito irritada, coloca ela na água (bacia, banheira, o que for acessível a vcs) com uns brinquedinhos, e ela ficará muito relaxada. A argila também dá essa mesma idéia da terra. E tem escolinhas que têm esse tipo de espaço.


(04:10:57) Eugenia fala para Rosely Sayão: Rosely, boa tarde, tenho 39 anos, adotei um bebe menino qdo ele tinha apenas 40 dias, hoje ele tem quase 2 anos. Vou contar sobre a adoçao pq acho que é um direito dele, porém tenho medo de no futuro ele querer localizar a mae biologica. Qual a sua experiencia em situaçoes desse tipo? Sei que é insegurança minha, mas é melhor mesmo dar todas as informaçoes que tenho? Por exemplo: nome da mae biologica, o fato de ele ter uma irma mais velha, ...

(04:29:18) Rosely Sayão: Eugenia, esse tipo de curiosidade pode surgir na adolescência. É importante ele saber da história dele. Quando essa história é falseada, a relação fica falseada. Aos 2 anos eles está pronto para ouvir pela primeira vez. Pode dizer que ele nasceu na barriga de uma mãe e hoje mora no coração e na casa de outra mãe. Deve haver livros hoje que ajudem nisso.


(04:12:18) toninha pergunta para Rosely Sayão: boa tarde rosely.meu nome e antonia e gostaria de saber porque minha filha de 10 anos e meu filho de 6 brigam o tempo todo por qualquer motivo.e mesmo assim ele nao desgruda dela.ele quase nao brinca com carrinho.e bola de futebol,prefere brincar de escolinha,ler e assistir televisao.na escola ele e um aluno exemplar porem muito timido,mas em casa e teimoso e briguento.esse comportamento e normal? quanto ao peso dele esta muito acima do naorma? ele pesa 37 kg e mede 1.35 cm. obrigado

(04:31:14) Rosely Sayão: toninha, sobre estar acima do peso, melhor falar com seu pediatra. O nascimento de um segundo filho, um menino, para a menina mais velha é difícil. Com essa diferença de idade, eles só serão companheiros na vida adulta. Eles disputam esse lugar central na família e ao mesmo tempo não se desgrudam porque juntos eles têm mais força do que vcs... É normal, é esperado, tente não mexer muito na relação deles, nem nas brigas -só interfira para manter o respeito entre eles.


(04:14:50) Mel pergunta para Rosely Sayão: Gostaria de saber se as mães que trabalham fora o dia todo tem uma receitinha pra amenizar esta ausência de perto dos filhos.

(04:33:42) Rosely Sayão: Mel, todo nosso amor está dirigido aos filhos e a gente não suporta bem essa audência. Eles respondem mais à nossa demanda do que a uma necessidade deles. Às vezes a gente tem meia hora pra ficar com os filhos, mas não fica com eles, fica envolvida nas tarefas dele. Muitas vezes a presença dos pais é que é importante, não precisa ficar grudada. Uma dica: a gente traz filhos ao mundo para se separar deles, é a única relação que dá certo mesmo terminando em separação. Vá se acostumando, é um problema mais nosso do que deles.


(04:15:34) ana fala para Rosely Sayão: boa tarde,Rosely tenho ou tinha um namorado de 44 anos 5 meses de namoro derrepente ele olha e diz que quer ser paquerado e paquerar e se eu quiser ficarmos ficante entende o que fazer?rir ou chorar

(04:34:38) Rosely Sayão: ana, a gente encontra jovem de tudo quanto é idade, né? Isso é bem coisa de jovem... Bom, se vc quiser... Nem rir nem chorar, mande ele passear, vc não tem que ficar presa a esse esquema. Ele está querendo tudo.


(04:18:40) tete fala para Rosely Sayão: (04:15:58) tete fala para Todos: Rosely, boa tarde, quando meus filhos adolecentes, uma menina de 13 e um menino de 16 chegar de alguma festa é desaconselhavel eu perguntar com o foi , ou tipo com quem ficou? fico com receio de ser muito bisbilhoteira a respeito da vida deles

(04:37:10) Rosely Sayão: tete, vc tem razão. Perguntar com quem ficou é uma má idéia, vc compactua com isso. Nós não temos a idade deles, não temos que compactuar. O melhor momento de conversar não é depois da festa, é entre as festas, durante a semana. Aí é o momento de vc dizer que nesta família não se admite esse negócio de ficar com três, quatro, por exemplo, ou que não é para tomar nada com álcool... Pode ser que isso não mude o comportamento deles, mas o importante é saber o que a família pensa.


(04:19:00) Ana fala para Rosely Sayão: Boa Tarde! Dra. me ajude! Sou casada a 5 anos, e descobrimos que o meu marido nao pode ser pai. A nao ser que ele faça uma cirurgia, mais na verdade eu nao queria que ele fisesse essa cirurgia, será que ele pode ter algum problema emocional por isso (por nao poder ser pai)? sera que eu deveria apoia-lo? Beijos.

(04:38:45) Rosely Sayão: Ana, não preciso gerar para ser pai/mãe. Primeiro vcs têm que saber se querem ser pais. Se quiserem, há várias opções, conversem sobre essas alternativas. O fato de não conseguir se reproduzir não causa problema emocional em ninguém. A impossibilidade de ser pai/mãe, sim. Não crie um problema onde não há, converse com seu marido e veja que impacto isso causa nele.


(04:19:06) Mel fala para Rosely Sayão: Rosely tudo bem? Tenho um baixinho de 1 ano e 9 meses, após uma forte chuva na semana passada c/ trovoes ele não dorme mais sozinho, tenho que ficar no quarto até que ele durma, o que posso fazer?

(04:40:37) Rosely Sayão: Mel, nós é que fazemos as relações, não são as crianças. Nesse caso da chuva, a nossa reação deveria ser tranqûila, de dizer que era só uma chuva e já passou... É só vc reafirmar pra ele, na linguagem de criança, que ele pode superar, que ele pode dormir sozinho. A gente dá um aconchego e vai saindo aos poucos, senão eles se tornam dependentes.


(04:19:28) ana fala para Rosely Sayão: porque será porque que a mulher que não trabalha fora é tão desvolorizada?

(04:42:05) Rosely Sayão: ana, a mulher é desvalorizada no século 21 de qualquer maneira. Ainda temos um longo caminho a trilhar, não é responsabilidade só nossa.


(04:19:53) gato abc cam fala para Rosely Sayão: o ciúme em excesso tem cura?

(04:43:49) Rosely Sayão: gato abc cam, sim, é preciso ver o que expressa esse ciúme. Se é em excesso... O ciúme é natural das relações. Agora, quando é em excesso, significa quase um sentimento de posse sobre o outro. Tem controle, sem dúvida. Vc tem que achar um jeito. Pra alguns, a terapia ajuda. Para outros, meditação, literatura, cinema, artes em geral. O que lhe ajudar a resolver essa questão de que vc não possui ninguém.


(04:20:54) jujuba fala para Rosely Sayão: Cara Rosely, sempre tive um instinto materno fortíssimo e desde adolescente quis ter um filho. Sou casada há 8 anos e tenho 29 anos e estamos pensando em ter nosso primeiro filho. O problema é que meu sentimento começou a mudar. Penso no trabalho que o filho dá e sobretudo na ingratidão dos filhos. Penso que hoje meu sentimento está mudado, estou decepcionada comigo. O que está acontecendo comigo ? Será que é passageiro ? Tenho medo de me entregar tanto por alguém que talvez nunca vai reconhecer meu amor

(04:48:25) Rosely Sayão: jujuba, precisa ver em que filhos vc está pensando, vc deve estar com algumas imagens, alguns exemplos lhe chamando a atenção. Para ser pai e mãe tem que saber que a gente vai ser abandonada mesmo. Os pais são mais fortes que os filhos. Quando isso se inverte, na velhice dos pais, aí é que tem de vir a gratidão por tudo o que eles fizeram por nós. Isso é algo cultural, uma questão do mundo atual: hoje não há lugar para os velhos, a ponto de a gente inventar outra palavra pra falar deles -terceira idade.


(04:21:15) luli pergunta para Rosely Sayão: oi, tenho 35 anos e sou casada ha 5 anos,ate ha pouco atras pensei que vivia um contos de fadas pois recentemente meu marido me contou que me traiu antes de eu engravidar do meu terceiro filho,quis entao me separar mas acabei dando a nos dois mais uma chance,mesmo assim me sinto tao angustiada e insegura...Que faco?

(04:50:00) Rosely Sayão: luli, nós já falamos aqui que o ser humano não nasceu para a monogamia. Os mais felizes conseguem viver a monogamia sucessivamente: têm um relacionamento com monogamia, depois outro e assim por diante. Tem gente que não consegue esperar pela próxima relação. Agora, dar mais uma chance é repactuar a relação -e ele terá de se comprometer com esse novo pacto. Isso tem que ser esclarecido entre vocês.


(04:22:40) meggy fala para Rosely Sayão: URGENTE.....tenho 30 anos e meu ex namorado 37..por favor...namorava há 9 meses e descobri que meu namorado acessa sites de sexo gay...estou chocada..o que vc tem a me dizer..na minha opiniao ele é bissexual..eu terminei o namoro...

(04:52:12) Rosely Sayão: meggy, se vc fala tudo isso e terminou o namoro porque ele acessou o site gay, eu acho besteira. A nossa fantasia não tem estado civil, não tem sexo... A Internet é pra ver se a gente imaginou certo... Pense bem, a gente exige tanto hoje das relações que quer que a pessoa transe com a gente, pense na gente, cheire a gente... não é possível. Fantasias são comuns na vida de todos nós, se vc pensar bem, já teve algum pensamento. Isso tudo é natural. Agora, se vc já associou isso a outras questões, aí é outra coisa. Se ele for mesmo bissexual e vc quisesse continuar com relacionamento, aí teria de haver o pacto.


(04:22:53) Silane fala para Rosely Sayão: Boa tarde, eu e meu marido brigamos muito por motivos desnecessarios, será que é porque fico muito tempo em casa??????

(04:53:52) Rosely Sayão: Silane, a gente vai criando teorias a nosso respeito, pra justificar um acontecimento. Essas teorias não ajudam em nada. Tente trabalhar com os fatos. Sente-se com o marido e diga: "olha, estamos brigando desnecessariamente...como fazemos com isso?". Um dos grandes desafios do relacionamento é ceder, às vezes tem que ceder, deixe ele ficar com aquela opinião, já que vc gosta dele assim mesmo.


(04:54:03) Rosely Sayão: Obrigada a todos e até terça-feira que vem!

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