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13/12/2005 - 20h40 "Nada prova o amor de ninguém para ninguém" Veja o programa em vídeo
Da Redação Prova de amor existe? Para a psicóloga Rosely Sayão, não. No Momento Família desta terça-feira, ela explicou que "nada prova o amor de ninguém para ninguém". Nem o ciúme e tampouco o "eu te amo". "Aliás, essa expressão está tão banalizada hoje em dia...", comentou. "Todo mundo diz 'eu te amo' e fica por isso mesmo. Aliás, quando a gente escuta 'eu te amo', a gente escuta segundo a nossa referência de amor. E o outro diz segundo a referência dele." Amor é um sentimento, lembrou Rosely. Cada um expressa segundo o que julga ser ideal. "Tem muita dissimulação, tem muita gente que esconde o amor e gente que aumenta a expressão do seu próprio sentimento e acha que isso é bom." Nem prêmio, nem castigo No bate-papo com os internautas (leia as perguntas e respostas), a psicóloga também respondeu se é válido ou não premiar o filho por ter passado de ano ou por outro bom comportamento. "Está correto o já tradicional suborno de final de ano?", perguntou uma internauta. "Em tempos de tanta discussão política em torno dessas questões, acho que é uma boa hora de os pais pensarem que premiar comportamento não tem nada a ver. A educação é uma questão de formação. Formação tem mais a ver com ética do que com resultados", comentou Rosely. "Sou uma dessas pessoas que não gosta desse tipo de trabalho de premiar as coisas boas e tirar coisas quando é momento de castigo. Creio que, quando a pessoa faz algo bom, basta o reconhecimento afetivo", disse. "Mas nós desgastamos tanto o sentimento que hoje que, quando o filho faz alguma coisa boa e a gente diz 'muito bem, vem cá que eu vou te dar um beijo', ele reclama: 'só um beijo? Quero presente!' A gente é que cria essa relação." Rosely também discorda da punição para quem não passou de ano. "Não no momento em que termina o ano escolar. Pode ser assim: já que o filho ficou retido neste ano porque não estudou, ficou jogando etc, no ano que vem é hora de apertar o cerco; sem videogame ou só com tantas horas por dia porque tem que estudar. É por aí." "Criança adotada precisa saber a verdade" A psicóloga falou ainda sobre adoção. "A criança precisa saber a verdade, de maneira objetiva, clara, sem complicação", ensinou. Segundo Rosely, não existe um momento ideal para contar. "A gente tende a pensar que em um determinado momento a gente fala 'vem cá, meu filho, vamos sentar e conversar'. Não. Isso deve acontecer com naturalidade, no dia-dia, à medida que ele começar a falar, que fizer algumas perguntas." Ela deu um exemplo: "É absolutamente inevitável que, depois dos dois anos, um dia ele olhe uma mulher grávida e pergunte o que é aquilo. Esse é o momento de dizer 'lá dentro tem um bebê; você também esteve na barriga, não da mamãe, mas de uma outra mulher e, depois que nasceu, veio pra nós...' Assim, sem dramas, sem rituais, no dia-dia. Ele vai crescer com essa idéia, achando que é natural." Dica da Rosely "Há um tempo eu fiz a indicação do DVD de um espetáculo de dança, 'Samwaad - Rua do Encontro', dirigido pelo Ivaldo Bertazzo, que é com jovens de 14 a 20 e poucos anos, todos da periferia. Esse primeiro espetáculo foi a relação com a dança indiana. Agora a comunidade apresenta a relação com a dança africana, em 'Milágrimas'. É uma beleza assistir ao espetáculo e pensar na história desses jovens que o fazem. É olhar para eles e dizer 'veja do que são capazes', no sentido positivo da expressão." O espetáculo está em cartaz no Sesc Pinheiros (rua Paes Leme, 195, tel. 11 3095-9400), em São Paulo. "Ainda não saiu em DVD, mas eu aconselho também a trilha sonora, que já foi lançada." O projeto também inspirou um livro que reúne comentários de vários autores a respeito desse tipo de trabalho: "Tenso equilíbrio na dança da sociedade" Organização: Carmute Campello Editora: Sesc Clique aqui para ler as perguntas e respostas do bate-papo
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