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25/04/2006 - 20h28
Filhos adolescentes precisam "matar" os pais simbolicamente

Veja o "Momento Família" em vídeo

Da Redação

Como controlar a impulsividade dos filhos aos 13 anos? No Momento Família desta terça-feira, a psicóloga Rosely Sayão respondeu a uma mãe que contou ter visto sua filha, antes estudiosa e responsável, se transformar em "outra pessoa". "Ela não nos respeita mais, é ironia e deboche o tempo todo, as brigas com a irmã de 7 anos estão incontroláveis. Enfrenta o pai como se ele fosse um coleguinha qualquer", relatou a internauta.

Para Rosely, os conflitos nesta idade são absolutamente necessários, já que esta é a maneira encontrada pelos filhos para deixar a infância, quando são totalmente dependente dos pais. O que não se pode, diz a psicóloga, é disputar poder com os filhos.

"O poder não está em questão. Quem continua mandando são os pais. Tem que dizer: "Não vai sair com esta maquiagem". É bem possível que ela limpe o rosto, fique emburrada e, na escola, se pinte toda. Não tem importância. O que importa é que ela tenha a referência dos pais ainda e que vá assumindo o risco de ser ela mesma e que não precisa convencer os pais de que devem aceitá-la daquele jeito", disse.

Prescindir da proteção dos pais na adolescência, segundo Rosely, é até um ato saudável em relação ao futuro do jovem. O contrário, afirma, está na origem das relações conflituosas que tem provocado muitos casos de filhos que assassinam os próprios pais recentemente.

"Tem muitos jeitos de demonstrar [a mudança de comportamento]: namorar quem os pais não querem, rejeitar conselhos para a carreira profissional, o estilo de vida deles etc. Isto significa matar o pai e a mãe interno, que está dentro de cada um de nós, e se tornar o próprio pai ou a própria mãe. Uma morte simbólica. Quando este processo não acontece, por diversos fatores, pode acontecer o assassinato de fato. Quando acontecem muitos fatos como estes, é sinal de que algo na cultura aponta para uma dificuldade geral", disse, em resposta a outro internauta.

Acompanhe abaixo as perguntas e respostas do bate-papo.


(04:05:27) Gilberto fala para Rosely Sayão: Olá, Rosely!Tenho um filho de 12 anos, que não quer se enturmar com colegas de escola da idade dele, só com adultos.o que é isso?

(04:10:00) Rosely Sayão: Gilberto, 12 anos é uma idade limítrofe entre deixar de ser criança e passar a ser adolescente. A criança se sente mais segura e protegida com adultos. Você precisa ver se seu filho se julga um adulto ou se pede a presença deles para se sentir mais tranqüilo. Mas esta idade é de deixar com ele a escolha dos pares. A turma escolar resolve.


(04:07:12) mel fala para Rosely Sayão: Olá! Gostaria de saber o que acontece qdo uma mãe se acha insubstituível e super-protege seus filhos? Minha vizinha vive a vida dela em função das crianças. Vejo que para cortar esse "cordão umbilical" será super doloroso e se for cortado, será com traumas. É isso mesmo?? Obrigada

(04:14:31) Rosely Sayão: mel, toda mãe se julga insubstituível. E é mesmo. O que acontece é que algumas querem se fazer presentes 24 horas na vida dos filhos. Mas é inviável. Algumas fazem um esforço, não sei se é isso que você observa, mas é em vão. À medida que vão crescendo, os filhos rejeitam a mãe --que é uma tentativa de viver a própria vida. Não sei se adulto fica traumatizado com isto. Em casos como estes que temos visto de filhos que matam os pais, eles fazem no concreto aquilo que é preciso fazer num processo psicológico.

Nesta fase é preciso prescindir da proteção dos pais. Isso acontece pouco a pouco. Há um atrito que é algo saudável pensando no futuro da vida deste jovem. Tem muitos jeitos de demonstrar isso: namorar quem os pais não querem, conselhos para a carreira profissional, o estilo de vida deles etc. Isto significa matar o pai e a mãe interno, que está dentro de cada um de nós, e se tornar o próprio pai ou a própria mãe. Uma morte simbólica. Quando este processo não acontece, por diversos fatores, pode acontecer o assassinato de fato. Quando acontecem muitos fatos como estes, é sinal de que algo na cultura aponta para uma dificuldade geral.


(04:07:48) Ana -35 fala para Rosely Sayão: Boa tarde .Rosely, você não acha que a disponibilidade das cr. hoje em adquirir bens materiais está muito maior e fácil que a disponibilidade de estarem com os pais ?

(04:15:59) Rosely Sayão: Ana-35, acho, mas vou responder com brincadeira como você perguntou, mas invertendo: você não acha que os pais hoje tem mais disponibilidade para comprar coisas para os filhos do que estar com eles? Tenho visto muitas conversas em que os pais não prestam a mínima atenção no que os filhos falam. Creio que as crianças têm aprendido que é mais importante ter coisas do que conviver. Agora, nós podemos ensinar diferente, esta é a questão.


(04:10:21) Lili fala para Rosely Sayão: Cara Rosely...Socorro!! Se vc me indicasse o filme "aos 13", há 2 anos atrás diria que aquilo tudo é loucura. Agora loucura é o que está acontecendo em casa. Minha filha tem 13 e 1/2 anos e parece que virou outra pessoa, não nos respeita mais, é ironia e deboche o tempo todo, as brigas com a irmã de 7 anos estão incontroláveis. Enfrenta o pai como se ele fosse um coleguinha qualquer, quando ele briga com ela por causa do excesso de maquiagem e por que nos últimos 10 meses ela já ficou (beijou) com 6 meninos. Sempre fomos exigentes, as vezes até demais, mas parece que ela jogou de repente todos os valores no lixo. Sempre foi boa aluna, ainda é responsável, mas diz que só a média basta. Deixa a casa bagunçada o tempo todo, parece cachorro demarcando território por onde passa. As vezes disputo poder com ela, as vezes deixo pra lá por que cansa. Como agir nessa fase.

(04:20:58) Rosely Sayão: Lili, na verdade eles precisam se tornar outra pessoa. Criança é totalmente dependente dos pais. E a melhor maneira de deixar a fase é negando que precisa dos pais, que gosta deles, que os respeita. Estes conflitos são absolutamente necessários. O problema, Lili, é que a gente não pode disputar com eles. E você, parece, entrou no jogo. O poder não está em questão. Quem continua mandando são os pais. Tem que dizer: "Não vai sair com esta maquiagem". É bem possível que ela limpe o rosto, fique emburrada e, na escola, se pinte toda. Não tem importância. O que importa é que ela tenha a referência de vocês ainda e que vá assumindo o risco de ser ela mesma e não precisa convencer os pais de que devem aceitá-la daquele jeito. Ela é que tem de se aceitar e correr o risco. Dá um espaço para ela. Ela precisa brigar, conflitar. O mais importante é que ela não destrua vocês dois. Reserve o poder para aquilo que é crucial: contendo algumas coisas, dosando, porque, no final, ela aprende. Que bom que isso acontece aos 13 e não aos 17 anos.


(04:10:37) Suelen fala para Rosely Sayão: Rosely. Estou com um problema com meu irmão. Ele tem situação financeira muito melhor só que todas as vezes que nos encontramos ele fica pedindo para eu comprar as coisas ou pagar, sendo que a situação financeira dele e´muito melhor que a minha, e nós moramos em cidades diferentes, e estamos na faixa dos trinta. Não sei por que ele agem assim, se é por carência ou exploração mesmo. Obrigada

(04:22:43) Rosely Sayão: Suelen, porque você é a irmã querida dele. Algumas pessoas tem dificuldade de expressar emoções e afetos. Pode ser uma maneira de dizer que precisa de você. Isto é, um pedido de amor fraterno. Fala para ele que pode fazer isto, mas que seu dinheiro está comprometido. Não gosto desta idéia que fazemos de achar que quem pede amor é carente. Carentes somos todos, senão não precisava do amor. É uma qualidade alguém conseguir apresentar um pedido. Então, atenda ao pedido, mas não deixe ele extrapolar.


(04:16:49) nina pergunta para Rosely Sayão: Meu filho de oito anos anda muito agressivo me responde , até fala que vai me bater não sei como agir bater não adianta.Fico sem ação preciso de ajuda.obrigado!

(04:26:31) Rosely Sayão: nina, se você permite que aos 8 anos ele desrespeite você, com palavras ou atos, quando chegar aos 13, você não vai dar conta. Você pode estar se sentindo travada com receio de ser autoritária, ou por a atitude que você tomou não ter surtido efeito. Mas educação é um processo que se desenvolve dia a dia. Você tem que dizer o que não admite. Mas tem que reservar para algumas situações importantes: levantar a palavra, enfrentar fisicamente etc. Não desista. O mais importante para a paz de adolescentes é não sair do seu lugar. Se você começar a disputar poder com o filho, os dois ficam no mesmo lugar. Não se pode permitir que o filho pense que pode tanto quanto você. Não significa ficar brava o tempo todo com ele. É possível dizer que quem manda é você sem gritaria.


(04:18:15) decio fala para Rosely Sayão: minha filha nao quer saber de estudar.ela tem 12 anos, esconde a tarefa de escola.o que é isso?

(04:28:54) Rosely Sayão: decio, nesta idade é uma explosão de sensações, sentimentos e pensamentos totalmente diferentes da vida que sobra pouco espaço para estudo mesmo. Acho absolutamente viável que se cobre deles o melhor que eles podem dar, mas que tolere a média. Talvez no momento, para esta atividade, seja o melhor que eles podem dar. Além disso, a tarefa de casa é responsabilidade da escola. Quem passa a lição é quem tem que cobrar e aplicar a sanção, caso não tenha sido cumprida.


(04:18:27) rodrigo fala para Rosely Sayão: rosely, como perco a timidez?

(04:32:39) Rosely Sayão: rodrigo, eu também sou tímida. Primeiro temos que considerar que há pessoas mais e menos extrovertidas. Mas quando a timidez atrapalha a sua vida, impede algumas relações, é preciso coragem. Algumas vezes, você vai tropeçar. Mas não são só os tímidos que fazem isso, é que eles olham mais. Você precisa descobrir aonde a sua timidez mais aparece.

Conheço pessoas que são tímidas nas relações sociais, mas não com namoradas, por exemplo. E também o contrário. Uma qualidade do tímido é que ele se observa mais que os outros. Talvez por isso sofra mais, tem mais sensibilidade, as emoções são mais intensas. Mas isso pode ser usado positivamente também. Manda a tua idade agora que a gente pode complementar sua resposta.


(04:22:47) mae zero fala para Rosely Sayão: Por favor me oriente o que fazer com relação a minha filha de 30 anos que me odeia e é obrigada a viver comigo porque ganha pouco e precisa que eu cuide de sua filha de 5 anos.

(04:36:03) Rosely Sayão: mae zero, aos 30 os filhos não devem nem odiar nem depender dos pais. Podem no máximo discordar, mas tem que ter um convívio de respeito e, no mínimo, de gratidão. Tem que dar um "presta atenção" nesta sua filha. Diga que a filha é dela, que você pode ajudar, mas tratá-la com adulta. Ela está se comportando como adolescente, mas você está colaborando muito para isso. Em alguns momentos você tem que dizer: "Hoje eu não posso". Até para jogar a responsabilidade para sua filha. Não se preocupe em deixar sua filha na mão. Ela precisa sim ficar na mão dela.


(04:26:50) corujita pergunta para Rosely Sayão: Rosely sou uma mãe superprotetora, tanto que estou dando ainda de mamar no peito para minha filha de 3 anos e meio, não sei agora nessa altura do campeonato como desmamá-la sem que fique com traumas, como posso conduzir isso, me ajude obrigada

(04:37:54) Rosely Sayão: corujita, não gosto muito desta idéia de trauma. Eu diria que se tem alguma condição de facilitar o problema não é tirar, e sim ter dado o peito até agora. Então quanto antes você começar a fazer este desmame, melhor. Mas lembre-se: em qualquer idade, é um processo em etapas. Ela vai relutar, sofrer (de um modo mais intenso do que se tivesse 1 ano), mas não tem outra coisa a fazer.


(04:30:14) Virginia fala para Rosely Sayão: oi td bem? por favor o que faço para que o meu marido dê atenção para nossa filha de 1 ano e meio? Nós dois temos 23 anos é nossa primeira filha, mas ele não demonstra interesse nem preocupação com a menina, o que faço? e isso vive causando discussões entre nós porque eu não entendo e não aceito, já comigo se ele pudesse viveria grudado...

(04:40:53) Rosely Sayão: Virgínia, não tem como você convencer o seu marido a ser diferente. Você pode alertá-lo, dar dicas, dizer para ele que a filha precisa dele etc. Brigas não resolvem. Se você souber que o máximo que pode é sensibilizar o seu marido para a situação de ser pai, fica mais fácil para você e para ele. Negocia com ele, sem confronto. Combina para sair com ele num dia e no outro ele cuidar da filha, por exemplo.


(04:30:42) revoltada fala para Rosely Sayão: Descobri,por uma fonte que nao posso revelar, que fui traída pelo meu marido.Se vazar, a pessoa pode até perder o emprego. Mas o que interessa agora é: o que faço com esta revolta que sinto. Onde está escrito que "homem pode trair", todo homem é igual, todo homem é safado? Devo ir em busca da verdade e desmascará-lo ou esquecer e tentar refazer o meu casamento? Ele n~~ao sabe que eu sei. Tenho tido ataques de panico, tremedeiras desde que descobri. Tenho 40, 110 de casada, 02 filhos, 2 e 5 anos. Obrigada.

(04:44:56) Rosely Sayão: revoltada, creio que quando a mulher e o homem tomam conhecimento de que houve uma traição é um momento doloroso. Além do sentimento de traição, as pessoas questionam se o outro ainda ama, o que tem de errado em si etc. A primeira coisa é reconhecer que é um momento delicado. Isto pode tornar menos árido. A questão agora é que há um conflito e tem que resolver, não adianta ficar revoltada.

Você tem que mudar o seu olhar. Não pode fazer de conta que não sabe o que houve. Você pode contar que sabe sem revelar sua fonte. Mas a única maneira é confrontar isso com ele, porque você não vai conseguir esquecer. Esta é uma questão que não é só sua. O casamento é um pacto feito a dois. Os seus ataques de pânico podem ser a manifestação de uma angústia de não saber o que fazer. Quem sabe se você começar a traçar um caminho, isto pode desaparecer. Se não, procure ajuda profissional.


(04:33:00) Pe. Josinaldo fala para Rosely Sayão: Como padre sou muito procurado pelas mães desesperadas com os filhos usuários de drogas. Elas sentem-se culpadas e impotentes. Confesso que nao sei lidar com isso. O que me aconselha.

(04:46:23) Rosely Sayão: Pe.Josinaldo, as mães continuam se sentindo culpadas, não adianta dizer que o problema de drogas hoje tem mais a ver com o mundo em que os jovens vivem do que com o convívio familiar. Elas acham que se os filhos não vivem bem é porque não foram boas mães. Eu o aconselho a ler um pouco sobre o mundo de drogas atual. A melhor é aquela que trata da política de redução de danos e, quem sabe, indicar um ajuda profissional. Creio que é o máximo que você pode fazer.

(04:38:15) Jop fala para Rosely Sayão: Tenho uma filha de quatro anos que voltou a urinar na cama após a chegada de sua irmã.O que fazer para que ela deixe de urinar na cama?

(04:48:28) Rosely Sayão: Jop, não se trata de uma regressão, apenas um sinal que ela ficou fragilizada, que está se sentindo desamparada. É uma reação natural. Se a gente não faz um circo em torno disso, costuma passar rapidamente. Ela precisa ser tratada como uma garota de quatro anos e ter algumas regalias em relação a quem faz xixi na cama, caso da irmãzinha dela. Pode colocar o bebê para dormir e depois brincar com ela, para ela saber que existe uma compensação por ter quatro anos. Ela precisa perceber que vocês reconhecem a idade dela e agem em função disso.


(04:38:41) MarceloCM fala para Rosely Sayão: Rosely, qual idade você acha que seria a correta para uma criança passar a ter acesso a Internet e utilizar sites como Orkut? Tenho uma filha de 6 anos e a familia da minha mulher fica enchendo a paciência para colocar a menina na Internet e eu não concordo!

(04:51:13) Rosely Sayão: Marcelo CM, acho que é o caso de você não concordar mesmo. Seis anos não é idade de as crianças fazerem nada sozinhas. Precisa da tutela dos pais, rigorosa. Ela pode usar a internet, mas com os pais do lado. Mas se você acha que não deve, então não deve. Creio que não há problema em sua família ter uma idéia diferente. Não pode se preocupar com o que os outros acham. Será que eles estão certos? Não importa isso. O melhor para os filhos é o que os pais decidem.


(04:51:37) Rosely Sayão: Foi um prazer! Até a próxima semana!

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