|
|
02/05/2006 - 19h15 "Devo ensinar meu filho a ser competitivo?" Rosely Sayão responde Veja o programa "Momento Família" em vídeo
Da Redação Até que ponto é possível preparar os filhos para o mundo competitivo? No Momento Família desta terça-feira, Rosely Sayão respondeu à dúvida de um internauta, pai de um menino de 6 anos, que questionou: "Como educá-lo para os desafios da sociedade atual, em que impera grande competição e disputa, sem torná-lo inseguro?" Para a psicóloga, o mundo já ensina aos jovens de hoje a serem competitivos, cabendo aos pais, na verdade, retirar dos filhos a pressão que já é imposta, principalmente pela escola. "Precisamos ensinar outras possibilidades, como colaborar, ser solidário com os outros em vez de sempre ter uma atitude competitiva. Isto não provoca insegurança. Pelo contrário, provoca segurança porque eles não têm que disputar as medalhas, o que dá mais tranqüilidade, tira uma pouco desta pressão sobre as crianças", afirma. Quando os pais reafirmam a competição, segundo Rosely, o que está em jogo para os filhos, em todas as situações, é ganhar. "Isto não significa que ele não possa competir com uma situação. Mais tarde, numa entrevista para emprego, por exemplo, a preocupação dele não vai ser em quem está disputando a vaga, mas no que ele tem para oferecer." Dica da Rosely A colunista do UOL News indicou aos internautas o filme "Reflexos da Amizade" (EUA, 2004, disponível em vídeo) que, segundo disse, trata da passagem de um garoto da infância para a adolescência e de sua relação com a mãe. "É um filme bonito que trata também da questão da amizade", diz Rosely. Bate-papo No bate-papo com os internautas, Rosely Sayão falou sobre os cuidados que os pais separados devem ter em apresentar novos namorado(as) aos filhos de menos de 6 anos, dentre outros assuntos. Abaixo, as perguntas e respostas. (03:59:43) Fernando fala para Rosely Sayão: ola... tenho uma cunhada de 25 anos... e ela não gosta da minha namorada, 21 anos. Tenho 27 anos. Minha cunhada sempre discorda do que minha namorada fala (04:08:06) Rosely Sayão: Fernando, a experiência ensina a gente que as relações familiares com os parentes por aliança (namorada, mulher) são muito delicadas. Quando o casal se forma, eles constroem outra cultura familiar. Acho que numa briga como esta, você não deve se meter não. Mas é preciso que a sua cunhada respeite a presença da sua namorada, mesmo discordando do que ela diz. (04:03:58) Rogério fala para Rosely Sayão: Olá, Rosely! Sou Rogério, 50, tenho duas irmãs( 1 casada), o problema é seguinte: a Caçula,35, numa viagem que foi eu, minhas irmãs e meus pais, fez um escândalo e xingou e ofendeu a todos.Até me mandou nunca mais procurá-la,nem ela , nem o marido e nem as filhas, de 12 e 1 anos de idade.A Minha mãe, nessa viagem, todo dia fazia a papinha da menina de 1 ano, a caçula não fazia nada, sendo que ainda minha irmã do meio,47, paga o colégio da filha mais velha da caçula, de 12 anos.E O marido, 37, era polidor de autos e ainda não tem jeito para cuidar financeiramente, pois vivia trocando de carro (usado) e torrava tudo em bobagem:trocava de celular, e comprou um celular novo na prestação, com câmera e MP3 caro.E ainda Minha mãe e minha irmã do meio discutem por causa da caçula, que só faltava a minha mãe dar a comida na boca de caçula, de tão mimada.Minha mãe tem 80 anos. Como fazer para controlar nossa família, e manter tudo na paz? (04:12:58) Rosely Sayão: Rogério, família não tem controle. Todas são desestruturadas porque giram em torno de afetos, vínculos amorosos, que tem oposições, conflitos, se modificam ao longo do tempo. A primeira coisa, então, é não querer controlar. Mas manter a paz já é possível tentar. Acho que você vai ter de deixar a sua irmã e sua mãe resolverem entre elas esta questão. Certamente a sua mãe não acha que ela é mimada porque aos 80 anos faz a papinha da neta. O que você pode é dar dicas para sua mãe, no máximo. Tem um complicador que é seu cunhado, que formou uma família com sua irmã que é mimada (segundo seu ponto de vista), constrói uma família com dificuldades econômicas, mas, pelo jeito, quer manter o mesmo nível de vida. Tem um livro que acho importante que todos nós lêssemos, chama-se "O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes", que trata da polidez nestas relações. Então, em vez de xingar, de brigar, tentem colocar as cartas na mesa com polidez. Acho bonito você se colocar na posição de mediador, de buscar a paz na sua família. Mas acho que você pode ajudar, mas não tentando controlar. (04:06:38) Investidor pergunta para Rosely Sayão: Boa Tarde, Rosely, tenho um filho de 06 anos, cursando a alfabetização. Considerando que o ambiente de alta competição da sociedade moderna é prejudicial para a personalidade dos jovens, na medida em que é bastante excludente, premiando poucos, que recebem todos os elogios e atenções, em detrimento da grande maioria, relegada à periferia social, como educá-lo para os desafios da sociedade atual, em que impera grande competição e disputa, sem torná-lo inseguro de si mesmo? (04:16:57) Rosely Sayão: Investidor, a tua preocupação é absolutamente bem vinda. Num mundo competitivo como o que vivemos, muitos pais acham que têm de ensinar os filhos a serem mais competitivos. Mas acho que se o mundo é competitivo não precisa ensinar mais, o mundo já ensina por si só. Acho que precisamos ensinar outras possibilidades, como colaborar, ser solidário com os outros em vez de sempre ter uma atitude competitiva. Isto não provoca insegurança. Pelo contrário, provoca segurança porque ele não tem que disputar as medalhas, o que dá mais tranqüilidade, tira uma pouco desta pressão sobre as crianças. Tem um livro chamado "Sem tempo para ser criança" que trata deste estresse que as crianças têm hoje, principalmente voltada para os conteúdos escolares. Quando os pais reafirmam esta questão de competição, o que está em jogo em todas as situações para os filhos é ganhar, vencer o outro. Isso não significa que ele não pode competir com uma situação. Numa entrevista para emprego, por exemplo, a preocupação dele não vai ser em quem está disputando a vaga, mas no que ele tem para oferecer. (04:09:42) Lucas fala para Rosely Sayão: Qual é a melhor época para falar com meu filho sobre o Papai Noel e Coelinho da Páscoa? Ele tem hoje apenas 3 anos. (04:18:55) Rosely Sayão: Lucas, pode deixar por conta dele. A gente não conhece uma criança de 10 anos que acredite em Papai Noel. Não temos adultos que vão casar e levem junto o paninho deles. Não precisa explicar para eles que estas coisas não existem. Um dia eles chegam para a gente e mostram que passaram desta fase e não acreditam mais. Calma que, no passo deles, eles vão superando a infância. (04:12:19) nina pergunta para Rosely Sayão: Boa Tarde! Sou casada a oito anos e dois filho um de sete o outra de cinco.Amo meu marido mais não sinto mais desejo por ele,fico angustiada trabalhamos juntos e nos damos super bem.Gostaria de ajuda tenho 29 anos. (04:22:25) Rosely Sayão: nina, esta questão vem se repetindo ultimamente por causa do valor que a sociedade atual dá à sexualidade. Antigamente, podia se distribuir esta energia libidinal em outras coisas. Não tinha esse peso de ter que sentir tesão pelo marido. Hoje, isto é um problema. Você não precisa se submeter a isso. Pode escolher. Se for realmente importante para você, pode vai ter que tomar uma decisão sobre sua vida. (04:12:52) moreninha pergunta para Rosely Sayão: Meu filho de 25 anos está na Austrália há 2 meses fazendo curso de inglês e pretende fazer pós graduação por lá. Agora a namorada de 4 meses pretende ir também. Tenho medo que ele tire o foco de seu objetivo, investir na carreira, por causa dela. Veja bem, não estou com ciúme Rosely. Como devo abordar esse assunto com ele sem que pareça que estou querendo interferir na relação dele com ela ou até mesmo que ele pense que é ciúmes de mãe. Beijos. Ah! Veja o filme Heróis Imaginários que é ótimo. (04:24:56) Rosely Sayão: moreninha, acho que você mesma percebeu que talvez esteja com ciúmes e não tem problema nenhum, não pode é deixar o ciúme atuar. É possível que isto aconteça: que aos 25 anos, na Austrália e com a namorada, ele resolva curtir a vida um pouquinho. Mas a questão é que com um filho nesta idade o que você pode fazer é trocar idéias. É a fase de aconselhar. Fala sobre esta sua preocupação e aí ele decide se segue ou não. Com filhos adultos é o máximo que a gente pode fazer. Além de torcer para que ele ouça o que você diz. (04:17:19) Selma 42 fala para Rosely Sayão: Boa tarde Rosely, adoro este bate papo...você é uma pessoa especial!!..Ma vamos a minha pergunta, tenho 42 anos e uma filha de 5, sou divorciada a 3 anos, tenho um namorado e minha filha morre de ciumes dele...como devo me comportar quando ela está junto?? (04:29:52) Rosely Sayão: Selma 42, boa pergunta! As crianças com menos de 6 anos é preciso ter cuidado com as relações que os pais estabelecem. Elas tem recursos para estabelecer relações com adultos a não ser mediadas por pessoas que as amam, pais, professores etc. Uma criança de 2 anos sente que o pai estava lá e depois não está mais todo dia. O risco é que ela pense que você vai abandoná-la agora. Então é preciso protegê-la disso. Apresente seu namorado como amigo, sem grandes demonstrações de carinho físico e não estimula o ciúme. Quanto mais ela vê, mais se sente enciumada. Até ela ir se acostumando com a idéia aos poucos. Quando ela estiver junto, deve ser a atenção dos dois. Põe ela para dormir cedo e depois namora. (04:17:39) Nara fala para Rosely Sayão: Oi meu sonho era ter um filho homem meu marido sempre quis ter uma filha mulher. Estou gravida de 6 meses semana passada fiz ultrassom e por incrivel que pareca é um menino meu sonho vai se realizar. Mas nao tenho coragem de contar para meu marido que a tao sonhada menininha dele nao vira dessa vez, tenho problemas para engravidar e nao sei se terei outro filho. Hoje de manha ele me acordou com café na cama e junto d comida trouxe um vestido rosa, dizendo que sera para o batizado. Estou triste o que fazer. meu marido ficara decepsionado. (04:32:12) Rosely Sayão: Nara, tem que contar, o filho é dele também. Não faz muito drama senão a situação só piora. Propõe trocar a roupa por uma de menino e festeja o teu filho, independente de ser menina ou menino. Você sonhava em ter um filho e seu marido, uma filha. Este sonho é narcísico. A mulher quer ter um filho homem porque a complementa e todo homem quer educar uma menina. Este filho real que está aí precisa ganhar espaço. Não fique triste, não faça drama. É a realidade. De qualquer maneira, este sonho poderia cair por terra porque mesmo que fosse uma menina poderia não ser a dos sonhos do seu marido. E certamente este menino não será o dos seus sonhos. (04:17:56) Adri pergunta para Rosely Sayão: Tenho carteira de motorista mas não dirijo a algum tempo agora que eu quero reaprender meu marido todo dia tem uma desculpa diferente para não me dar umas dicas, será que ele esta inseguro ou não quer que eu fique independente dele??? Por favor responda... (04:33:29) Rosely Sayão: Adri, ele pode não se sentir à vontade. Mas se você quer dirigir, contrate uma pessoa profissional. Numa relação de marido e mulher, em geral, isto dá briga dentro do carro. Você não é a única que tenta isso e não dá certo. Poupa teu relacionamento disso e vai direto para um profissional. Muitas auto-escolas têm instrutores para ensinar pessoas já habilitadas. (04:20:41) lilibet fala para Rosely Sayão: boa tarde Roseli, há muito tempo tento falar com vc, me ajude... Meu filho tem 12 anos, muito afetuoso, quer me abraçar e me beijar o tempo todo, Devo repelir, conversar a respeito, Ás vezes me preocupo, é normal? (04:34:51) Rosely Sayão: lilibet, aos 12 anos é muito normal. Vou indicar de novo o filme "Reflexos da Amizade". Fala de uma mãe muito frágil, que foi abandona pelo marido e cujo filho passa todo o tempo se dedicando a ela. Um dia, ele se interessa por uma menina e ela se sente totalmente abandona. Então, deixa o tempo dele. Deixa ele passar sozinho para a adolescência. E aí é você que vai reclamar. (04:20:45) nicholas fala para Rosely Sayão: rosely, é normal a criança comer terra ou outras coisas estranhas? (04:36:13) Rosely Sayão: nicholas, tem um sintoma de vermes, se não me engano, que faz a criança comer terra. A primeira coisa é ver se a saúde dela está boa. Agora, se a criança tiver entre 1,5 ano e 2 anos é normal comer até pedra. A boca é um dos seus contatos com o mundo. Entre 3 e 4 anos já desaparece este impulso. (04:27:35) Cris pergunta para Rosely Sayão: Boa tarde! Você disse há pouco que ninguém leva paninho para o casamento, mas minha cunhada levou o bichinho que ela dorme desde pequena quando casou e até hoje dorme com ele. Tem 4 anos que casou, mas não quer ter filhos. Ela tem 32 anos. Pior, descobri que meu irmão a trai. Visita os pais diariamente. Será que esta resistência dela em crescer é normal? (04:41:30) Rosely Sayão: Cris, quando falava que ninguém leva o paninho quis dizer que naturalmente a vida nos faz crescer. Isso que você fala é de uma outra ordem, não pessoal, mas cultural. Hoje é difícil não encontrar um adulto que não tenha um bichinho no seu computador, por exemplo, ou nas roupas. Há uma cultura que infantiliza o jovem adulto hoje. É uma dependência estimulada pela vida social. Os pais super protegem os filhos enquanto são adolescentes e continuam agindo como se os filhos fossem dependentes deles já na vida adulta. Eu diria que a sua cunhada não conseguiu ser crítica em relação a isso. Pode ser resistência dela em crescer ou ela simplesmente não percebe que pode dar este passo. Há uma cultura da vida adulta na infância e da infância na vida adulta. Sobre a traição do seu irmão, acho que você nem precisava saber disso. É um problema dele. (04:41:44) Rosely Sayão: Obrigada a todos e até a semana que vem! UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
|
![]() |