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18/04/2006 - 20h31
Juros para os tomadores de empréstimo vão cair, "mas ainda demora", diz consultor

Veja o programa "Dinheiro" em vídeo

Da Redação

As estatísticas mostram que o brasileiro continua gastando mais do que deve -e do que pode, principalmente. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) divulgou nesta terça-feira que o número de inadimplentes em seu cadastro cresceu quase 42% em março em relação ao mesmo período de 2005. E a quantidade de cheques devolvidos por falta de fundos aumentou 37% no mês passado, também quando comparada a março de 2005, segundo o Telecheque.

No programa "Dinheiro" desta terça-feira, o consultor Eduardo Santalucia ensinou que a principal dica para fugir das dívidas é não comprometer a renda futura. "Poupe, sacrifique um pouco o consumo, pois esses juros para os tomadores vão cair. A concorrência entre os bancos vai levar a isso, mas ainda demora um tempo."

"Esse aumento de cheques devolvidos em março já vem de anos anteriores, já era esperado. A maioria do comércio hoje vende a prestação, então [março] está pegando cheques emitidos em dezembro. A pessoa emitiu cinco cheques naquele mês e não previu os impostos que tem no começo do ano... O terceiro cheque cai e não tem fundos."

"O que assustou é que o aumento foi muito forte. Os números mostram que o endividamento está comprometendo muito a renda futura do trabalhador brasileiro. Veja que o crédito dos bancos teve um crescimento muito forte perante o crescimento da massa salarial."

Fuja do cheque especial e do cartão

Respondendo às dúvidas dos internautas, Santalucia falou que, quando não há saldo, uma dívida pode ser quitada adquirindo-se créditos com juros menores, como o consignado, em que há garantia. "Os juros do cheque especial (146%, 147% ao ano) e do cartão de crédito (150%, 170% ao ano) são os mais altos do mercado, pois [nessas modalidades] o banco não tem garantia nenhuma."

"O melhor, claro, é não se endividar. Tem uma lenda no mercado que diz que, ao perguntarem a um grande banqueiro qual seria a última coisa que ele faria na vida, a resposta foi: pegar dinheiro emprestado em banco."

Acompanhe as perguntas e respostas do bate-papo.

(03:12:34) Débby - SP - 23 fala para Eduardo Santalúcia: Boa Tarde, tenho 2 cheques que estão protestados e já tenho as certidões negativas desses cartórios para localizar os reclamantes, mais os dados que constam nas certidões não existem mais pelo fato das empresas terem falido ou fechado. Como faço para quitar essas dívidas e retirar meu nome do SPC/SERASA sem ter que pagar advogados, pois não tenho condições? Obrigada.

(03:27:02) Eduardo Santalúcia: Débby - SP - 23, você tem que procurar o próprio Serasa ou o SPC. Se você não está encontrando a pessoa que está com os cheques, pode ir direto, independente de ter ou não a cópia dos cheques. Você já está com as certidões negativadas, já é o bastante. Insista junto ao SPC para que libere você dessa dívida que você já não tem mais.


(03:12:51) meirelles fala para Eduardo Santalúcia: tenho saldo disponível para quitar dívidas acumuladas no cartão de crédito. Minha dúvida é se devo fazê-lo mesmo que não tenha nenhum desconto, e só consigo ter respostas padrão do telemarketing.

(03:29:44) Eduardo Santalúcia: meirelles, se você vai consultar o telemarketing do cartão eles vão dizer que não quite, pois vão querer ganhar os [juros de] 8,5% ao mês... Se você tem o dinheiro, está aplicando a 16,5% [taxa básica de juros, a Selic] e, a partir de amanhã, a 15,75%. Se eu colocar esses 15,75% ao mês, você consegue aplicar a 1,22%. Tirando uma média de 20% de imposto, os juros líquidos vão cair para a faixa de 0,98%, 1% a 15,75%. Pra que você vai continuar pagando 8,5% no saldo devedor? Vá lá e quite a dívida.

Desconto é muito difícil. O que os cartões fazem é o seguinte: quando você está devedor, eles sabem que se você não tem dinheiro agora, imagine mais pra frente, com juros de 8,5% ao mês! Todo cartão é ligado a um banco, então esse banco chama o devedor e lhe oferece um crédito ao consumidor (CDC, cujos juros hoje giram em torno de 3,90% ao mês) pra você pagar essa dívida em seis prestações fixas. Para o banco é interessante, todos fazem, principalmente quando você está com o saldo devedor vencido. Para eles é preferível oferecer outro tipo de crédito com garantia e, pelo menos, quitar o crédito rotativo.

(03:32:45) meirelles fala para Eduardo Santalúcia: mas pretendo saldar todos os débitos de todos os cartões à vista... Quanto devo esperar de desconto/abatimento da dívida???

(03:49:17) Eduardo Santalúcia: meirelles, nada. Os cartões não dão desconto. No caso do crédito rotativo, não. Você comprou um bem por R$ 1.000,00, por exemplo, e daqui a trinta dias tem que pagar isso. Para o cartão não interessa lhe dar desconto no pagamento da dívida, ele já vai receber os 8,5%. Então, se chegou aquele saldinho mínimo para pagar, pague na hora.


(03:13:19) BEL fala para Eduardo Santalúcia: Minha situação é complicada! Pego empréstimo para pagar empréstimo, fora os limites que utilizo. Ainda não estou com o nome sujo, mas estou com muita dificuldade em pagar minhas dívidas e contas, sem falar que não tenho mais crediário disponível, devido a alto risco de crédito e por possuir empréstimo consignado também. O que faço?

(03:32:07) Eduardo Santalúcia: BEL, você está no "efeito dominó". Às vezes a gente troca uma dívida por outra cujos juros são ainda mais altos, aí não compensa. Como o Brasil fez nos últimos oito anos, eu diria que você terá de enxugar o máximo da despesa futura. Não vejo outra solução. Eu ia falar em crédito consignado, mas você já tem... Aqui não é como nos EUA em que a Pessoa Física também tem a condição de decretar falência. Então, você terá de enxugar ao máximo as despesas. É possível porque a gente nunca deve gastar 1 Real a mais do que ganha, e sim 1 Real a menos. Você é que pode saber aonde pode economizar.

(03:44:44) BEL fala para Eduardo Santalúcia: EDUARDO, COMO RENEGOCIAR DÍVIDAS (LIMITES E EMPRESTIMOS) COM OS BANCOS?

(03:54:33) Eduardo Santalúcia: BEL, não tem jeito, se você não tem como pagar, a negociação termina aí. Você terá de ir com alguma proposta, e viável. Para isso terá que baixar as despesas. Às vezes parece fácil a gente ficar aqui falando, mas não tem outro jeito.


(03:15:35) dir fala para Eduardo Santalúcia: Devo no banco, estou sem salário há vários meses. Sou obrigado a entrar no cheque especial. Tentei mudar de banco, mas a empresa não concorda. Estou pensando em pedir demissão e ir trabalhar em outro lugar e deixo a divida o banco. Não facilita nada, para ele está cômodo, pois o meu salário cobre a divida dele. Só que preciso me alimentar e pagar a faculdade do meu filho. Como faço para sair dessa?

(03:34:47) Eduardo Santalúcia: dir, uma solução você aventou na sua pergunta: se você tiver uma operação casada, isto é, pedir demissão tendo um emprego em vista, eu tentaria negociar a demissão com o atual patrão, pois aí entraria um dinheiro de férias proporcionais, fundo de garantia (pode negociar a multa)... Mas não vá pedir demissão do emprego pra só depois arrumar outro, pois aí é que você entra mesmo num buraco sem fundo...! Agora, se você tem crédito consignado com desconto em folha, não é tão simples assim deixar a divida. Muitos bancos têm acordo com o RH e na hora isso aí é descontado. Veja na sua empresa se há a possibilidade de sair e negociar com o banco. Não pode deixar a dívida para o banco em hipótese nenhuma, você pode ir parar no SPC etc.


(03:22:31) Willis fala para Eduardo Santalúcia: Olá pessoal. Comentem esta: será que a de instrução (diga-se cultura) influencia no endividamento? Pois as lojas --no ramo de eletros-- cobram taxas altas e parcelam em até 24 vezes e com isso o consumidor só enxerga o tamanho da parcela e irá lançar mão daquela que couber no seu bolso. Isso é de tamanha verdade que até as propagandas falam isso "uma prestação que cabe no seu bolso". Outro dia, uma loja distribuía panfletos oferecendo empréstimos pré-aprovados. A taxa era de 11% ao mês. Um verdadeiro assalto. O pior é que ninguém faz nada. É agiotagem pura.

(03:38:01) Eduardo Santalúcia: Willis, você foi feliz nessa sua mensagem. Logo após o Plano Real, os juros caíram drasticamente. Mas foi queda significativa na ponta do credor, não do tomador do empréstimo, como é hoje. Na época se dizia que a pessoa fazia prestações que cabiam no bolso, no salário. Mas as pessoas esqueciam do futuro, de prever gastos como eventuais doenças, matrícula de escola tec. Não é o grau de instrução, não. Se pegar as grandes lojas, vê-se móveis a R$ 12,00, R$ 20,00 por mês. Mas se pegar o valor à vista e multiplicar essas parcelas por 24 vai ver a diferença. Às vezes está comprando três móveis. Isso acontece muito com carro. Para comprar carro às vezes é preferível entrar num consórcio do que pagar a prestação.


(03:26:47) Franco pergunta para Eduardo Santalúcia: No ano passado meu filho teve um problema de saúde. Para saldar as dívidas, financiei parte de minha casa com a Caixa. Não estou conseguindo pagar as prestações. A Caixa não quer renegociar a dívida, visando baixar as prestações, e nem me libera para vender a casa para outro cliente com crédito aprovado. Somente se eu quitar a dívida posso vendê-la. Tenho alguma saída? Grato.

(03:41:24) Eduardo Santalúcia: Franco, saída, tem. Primeiro é arrumar um comprador antes de quitar a dívida (em imóvel a liquidez não é imediata, há uma maturação de venda...). Normalmente esse comprador tem que dar um sinal. Com isso você quita a dívida e aí pode sobrar algum dinheiro para você reiniciar a sua vida de não devedor. E, olha, o dinheiro mais barato que tem no mercado hoje é o do crédito imobiliário. Mas, se tiver que se endividar (eu sou contra isso), eu diria que é só para o primeiro teto, nunca para investir.


(03:27:47) sesas fala para Eduardo Santalúcia: trabalho no comércio e, em 2002, consegui a proeza de sujar meu nome com cheques devolvidos, protestos, cartórios e bancos. Hoje tenho muitas dificuldades pela falta de crédito, sendo que não devo a bancos, mas também não tenho credito porque tenho o nome sujo e não consigo limpar o nome, pois precisaria de um empréstimo. Há solução?

(03:42:38) Eduardo Santalúcia: sesas, a solução é buscar alternativa fora do sistema financeiro. Tem a agiotagem legalizada... mas aí, se chegar a esse ponto, já não sai mais. A instituição financeira já lhe cobra 7,8% ao mês no cheque especial, então imagine o quanto vai pagar em outros lugares. Tem que reduzir as despesas futuras.


(03:31:51) nana fala para Eduardo Santalúcia: tenho um problema: emprestei meu nome para uma ex-empresa onde trabalhava para telefone e isso deixou um valor de 6.000,00. Estou com o nome sujo por causa disso. Gostaria de saber se tem um jeito de resolver sem eu ter que pagar, pois lá nesse endereço estava situada uma empresa, e não minha residência...

(03:44:21) Eduardo Santalúcia: nana, se você tiver dificuldade de renda, procurando a própria OAB ou algumas faculdades de Direito (como a São Francisco, da USP), conseguirá atendimento de graça. Neste caso, creio que eles encontrem uma solução para você via jurídico.


(03:32:33) Rone fala para Eduardo Santalúcia: estou usando o cheque especial para pagar os cartões de crédito. Isso é uma alternativa correta?

(03:46:55) Eduardo Santalúcia: Rone, não, você está trocando seis por meia dúzia. Neste caso, procure créditos mais baratos: adiantamento do décimo terceiro salário (é menos que a metade dos juros do cheque especial) e adiantamento da restituição do Imposto de Renda, ambos com juros em torno de 3,30% ao mês. A taxa é mais baixa porque o banco tem fortes garantias nesses casos. Se for trabalhador sem carteira assinada, pode optar pelo crédito direto ao consumidor (CDC) no seu banco, por uns 3,90% ao mês, bem mais em conta do que o cheque especial e o cartão.


(03:36:24) Marco Antonio fala para Eduardo Santalúcia: Devendo os bilhões de dólares que deve - e lá se vão anos que essa dívida sempre cresce - porque o nome do Brasil nunca é incluído numa lista do Serasa ou do SPC, hein?

(03:46:55) Eduardo Santalúcia: Marco Antonio, "entrou" ao declarar a moratória da dívida externa em 1987 e com o Collor, em 1990.


(03:36:47) sylvio fala para Eduardo Santalúcia: Boa tarde, eu sou engenheiro de São Paulo, capital... Bem, eu hoje tenho uma divida com o banco de 13.797,36, a prazo, em 36 de 383,26, sendo que, se eu pagar à vista, pagaria aproximadamente 6.500,00, um desconto interessante mas eu não tenho como conseguir o dinheiro emprestado. Estes contratos são com o banco Sudameris. No primeiro acordo, eu comecei a pagar e, depois da 5º prestação, acabei atrasando por falta de recebimento. Quando fui conversar com o banco, o mesmo me disse que os juros já haviam comido este valor pago (400,00 cada). O pior é que, na renegociação da dívida, me obrigaram a assinar promissórias em branco. Pergunto: o que posso fazer para resolver esta situação?

(03:53:21) Eduardo Santalúcia: sylvio, tô estranhando isso de notas promissórias em branco, eu trabalhei 13 anos no banco Sudameris. Mas, de qualquer maneira, um segundo acordo vem com uma penalização, senão essa dívida não terminaria nunca. O ideal seria você ter pego os R$ 6.500,00 e tomado um outro tipo de empréstimo. De qualquer maneira, eu insistiria junto ao departamento jurídico do banco para fazer o acordo. Você será penalizado de alguma forma. Sei que já lhe deram desconto, mas continue negociando à exaustão. Para o banco não interessa deixar você quebrar.


(03:45:05) Willis fala para Eduardo Santalúcia: O que você acha das instituições financeiras gozarem de uma legislação especial, isto não seria um incentivo a agiotagem "legal"?

(03:55:00) Eduardo Santalúcia: Willis, eles seguem as instruções normativas do Banco Central, não têm lei especial.


(03:45:44) endividada fala para Eduardo Santalúcia: tenho alguns cheques que foram devolvidos comigo, já estão pagos. Ainda devo 2 empréstimos no banco, que, no valor total, devem ser de uns 1.500,00, mas os juros estão exorbitantes. Fiquei sabendo que se passar 5 anos os empréstimos caducam e o banco é obrigado a retirar meu nome do serasa e spc. O que devo fazer? Procurar o banco ou esperar que eles façam um último contato? E qual seria a taxa de juros correta a pagar?

(03:58:42) Eduardo Santalúcia: endividada, a taxa de juros correta seria a menor a que você tem acesso, que é a dos créditos consignados: aposentadoria (se tiver idade), que está na faixa de 2,30% ao mês (cuidado, consulte diversos bancos antes de fechar) ou crédito com desconto em folha, se estiver trabalhando. Essa possibilidade de o empréstimo caducar existe, de fato. Mas você vai ficar cinco anos sem cartão de crédito, sem nada. Se tiver conta corrente no banco, pode manter. Se quiser abrir em outro banco eles já consultam o SPC.


(03:46:15) Katia fala para Eduardo Santalúcia: Qual a alíquota mais alta: juros de empréstimo pessoal, juros de financiamento de imóvel ou juros do cheque especial?

(03:59:20) Eduardo Santalúcia: Katia, cheque especial é mais alto, claro. Junto com o crédito do cartão é o juro mais alto que tem. O do empréstimo pessoal está a 59%, 60% ao ano. O do cheque especial é 147% ao ano.


(04:01:09) Eduardo Santalúcia: Obrigado a todos pelas perguntas e até uma próxima oportunidade! E lembrem-se de não comprometer renda futura. Os juros ainda estão altos. Poupe, sacrifique um pouco o consumo, pois esses juros para os tomadores vão cair. A concorrência entre os bancos vai levar a isso, mas ainda demora um tempo.

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