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19/02/2008 - 18h26
Reatar relações com os EUA volta a ser decisivo para Cuba, diz professor da UnB

da Redação

Depois de 49 anos no poder, Fidel Castro renunciou nesta terça-feira à presidência de Cuba. O anúncio foi feito em carta publicada no jornal estatal Granma. Castro estava afastado do poder desde julho de 2006, quando passou o comando do país a seu irmão, Raúl.



De acordo com Virgílio Arraes, professor de relações internacionais da UnB (Universidade de Brasília), o afastamento de Fidel, "a princípio, não mudará nada". "Fidel já estava afastado há mais de um ano e meio, e o Partido Cubano, por meio de Raúl Castro, administra o país há algum tempo. A renúncia de hoje é mais simbólica", disse.

Por isso, o professor considera que o mais importante - para Cuba - seja reatar as relações com os EUA. Como as relações bilaterais dependem muito mais de Washington do que de Havana, "certamente Cuba aguarda com ansiedade as eleições norte-americanas". "O ponto mais importante [a definir] é quem será o próximo presidente dos EUA. A partir daí, as relações podem avançar."

Segundo Arraes, "os democratas são mais propícios a restabelecer o relacionamento diplomático entre os dois países". Quando presidente, Bill Clinton tentou uma reaproximação, mas foi impedido de prosseguir por causa dos republicanos presentes no Congresso norte-americano. Já George W. Bush preferiu reforçar o embargo e endurecer as regras para cidadãos americanos que procuram visitar a ilha.

De qualquer forma, o professor afirma que "não é mais possível tratar Cuba como se estivéssemos vivendo a Guerra Fria". "Não há sentido em tratar as [relações entre os dois países] como se vivêssemos a bipolaridade", disse. Para ele, "é inevitável" que o país amplie o processo de abertura comercial - e alguns países e blocos econômicos já estão de olho nesse movimento, como o Brasil, o México e a União Européia.

Essa abertura, na opinião de Arraes, deve trazer um pouco mais de desigualdade para a ilha. Hoje, Cuba é um dos países mais desenvolvidos da América Latina. "[O país tem] índices sociais acima da média. Ao mesmo tempo, a população ainda precisa aprender a conviver com o sistema democrático", afirmou. "Provavelmente, Cuba se tornará uma sociedade mais desigual com a abertura."

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