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11/04/2005 - 15h57 Beatificação do papa João Paulo 2º não deve ser tão rápida como apelam fiéis Veja a entrevista em vídeo
Da Redação O papa João Paulo 2º pode ser proclamado santo ainda neste ano, segundo o arcebispo dom Edward Nowak, secretário da Congregação das Causas dos Santos do Vaticano. Em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", Nowak disse que Karol Wojtyla pode ser beatificado em tempo recorde graças ao apelo de milhares de fiéis que, na semana passada, durante o funeral do papa, gritavam "santo já". A imprensa italiana diz que o Vaticano já estaria até mesmo coletando relatos de possíveis milagres realizados pelo papa. "O que existe nesse momento é muita especulação e uma grande expectativa dos católicos, que estiveram na Praça de São Pedro, pedindo para que o papa se torne santo e que isso seja feito rapidamente", disse o editor-chefe da BBC Brasil, em Londres, Rogério Simões. Segundo o jornalista, dificilmente esse processo será finalizado até o final do ano ou, até mesmo, daqui a três anos. "Existe uma exigência de catalogação de supostos milagres que uma pessoa tenha propiciado para que ela seja reconhecida como santa. Haveria necessidade, inclusive, de dois milagres que João Paulo 2º teria que realizar depois de morto." O jornalista explica que o reconhecimento desses milagres demora e passa por uma série de verificações dentro da Igreja. "São especulações que refletem o desejo de parte da comunidade católica." Protesto Hoje, duas ativistas de um grupo que ajuda vítimas de abusos sexuais distruibuíram panfletos na Praça de São Pedro enquanto o cardeal americano Bernard Law celebrava uma missa em memória do papa João Paulo 2º. Law teve de renunciar ao posto de arcebispo em Boston, Estados Unidos, em 2002, acusado de acorbertar padres que seriam autores de abusos sexuais em crianças. De acordo com Rogério Simões, a participação de Law na missa foi bastante polêmica e criou um constrangimento que o Vaticano poderia ter evitado. "Ele foi acusado não só de acobertar os padres, mas também de tranferi-los para outras dioceses sem avisar a comunidade local sendo que a igreja já tinha conhecimento desses abusos." O editor-chefe da BBC Brasil explicou, porém, que a convocação de Law foi praticamente automática. "Ele foi colocado por João Paulo como responsável da Basílica de Maria, em Roma, e, nessa posição, acabou quase que de forma automática sendo chamado para rezar a missa de hoje." A escolha, porém, deve gerar mais protestos. Segundo as duas ativistas, que distribuíam panfletos, outros católicos devem ir a Roma nos próximos dias para alertar que cardeias como Bernard Law não tenham destaque e pedir que a igreja - no processo de discussão do novo papa - leve em consideração casos como os de abuso sexual registrados nos Estados Unidos. "Uma das representantes argumentou que a presença de Law estava expondo os parentes das vítimas que sofreram abuso." Congregação dos Cardeais Os cardeais realizaram hoje a sétima reunião da Congregação dos Cardeais depois de a morte do papa e, conforme acertado no final de semana, saíram sem conversar com a imprensa. "Deixaram o local em silêncio como prometeram. Essa decisão foi tomada para preservar a opinião de cada cardeal." Para alguns analistas, essa postura poderia favorecer cardeais mais conservadores. Nessa fase, antes do conclave que tem início no dia 18, os cardeais estão discutindo temas importantes para a igreja. "O fato de ter havido essa situação polêmica (com o cardeal Bernard Law) faz com que os cardeais estejam mais obrigados a discutir a questão dos abusos sexuais." Nos Estados Unidos, mais polêmica Outra indicação do presidente George W. Bush não foi bem aceita. Desta vez, o nome do diplomata John Bolton para embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu muitas críticas de senadores democratas. "Eles argumentam que Bolton é a pior pessoa para o cargo porque representa uma ala que nunca defendeu um diálogo com outros países quando o assunto é política externa. Ele também é conhecido por ter uma postura de desdém em relação às Nações Unidas e declarou, no passado, que a ONU era falida e os EUA não ganhariam nada trabalhando com ela." Hoje, Bolton foi sabatinado pela primeira vez na Comissão Internacional do Senado. Segundo Rogério Simões, as perguntas dos senadores foram bastante duras e este já é considerado o maior embate entre democratas e republicanos desde o início do segundo mandato de George W. Bush. Nome rejeitado? O editor-chefe da BBC Brasil explica que existe a possibilidade de o nome de Bolton ser rejeitado. "A comissão é formada por 17 senadores. A expectativa é que os oitos democratas votem contra. Se os nove republicanos forem a favor, o nome de Bolton é aceito. Mas existe um republicano que questionou bastante as atitudes de Bolton. Caso esse republicano vote junto com os democratas, o nome dele seria rejeitado e teria de ser levado para o Plenário. Isso já seria uma grande derrota para Bush." O governo de Bush justificou a indicação de Bolton dizendo que ele é uma pessoa que traz resultados. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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