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17/07/2006 - 18h59
Promotoria britânica inocenta policiais que atiraram no brasileiro Jean Charles

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Frustração para a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia de Londres há quase um ano, no dia 22 de julho de 2005, ao ser confundido com um militante suicida no metrô da cidade. O relatório da Promotoria Pública Britânica divulgado hoje diz que não havia provas suficientes para processar individualmente os policiais envolvidos na morte do brasileiro.

O documento acusa a Política Metropolitana de Londres de ter violado leis de segurança e sanitárias e de ter falhado no dever de proteger Jean. Isso significa que nenhum dos envolvidos na operação poderá ser levado à Justiça.

A investigação realizada pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC na sigla em inglês) durou seis meses e ouviu 30 pessoas que estavam no metrô em que Jean Charles foi morto, além de coletar outras 600 declarações escritas. A conclusão foi entregue à promotoria britânica em janeiro.

O mineiro de 27 anos foi assassinado dentro de um dos vagões do metrô por policiais à paisana, um dia após uma nova tentativa de ataques a bomba no sistema de transportes da cidade -que já havia sido atacado duas semanas antes.

De acordo com o editor-chefe da BBC Brasil em Londres, Rogério Simões, a decisão significa a "palavra final" da Promotoria britânica, que concluiu que seria difícil ganhar o caso se indiciasse os policiais que atiraram por homicídio culposo, como sugeria o relatório da IPCC.

"A Promotoria é obrigada a avaliar não só os argumentos, mas a possibilidade de ganhar um caso como este, já que é dinheiro público que vai ser gasto. Ela chegou à conclusão que não teria condições de provar que policiais que atiraram tinham alguma intenção de matar", disse.

À família de Jean Charles, que já prometeu recorrer da decisão, cabe ainda acompanhar o processo contra a polícia como instituição, diz o jornalista. "O mais provável é que, se a policia for condenada, tenha que pagar uma multa vultosa, de milhões de libras, mas apenas uma multa. Mas a possibilidade de alguém ir para a cadeia por causa da morte de Jean Charles foi descartada."

O chefe da polícia londrina, Ian Blair, também ainda pode ser implicado em dois processos: ele responde como chefe da polícia e é investigado pela IPCC no processo que avalia o seu comportamento depois da morte de Jean Charles. "Se Ian Blair agiu de má fé, se quis passar impressão que a vítima era um suicida envolvido nos atentados a Londres, tudo isso vai ser analisado nesse relatório", diz Simões.

"Atirar para matar"

O relatório também não faz menção à política de "atirar para matar", segundo a qual a polícia poderia atirar em suspeitos de praticar ataques e que foi adotada pela polícia de Londres após os atentados ao sistema de transportes, em 7 de julho de 2005.

"A expectativa de muita gente, especialmente entidades de direitos humanos, era de que durante o processo, esta polícia ia ser discutida publicamente. Hoje, um ano depois da morte de Jean Charles, as bases ainda não foram esclarecidas ou apresentadas à população. Não se sabe quando, como e sob quais argumentos ela pode ser colocada em prática", afirma o editor da BBC Brasil.

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