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23/04/2007 - 17h49
Lideranças políticas elogiam o legado de Ieltsin

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

O Kremlin anunciou nesta segunda-feira a morte do ex-presidente Boris Ieltsin. Ele tinha 76 anos e morreu de "falência cardíaca", segundo autoridades russas.

Ieltsin foi o primeiro presidente eleito após o fim da União Soviética. Apesar de carregar amplas expectativas da população, durante seu governo, o PIB da Rússia caiu cerca de 50% e os índices de desemprego cresceram. Governou o país de 1991 até 1999, quando renunciou à Presidência, seis meses antes do fim de seu mandato.

"As reações formais têm sido bastante positivas e respeitosas. O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev destacou o fato de Ieltsin entrar para a história como o homem que colocou a Rússia no caminho democrático. Apesar disso, a democracia russa sempre foi muito questionada por líderes do ocidente. Ainda hoje, o poder é muito centralizado nas mãos do presidente Vladimir Putin", contou o diretor da BBC Brasil, Rogério Simões.

A Casa Branca também se pronunciou sobre o trabalho histórico de Ieltsin. "Segundo o governo dos Estados Unidos, foi ele quem criou para a Rússia um modelo governamental mais independente e capitalista, com uma democracia incipiente. Seu trabalho, naquele momento de transição, também foi ressaltado por outras importantes figuras políticas mundiais", disse Rogério.

De acordo com o colunista, Ieltsin já tinha a saúde muito debilitada desde seus últimos anos como presidente. "Quando nomeou Putin como primeiro-ministro ele já estava escolhendo o seu sucessor. No início da segunda guerra contra a Chechênia, o país já estava praticamente nas mãos de Putin. O abandono do poder foi apenas uma consolidação de uma situação que estava, há algum tempo, fora de seu controle".

Segundo Rogério, na Europa, Ieltsin é visto como uma figura bastante peculiar. "Ele tinha um carisma muito grande e mantinha relações amistosas com importantes líderes políticos ocidentais, como o ex-presidente americano Bill Clinton. Ele foi muito criticado na época da primeira guerra contra a Chechênia, quando o exército russo foi humilhado pelos rebeldes. O país saiu derrotado e sua figura de chefe de estado, arranhada. Apesar de ser uma figura polêmica, historicamente, parece que ele recebeu o devido reconhecimento".

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