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19/02/2008 - 18h53
Renúncia de Fidel põe em risco conquistas do regime cubano, diz Alencastro

da Redação

Depois de quase 50 anos como líder de Cuba, Fidel Castro renunciou nesta terça-feira à presidência do país. Castro subiu ao poder em 1959, com a deposição de Fulgencio Batista, e estava afastado por problemas de saúde desde julho de 2006, quando passou o comando do país ao seu irmão, Raúl.



Para Luiz Felipe de Alencastro, historiador e colunista do UOL News, Fidel Castro deixa um legado que "no final é negativo, porque ele preparou muito mal o povo cubano para uma transição". "Não faltou gente que procurou o Fidel várias vezes" para tratar sobre o tema, disse o historiador.

Segundo ele, a Espanha - que tem influência muito grande sobre Cuba - e a França, quando governada por François Miterrand, tentaram negociar com o "comandante", sem sucesso. "Ele nunca topou ceder o poder nem se preocupou com um herdeiro político", afirmou. Para Alencastro, isso é ruim porque põe em risco a manutenção das próprias boas condições de vida que ele [Fidel] criou para o povo cubano.

Abertura
Alencastro disse ainda que, com a renúncia de Fidel, cria-se também uma expectativa muito grande nos EUA sobre como vai se dar a transição entre os governos. "É lógico que a Cuba de Raúl Castro será diferente. Raúl não tem a mesma legitimidade e liderança de seu irmão", afirmou o colunista do UOL News.

De qualquer forma, ele acredita que uma reaproximação entre os dois países só deva acontecer após as eleições norte-americanas. "A Florida é o quarto Estado em peso de delegados [nas eleições dos EUA] e há uma presença anti-Castrista muito grande. O fato de a Flórida ter esse peso todo faz com que nenhum dos candidatos ouse propor algum amolecimento no embargo e na pressão que os americanos sempre exerceram sobre Cuba."

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