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16/11/2006 - 20h01 "Idade de jovens com anorexia está diminuindo", diz especialista Veja a entrevista em vídeo
Da Redação A morte da modelo Ana Carolina Reston provocada por uma anorexia nervosa, deu novo destaque à doença. A jovem, de 21 anos, media 1,74 m e pesava 40 quilos quando morreu. Ana Carolina já havia feito tratamento para anorexia e acompanhamento psicológico. O UOL News entrevistou o coordenador do Centro de Atendimento e Apoio do Adolescente da Universidade Federal de São Paulo, Mauro Fisberg. Em setembro, o Centro reuniu-se com seis agências de modelos para realizar um acompanhamento nutricional. UOL News - Como é diagnosticada a anorexia? Muito tem se falado o IMC (Índice de Massa Corporal) e até da largura dos quadris. Mauro Fisberg - A anorexia nervosa é uma doença psiquiatra que não é muito freqüente, mas afeta, principalmente, alguns grupos de risco, que são pressionados por ter um corpo saudável ou adequado em demasia. O exemplo típico são bailarinas, atletas, modelos... A anorexia nervosa é um distúrbio de comportamento em que a pessoa tem uma alteração da imagem corporal. Ela acha que seu corpo é gordo ou tem gordura localizada. Como ela se acha gorda, vai utilizar mecanismo para perder o peso em excesso. Ou utiliza a forma de não ingestão, que é o quadro mais comum, ou utiliza meios para não engordar, tomando medicamentos, fazer atividades excessivas e até vomitar. UOL News - Isto seria a bulimia? M.F. - Não, a bulimia é outra patologia. A bulímica após um episodio de ingestão de quantidades exageradas de comida, vomita por culpa. O que confunde é que a bulímica pode deixar de se alimentar e a anoréxica pode vomitar, mas o quadro psicológico é outro. UOL News - As modelos geralmente são muito magras. A profissão demanda um corpo mais esguio, não? M.F. - Exato, as modelos têm o corpo que é solicitado pelo mercado. A maior parte destas meninas são constitucionalmente magras, elas são selecionadas porque são assim. A grande preocupação é com meninas normais que querem se equiparar com corpos de modelo e fazem tudo para perder peso. UOL News - Como identificar isto numa menina? M.F. - Precisamos fazer o diagnóstico precoce de comportamentos que chamam a atenção. A anoréxica esconde que ela não come. Ela gosta de falar de comida e acaba dando a impressão de que está comendo. Ela se esconde na hora da comida, tem refeições lentas ou só come coisas saudáveis. Em segundo lugar, ela esconde a perda de peso. Usa roupas largas, não usa biquíni, não se expõe na frente de outras pessoas... UOL News - Internamente o que acontece com as pessoas que têm anorexia? M.F. - Depende do grau de perda de peso da paciente. Uma das complicações iniciais é a carência de micro nutrientes, por que ela pode não comer carne, açúcar... Ela vai restringindo os alimentos até ter anemia e desnutrição. Numa outra etapa, começam a aparecer sinais secundários, como a falta de menstruação. Quando tem uma diminuição muito importante da gordura no corpo, ocorrem alterações hormonais que levam a amenorréia. A partir de então, começa a diminuir a imunidade do corpo e uma infecção leve pode ser mais grave e ela não tem capacidade de se defender da infecção. É o que provavelmente aconteceu com Ana Carolina. UOL News - O perfil mais comum é de mulheres jovens? M.F. - A anorexia é uma doença feminina, apesar de aparecer em menor freqüência nos homens. Não sabemos se está aumentando o número de casos ou se realmente o diagnostico tem sido mais precoce. Aparentemente, tem havido um aumento pela condição ambiental. A busca pelo corpo perfeito ocasiona alteração no comportamento. Então, está diminuindo a idade e aumentou o número ou a procura por tratamento médico. UOL News - Onde as pessoas devem se tratar? M.F. - Acredito que centros especializados, encontrados principalmente nas Universidades, possam fazer um acompanhamento multiprofissional. É um tratamento com psiquiatra, nutricionista, especialista em adolescência e todos os profissionais que possam dar suporte à família e ao paciente. Não basta tratar o paciente, a família tem que ser tratada junto. Esta modelo estava se tratando, mas obviamente a doença é de tratamento difícil e o desfecho poderia ter acontecido com qualquer outra pessoa. UOL News - há cura para a doença? Qual o percentual de óbitos nestes casos? M.F. - Mesmo havendo cessação dos sintomas e modificações da imagem corporal, é necessário um acompanhamento para o resto da vida. O óbito varia de 2 a 20%, se a paciente não tiver acompanhamento. O fato de ela estar em tratamento, não significa que não corre risco. Ela nega o tratamento, nega que esteja doente. Então, ela faz de tudo para burlar. UOL News- É uma doença comum entre modelos? M.F. -Não, o comportamento inadequado de fazer dieta ou tomar medicamentos para emagrecer pode ser maior. Há uma chance maior de este grupo correr o risco de ter uma doença posteriormente. Mas elas não têm um maior número de anorexia do que os outros grupos de risco. É maior o risco do que em uma população normal, mas a freqüência é baixa. Nos 10 anos de trabalho, tivemos pouquíssimos casos da doença estabelecida e normalmente muito mais tarde, numa população sem controle. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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