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01/12/2006 - 18h29
Os mitos e verdades sobre Aids: especialista tira dúvidas

Veja a entrevista em vídeo

Da redação

Cerca de 600 mil pessoas estão infectadas pelo vírus HIV no Brasil, segundo relatório do Ministério da Saúde. A contaminação atinge em grande parte as mulheres, os negros e os idosos. De acordo com o levantamento, a doença cresce principalmente entre as pessoas com mais de 50 anos.

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, o UOL News recebeu o infectologista David Uip, um dos pioneiros no tratamento de pacientes de Aids.

Confira os principais trechos da entrevista e, na seqüência, o bate-papo com os internautas.

Programa brasileiro de combate e prevenção a Aids

"É consagrado, disponibiliza remédios a todos os brasileiros que necessitam, mas estou muito preocupado", disse o médico. "O Brasil este ano vai investir R$ 1 bilhão de reais no tratamento. Estamos vendo é que esse orçamento está engessado porque tem aumentado o número de pacientes, de indicações de medicamentos e também de medicamentos. Daqui a pouco a conta não vai fechar, vamos precisar de mais recursos", afirma Uip, que chama atenção para um outro lado, o da prevenção.

"A despeito de tudo o que foi feito não foi suficiente porque estamos vendo o número de pacientes recém diagnosticados com mais de 50 anos", constata. "Está aumentando o número de casos novos, de mulheres, é cada vez maior o número de jovens infectados, o que demanda uma expectativa cruel em relação aos próximos anos."

Avanços e retrocessos

O médico, que desde 1982 discute a Aids, afirma que ainda não encontrou um meio de convencer as pessoas sobre a necessidade de proteção. Sobre a transmissão da mãe para filho, ele ainda não se diz satisfeito com a queda de 51%, que jogou a média do Brasil para 8%. "Temos que trabalhar com a transmissão materno-fetal em níveis inferiores a 2%, idealmente abaixo de 1%. Qualquer coisa acima disso há algo de errado no processo porque você tem conhecimento, disponibiliza medicamentos e sabe o que fazer para evitar a transmissão."

Em relação ao aumento nos idosos, entram variáveis como a utilização de drogas que atuam na disfunção erétil. "O homem que tinha uma atividade sexual menor ou menos intensa passou a utilizar e muitas vezes isso não está combinado com a esposa. Ele busca relacionamentos eventuais e está se contaminando", afirma. "Esses homens também não foram 'treinados' para usar preservativo."

(11:20:58) Vinícius fala para David Uip: É verdade que o Brasil é um dos principais países com avanço tecnológico sobre tratamentos para a AIDS ?

(11:30:49) David Uip: Vinícius, não é verdade. O Brasil é um país avançadíssimo na disponibilização de medicamentos. Dos 16, 8 são feitos como genéricos. Falta toda a tecnologia de química fina e reprodução de moléculas. O Brasil é um bom país em distribuição de remédios, mas vai mal em pesquisa.


(11:21:28) Cássia pergunta para David Uip: O que a saúde em São Paulo tem para os portadores do vírus HIV em termos de política pública?

(11:32:53) David Uip: Cássia, a política é nacional e repercute nos Estados e municípios. Nós temos um belo projeto de disponibilização, temos projetos isolados de prevenção, mas falta um projeto político e sistemático de prevenção que aborde principalmente crianças. Temos que falar de sexo seguro e não às drogas. Essa política deveria ser incorporada aos currículos escolares. Quando você começa a abordar Aids na escola enfrenta dificuldades, mas o pior de tudo é chegar nos pais. E escolas públicas e privadas têm o mesmo perfil. É difícil interagir e mostrar a situação.


(11:23:00) Amigo fala para David Uip: É possível ter alguns sintomas de infecção pelo HIV - candidíase, suores noturnos - e não ser HIV positivo?

(11:33:44) David Uip: Amigo, a candidíase, que é o "sapinho" no indivíduo adulto, é um sinal de imunodepressão, ou seja, o sistema de defesa não vai bem, o que obriga a investigar a causa, inclusive o HIV. Não é a única possibilidade. Câncer pode dar candidíase, indivíduos em uso de quimioterápicos e radioterapia, transplantados e que usam drogas imunodepressoras.


(11:23:07) Rogério fala para David Uip: Fui contaminado com o HIV há 3 meses. Quais são as expectativas de novos medicamentos para os próximos 3, 4 ou 5 anos?

(11:35:04) David Uip: Rogério, hoje temos uma gama de medicamentos suficientes para tratá-lo por muitos anos. Mas vou te dar um puxão de orelha: talvez tenha faltado um pouquinho de prevenção a você. Repercuta com amigos e parentes que não foi bom ter se contaminado. Justamente depois de tantos anos de epidemia e informações, como é que alguém pode se expor? Aprendi a não fazer juízo de ninguém, mas tem hora que tem que puxar a orelha.


(11:27:10) MARIANA fala para David Uip: Existem várias teorias sobre o aparecimento da AIDS, uma delas é a vacinação de crianças na África como cobaias de uma vacina feita com chipanzés. Isso foi confirmado?

(11:36:32) David Uip: MARIANA, isso é besteira. O que se sabe é que provavelmente o vírus teve o 'pulo' zoológico na África, talvez no Zaire, e essa história começa em 1935 - 55 casos isolados e se torna uma pandemia mundial a partir de 1980.


(11:27:26) nary pergunta para David Uip: Será que uma pessoa com AIDS pode comer tudo ou tem alguma restrição alimentícia?

(11:37:22) David Uip: nary, existe uma diferença muito importante: o HIV positivo é o indivíduo que tem o exame positivo, não tem o sintoma e pode tomar ou não o medicamento. O indivíduo com Aids é o que tem os sintomas, infecções oportunistas ou tumores. Habitualmente, o que você orienta os pacientes é para que tenham uma vida normal em relação à alimentação. Agora, quando se toma remédio e, por exemplo, evolui para uma síndrome lipodistrófica - aumenta o colesterol, o triglicérides, deposição irregular de gordura - aí sim, a orientação dietética é em cima da conseqüência. É em cima do diagnosticado, não por definição.


(11:27:41) Dr Dilson fala para David Uip: Gostaria de saber se uma pessoa que está em uso dos medicamentos contra a AIDS, com taxa viral CD4 baixa, pode contaminar outra pessoa através de relação sexual ?

(11:38:10) David Uip: Dr.Dilson, o CD4 não tem nada a ver com a contaminação, carga viral sim. Hoje se pressupõe que quem tem menos de 1.500 cópias do vírus por ml cúbico infecta menos. Mas a despeito de ter uma carga viral baixa, que seguramente diminui a transmissão, todo mundo precisa se proteger.


(11:27:50) naldo pergunta para David Uip: Existe uma perspectiva sobre cura?

(11:38:30) David Uip: naldo, não existe. Essa é uma doença que tem um controle interessante, as pessoas vivem mais e melhor, com dignidade, estão reinseridas no contexto social, mas não vejo que isso possa acontecer nos próximos tempos.


(11:27:59) andre sp fala para David Uip: Li alguns artigos sobre o sexo oral e os médicos parecem estar divididos em dois grupos: os que acham que o sexo oral sem camisinha representa um risco grave de contaminação por HIV e os médicos que afirmam que o risco é mínimo. Qual o seu posicionamento e por que?

(11:39:38) David Uip: andre sp, grave não é mesmo. Imagine uma mulher HIV positiva e um homem que vai fazer sexo oral nela. É pouco provável que essa mulher passe o HIV para ele com o sexo habitual, ou pelo menos é menos provável do que o contrário. Sexo oral é muito menos provável. Agora o contrário, a mulher ou homem fazendo sexo oral em outro homem com ejaculação. O risco talvez seja maior, mas ainda menor do que em uma relação vaginal ou anal.


(11:28:13) Vinícius fala para David Uip: Pode-se contrair o HIV mesmo usando o preservativo ?

(11:30:49) David Uip: Vinícius, não, desde que se use adequadamente em todas as relações. Ele é absolutamente seguro, mas tem que saber usar.


(11:28:36) Marcos fala para David Uip: Há uma expectativa sobre quanto tempo duram os efeitos colaterais iniciais do tratamento? Há maneiras de minimizá-los?

(11:43:51) David Uip: Marcos, os efeitos iniciais são limitados, mas depende dos remédios. Cada um tem um tamanho, uma importância, um tempo. Isso depende da relação entre paciente e médico para achar o melhor esquema e a melhor forma de evitar os efeitos adversos.


(11:28:45) Rafa fala para David Uip: Quais as doenças oportunistas mais comuns nas pessoas portadoras do HIV ?

(11:45:17) David Uip: Rafa, primeiramente "portador" não é uma palavra adequada, porque dá a impressão que o indivíduo adquiriu e vai ficar sem nenhuma evolução da doença, e não é assim. A partir do momento que o indivíduo se contamina com o vírus há uma atuação dele no sistema de defesa e uma tentativa de defesa desse sistema contra o vírus. Já há a tentativa de doença e tentativa de defesa, então, esse indivíduo não é portador. Esses HIV positivos em algum momento vão ter sintomas em 90% das vezes. Em relação às doenças oportunistas, elas aparecem quando você tem o CD4 baixo e a carga viral alta, como pneumonia, diarréia, meningoencefalite, meningite, tumores, uma gama enorme de reativação. O indivíduo já teve aquela doença, cai o sistema de defesa e ela reaparece.


(11:30:08) Marco fala para David Uip: Muitos dizem que a partir do momento em que uma pessoa começa a tomar medicamentos, há uma estimativa de vida de 10 a 12 anos. Isso é real ou mito?

(11:45:51) David Uip: Marco, é mito. Comemoramos agora em novembro 10 anos da lei que disponibiliza medicamentos. Tenho pacientes vivos desde a época que não tinha remédio, 1984. Então não dá para por limites.


(11:30:28) Ciça pergunta para David Uip: Uma vez que a incidência da AIDS está aumentando junto à população feminina e às pessoas de mais de 50 anos, o que é que está se fazendo para conter esse avanço?

(11:47:06) David Uip: Ciça, acima de 50 anos as pessoas têm que se conscientizar. Não é possível que ainda vão para a relação sexual desprotegidas. Acho muito saudável que tenham uma relação sexual, mas com proteção e responsabilidade. Isso acontece por uma variável que é o impulso. O indivíduo toma o medicamento, percebe a ereção e, no impulso, vai em busca da relação sexual. Em relação às mulheres, elas têm a opção de usar a camisinha feminina, já que exigir do homem o uso da masculina nem sempre é "negociável". O que vem agora com força são as drogas protetoras, os viricidas usados topicamente.


(11:31:31) junin fala para David Uip: Qual a porcentagem que um homem tem de pegar o vírus de uma mulher?

(11:49:31) David Uip: junin, existe a possibilidade, mas ela é muito menor que o inverso. Isso já me causou grandes problemas, mas para quem não acredita basta fazer as contas. Quando começamos a perceber isso, por volta de 1987, a relação homens/mulheres estava em torno de 40 para um. Nós dissemos que ia aumentar o número de mulheres e, em algum momento, ele ia ultrapassar o de homens. Se você tem um aumento de mulheres nessa proporção, hoje estamos falando de um para um, você tem muitas mulheres contaminadas. Obviamente vai haver um número proporcional, ou até maior, de homens expostos que têm relações com essas mulheres. Não aumentou proporcionalmente porque a transmissão de homem para mulher é maior do que o inverso. Isso hoje está definido em literatura. E a transmissão de homem para homem ainda é maior do que de homem para mulher.


(11:35:59) Guilherme fala para David Uip: É verdade que existem pessoas que têm imunidade a Aids?

(11:50:22) David Uip: Guilherne, as prostitutas de Nairóbi, no Quênia, a despeito de terem se exposto muito ao vírus, não soroconverteram. Há algo genético, até se sabe mais ou menos qual cromossoma. Outra situação interessante são de pessoas contaminadas de longo tempo, que não apresentam sintomas. Essas duas populações são alvo de investigação médica porque talvez esteja nelas uma das pistas para você desvendar definitivamente o sistema de contaminação.


(11:36:10) MARIANA fala para David Uip: É verdade que existem homens que são apenas transmissores do vírus sem ser soro positivo?

(11:50:33) David Uip: MARIANA, para ser transmissor tem que ter o vírus.


(11:42:28) Marcela fala para David Uip: Sou profissional de saúde e me perfurei com uma agulha há oito meses. O paciente não era HIV+. Até quando vou ter que fazer controles para sair de janelas de infecção de HIV e hepatite? Existem outros perigos de contaminação?

(11:51:13) David Uip: Marcela, se ele é soronegativo você nem deveria ter feito o exame pois não houve risco nenhum. Em relação a hepatite, hoje não se admite que ninguém não esteja vacinado para hepatite A e B. A hepatite C é um problema porque não tem vacina, você trabalha com uma população de positivos que você não conhece e não tem jeito. Se houver a contaminação tem que se tratar.


(11:47:00) sussu fala para David Uip: É verdade que a contaminação pode acontecer em salões de beleza que não usam material descartável para manicure e pedicure?

(11:51:52) David Uip: sussu, acho que é pouco provável em relação ao HIV, mas muito provável com a hepatite B. É uma questão mais de higiene. Utilizar material não esterilizado não é adequado, o cliente deve exigir a esterilização.


(11:47:46) Guto pergunta para David Uip: Pequenas lesões na boca decorrentes da escovação ou pequenas aftas podem representar risco de contaminação no sexo oral ?

(11:52:46) David Uip: Guto, isso também é uma questão de higiene. Se você está com a boca lacerada, cuide dela antes de beijar ou fazer sexo oral em alguém. Tem coisas que você não precisa se expor ao risco.


(11:47:53) Marcos fala para David Uip: Já podemos classificar a Aids como uma doença "crônica" como, por exemplo, a diabetes?

(11:53:59) David Uip: Marcos, essa conversa me assusta porque tenho presenciado jovens mais ou menos "enfrentando" o vírus, como se fosse uma doença crônica, pelo fato de termos bons medicamentos. Mas isso não é inteligente. O indivíduo que tem Aids hoje tem que tomar medicamentos, conviver com efeitos adversos, tem perdas, horários, exames, tem que ir ao médico, portanto, eu não gostaria que as pessoas considerassem isso como algo da rotina. É uma doença prevenível, ao contrário de doenças que você não pode intervir, por exemplo, um diabético.


(11:48:07) dedecoms fala para David Uip: É possível pegar Aids dando a mão para alguém, mesmo se tiver na mão aqueles "machucadinhos" de cutícula?

(11:54:14) David Uip: dedecoms, felizmente não há nenhuma possibilidade de contaminação por qualquer contato social.


(11:48:14) conte fala para David Uip: Como podemos alertar ainda mais os jovens para não se contaminarem?

(11:55:18) David Uip: conte, essa é uma obrigação de todos, que começa em casa. Pais, escolas, igrejas de qualquer credo, todos somos responsáveis de falar sobre isso. Estamos tentando aumentar as pessoas que divulguem a informação e formas de proteção contra essas doenças transmitidas por sexo.


(11:49:03) FABIO fala para David Uip: Caso houvesse interesse econômico dos laboratórios fabricantes dos remédios, acha que a conquista da cura seria abreviada?

(11:56:16) David Uip: FABIO, repetidas vezes ouvimos a história do interesse comercial versus a produção de medicamentos. Acho que todo mundo que trabalha na iniciativa privada tem interesse em resultado. Tem que acabar com a hipocrisia de achar que as pessoas trabalham de graça ou fazem tudo por filantropia. Todo mundo objetiva resultados. Esses laboratórios têm programas de ética, de boa qualidade, muito sérios. Não acredito que ninguém que possa ter a viabilidade de curar pessoas vai abrir mão em troca de dinheiro.

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