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22/06/2005 - 20h37
Médico alerta para limites das cirurgias corretivas e risco de lentes de contato

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

As técnicas de cirurgia para corrigir a visão avançam, mas ainda não são para todos. No "Consulta Médica" desta quarta-feira, o oftalmologista Newton Kara José, da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp, esclareceu os limites desses procedimentos.

Para passar pela cirurgia de correção de miopia, por exemplo, é preciso ter certeza de que ela já se estabilizou. "Isso acontece ao redor de 21 anos, raramente alguém aceita operar miopia em paciente com menos idade", explicou o médico.

"Para comprovar a estabilidade do grau, devem-se fazer dois exames, num intervalo mínimo de seis meses. Se a miopia estiver mudando, a cada dois anos pode ter que operar de novo. E a cada cirurgia os riscos de complicação são maiores."

Espessura da córnea é determinante

O limite para a cirurgia é até seis ou sete graus de miopia, segundo o médico -eventualmente oito graus. "Tudo depende da espessura da córnea -isso é o que limita. A cirurgia retira tecido da córnea e o risco é tirar tecido demais e deixá-la muito fina."

As barreiras são grandes para quem tem miopia avançada, com mais de oito graus. "O olho do alto míope é muito fraco, muito fragilizado. Quanto menos mexer, melhor", recomendou o especialista.

Já é possível corrigir miopia combinada com astigmatismo. "Depende do grau do astigmatismo. Até três graus, combinado com miopia de até quatro ou cinco graus, dá para corrigir. Mas cada caso é um caso."

Astigmatismo de alto grau também tem restrições. "Astigmatismo de cinco, seis graus não tem a menor condição de corrigir com cirurgia hoje em dia. Está chegando a um limite que nem os óculos corrigem. Conforme o caso, só com lente de contato rígida ou gelatinosa tórica."

Já a cirurgia que corrige hipermetropia é um pouco menos previsível que as outras, disse Kara. "Até quatro graus é bastante feita quando os outros parâmetros são normais."

Até os testes de lentes podem ser perigosos

Respondendo às dúvidas dos internautas (leia a íntegra do bate-papo), o médico alertou para o risco do uso incorreto de lentes de contato -corretivas ou as coloridas, sem grau. "É a primeira causa de infecção de córnea no mundo." Se a doença não for tratada devidamente, pode provocar o rompimento da córnea ou a uma visão "manchada".

"O grande problema das lentes é o paciente decidir por si próprio. O pessoal usa muito mal a lente, aumenta muito as horas de uso", criticou Kara. Ele não recomenda, por exemplo, dormir com as lentes. "Se o fizer, elas devem ser descartadas num tempo fixo. Há lentes mais recentes que, sem dormir com elas, você pode usar por 14 dias. Dormindo com elas, só sete."

São igualmente importantes cuidados como lavar bem o estojo, pelo menos a cada duas semanas, com água e sabão, deixando secar ao ar livre. E jogar a embalagem fora a cada seis meses.

Kara também chamou a atenção para os testes de lentes, muito comuns em óticas hoje em dia. "Tem óticas oferecendo este serviço sem dispor nem mesmo de uma pia", comentou. "Quando você põe uma lente de contato e não recebe orientações de cuidados, corre mais risco de infecção e pode até ter sérios prejuízos na visão."

Desconforto em frente ao computador

O oftalmologista explicou ainda por que tanta gente sente desconforto nos olhos depois de horas e horas em frente ao computador. Coceira, ardência e secura nos olhos são sintomas da síndrome visual do computador.

"O computador exige que você leia na vertical, o que nós, humanos, não estamos acostumados a fazer. É por isso que ao olhar para um prédio a gente não consegue dizer qual a altura dele", comparou. "Por isso, você tem que se concentrar mais e instintivamente pisca menos diante do computador. Aí, o olho resseca", descreveu. A situação piora se combinada ao ar condicionado e à presença de muitas pessoas na mesma sala.

O problema também é agravado pela má postura. Sentar-se de forma ereta, com as costas apoiadas no encosto da cadeira, não faz bem só para a coluna... Também vale deixar o monitor levemente abaixo dos olhos -"uns quinze graus". Assim, o olho seca menos e pisca mais.

Outra dica do médico é fazer pausas durante o trabalho. Simplesmente sair para dar uma volta e desgrudar o olho da tela. Vale a pena apostar nos pequenos cuidados. "A má postura diante do computador não deixa ninguém cego, mas faz cair o rendimento e qualidade de vida."

Clique aqui para ler a íntegra do bate-papo

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